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terça-feira, setembro 1, 2026

“Sem controle fiscal, o mercado seguirá batendo”, afirma o presidente da FGCoop

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João Tavares esteve por quase 25 anos entre os principais nomes do Sicredi, inclusive como presidente da instituição entre 2017 e 2022. No ano seguinte, assumiu o posto de presidente do Conselho de Administração do Fundo Garantidor do Cooperativismo de Crédito (FGCoop), instituição criada em 2014 e que ajudou a impulsionar esse mercado em expansão no Brasil. Em entrevista exclusiva com o BRAZIL ECONOMY, Tavares analisou o atual momento do cooperativismo e foi enfático ao destacar que, sem uma política fiscal mais responsável, a inadimplência continuará elevada no País.

De acordo com o Banco Central, o patrimônio das cooperativas brasileiras chegou, pela primeira vez, a R$ 1 trilhão. A que o senhor atribui esse resultado?
A cooperativa sempre nasce em determinada comunidade a partir de uma necessidade. Nos últimos tempos, essa tendência se ampliou, e o mercado financeiro se abriu para outros tipos de players. Antes, havia basicamente Bradesco, Banco do Brasil e Itaú. Agora, o setor se diversificou, e as cooperativas aproveitaram esse movimento, fazendo com que a sociedade entendesse sua importância. Ao mesmo tempo, houve uma evolução da base normativa, e o Banco Central acompanhou esse crescimento, ampliando a capacidade operacional por meio de exigências regulamentares. O resultado é que, hoje, uma cooperativa é regulada como um banco. Isso permitiu um crescimento vigoroso e irreversível, além de refletir uma característica da sociedade brasileira: ela gosta de novas formas de ser atendida.

Como o AGRONEGÓCIO se posiciona nesse mercado?
O crescimento do agro acompanhou, sim, esse movimento, juntamente com a maior importância das pequenas cidades. Antigamente, os motores da economia estavam apenas nos grandes centros, mas isso mudou. Como o cooperativismo já estava instalado nas cidades menores, esse cenário levou a uma pujança econômica, com grandes redes de atendimento aos produtores rurais.

De que maneira o FGCoop ajudou a consolidar o cooperativismo no Brasil?
O FGCoop entrou nesse modelo ao ser constituído em 2013 e começar a operar em 2014. Os bancos tradicionais têm o Fundo Garantidor de Créditos, que está bastante em evidência. Já as cooperativas contam com a mesma segurança desde que o Banco Central publicou, em 2013, uma resolução estabelecendo um fundo garantidor para o setor. A pessoa que deposita recursos em uma cooperativa tem uma garantia de R$ 250 mil, assim como ocorre nos bancos tradicionais. Exatamente por isso, uma cooperativa se apresenta da mesma forma que as demais instituições, já que, antigamente, o cliente de um banco tinha garantia, enquanto o cooperado não contava com essa proteção. Hoje, isso mudou.

Esse cenário positivo também abre espaço para riscos maiores. Quais o senhor destaca?
Fazemos um acompanhamento dos riscos para tentar atuar preventivamente. No cenário nacional, um dos principais é o da inadimplência, sobretudo no agro, que, até pouco tempo atrás, não sofria desse problema. Também destaco o risco cibernético, que antigamente era quase teórico e hoje é concreto. Recentemente, uma prestadora de serviços foi invadida, e valores foram retirados de contas. O resultado foi que as cooperativas foram protegidas, e os associados não tiveram prejuízo.

Sobre a inadimplência, o senhor acredita que ela deve perder força nos próximos anos?
O problema é que a taxa de juros está muito alta, persistente e sem sinalização de queda. Quando um país enfrenta risco fiscal, a taxa de juros de longo prazo demora a ceder, já que o investidor fica desconfiado. Antigamente, quando a Selic caía, a taxa de juros de longo prazo não demorava tanto para recuar também. Hoje, ela está levando mais tempo para cair. Se os candidatos não derem sinal de controle fiscal, o mercado seguirá batendo, e a taxa de juros continuará alta. Consequentemente, a inadimplência também permanecerá elevada. Por isso, as eleições são tão importantes para definir as sinalizações da política fiscal.

Os bancos tradicionais brasileiros vêm ampliando o uso de tecnologias em seus processos. As cooperativas seguem essa tendência?
Temos notado um investimento massivo em tecnologia por parte das cooperativas, inclusive em inteligência artificial e open finance. O problema é que isso também gera riscos cibernéticos. No FGCoop, temos uma série de políticas estabelecidas sobre como se constrói um agente. Precisamos utilizar esses recursos sem nos expor aos riscos.

Isso também vale para os cooperados menos acostumados ao uso dos meios digitais?
Havia um paradigma de que os associados mais velhos não usariam os meios digitais, mas isso ficou para trás. A maior parte das transações, como o pagamento de boletos, vem sendo realizada massivamente por canais digitais, em várias classes sociais. O produtor rural, que é mais conservador, já assina contratos pelo celular. Esse é um efeito da pandemia, que levou a um acesso maior aos meios digitais.

 



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