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terça-feira, setembro 1, 2026

Com popularidade em queda, Trump confisca petróleo da Venezuela e bombardeia o Irã

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A retomada dos confrontos entre Estados Unidos e Irã aumentou a instabilidade no Oriente Médio e provocou nova alta nos preços do petróleo nesta segunda-feira (31). O movimento ocorreu após forças americanas destruírem dois lançadores iranianos na ilha de Larak, localizada no estreito de Ormuz, uma das principais rotas de transporte de energia do mundo.

Segundo o Comando Central dos Estados Unidos, os equipamentos eram operados pela Guarda Revolucionária do Irã e estavam sendo preparados para lançar foguetes carregados com minas marítimas. A ação interrompeu um período de relativa trégua e representou a primeira ofensiva americana contra alvos iranianos em cerca de um mês.

A Guarda Revolucionária informou que o ataque provocou mortos e feridos entre combatentes e civis, mas não divulgou um balanço detalhado. Em resposta, o Irã lançou mísseis contra duas bases dos Estados Unidos na Jordânia. As autoridades jordanianas afirmaram que os projéteis foram interceptados antes de atingir os alvos.

O novo episódio reacendeu o receio de uma escalada no conflito, iniciado há seis meses, e de um agravamento das restrições à navegação no estreito de Ormuz. Em condições normais, aproximadamente um quinto do petróleo comercializado mundialmente passa pela região. O fluxo de embarcações, entretanto, permanece bastante reduzido diante da ameaça de ataques e da presença de minas.

A ofensiva americana também ocorre em um momento delicado para Donald Trump no cenário doméstico. Pesquisa Reuters/Ipsos divulgada na última semana mostrou que a aprovação do presidente caiu para 33%, igualando o menor nível registrado em seu atual mandato. O apoio dos americanos à guerra contra o Irã recuou para 31%, enquanto 83% dos entrevistados disseram acreditar que o conflito será prolongado.

A pressão política é reforçada pelo aumento do custo de vida às vésperas das eleições legislativas de novembro. Nos 12 meses encerrados em julho, a gasolina ficou 24,6% mais cara nos Estados Unidos, enquanto os alimentos acumularam alta de 3%. O índice de energia avançou 14,7% no mesmo período, de acordo com o Departamento do Trabalho americano.

Os preços da gasolina permanecem acima de US$ 4 por galão, cerca de US$ 1 a mais do que há um ano. A alta tornou-se uma vulnerabilidade eleitoral para Trump e para o Partido Republicano, que tenta preservar o controle do Congresso. O presidente chegou a convocar representantes de refinarias e distribuidoras para discutir medidas destinadas a reduzir os valores cobrados nos postos.

Nesse contexto, Trump anunciou que utilizará o petróleo confiscado da Venezuela para recompor a Reserva Estratégica de Petróleo dos Estados Unidos. Os estoques americanos estão próximos do menor nível em 44 anos, com cerca de 290 milhões de barris. A medida busca reforçar a segurança energética do país e ampliar a capacidade de resposta do governo diante de eventuais interrupções no fornecimento provocadas pelo conflito com o Irã, embora seus efeitos sobre a oferta e os preços dos combustíveis no curto prazo ainda sejam incertos.

No mercado internacional, a reação foi imediata. O barril do Brent avançava US$ 1,08, para US$ 89,18, enquanto o petróleo WTI subia US$ 0,92, negociado a US$ 84,32. Durante a sessão, os ganhos superaram 1%, refletindo a preocupação dos investidores com eventuais impactos sobre a oferta global.

Embora o aumento recente dos fluxos de petróleo tenha ajudado a limitar uma disparada mais acentuada das cotações, o mercado continua sensível às notícias provenientes da região. As negociações para encerrar as hostilidades e normalizar o trânsito pelo estreito permanecem sem avanços, o que mantém um prêmio de risco incorporado aos preços.




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