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sexta-feira, setembro 4, 2026

Taesa amplia capacidade do sistema elétrico com R$ 6,7 bilhões em projetos e aquisições

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Entre torres que atravessam milhares de quilômetros, cabos subterrâneos inéditos no país e uma conexão estratégica com a Argentina, a distribuidora de energia Taesa acelera uma transformação que vai além da expansão de sua própria rede. Em um setor pressionado pelo avanço das fontes renováveis, a transmissora combina obras de grande porte, aquisições e tecnologia para abrir novas rotas de energia e aumentar a segurança do abastecimento.

Esse movimento envolve R$ 6,7 bilhões. Desse montante, R$ 4,3 bilhões estão associados à entrega dos projetos Ananaí, Tangará, Saíra e ao reforço da subestação de Assis, no interior paulista. Outros R$ 2,4 bilhões financiaram a compra de cinco concessões, responsáveis por acrescentar R$ 305 milhões à Receita Anual Permitida, a RAP, da companhia.

Com os ativos incorporados, a Taesa alcançou 49 concessões em 19 unidades da Federação e passou a operar 16,6 mil quilômetros de linhas. Mais do que ampliar sua escala, a empresa prepara um novo patamar de receitas enquanto procura se posicionar para a próxima etapa do setor, marcada por redes mais digitalizadas, eventos climáticos extremos e pela necessidade de transportar um volume crescente de eletricidade produzida longe dos principais centros consumidores.

A infraestrutura da companhia também reúne 160 subestações, 17,9 mil MVA de potência de transformação e 18,1 mil MVAr de capacidade instalada de compensação reativa. A rede está conectada a 12 distribuidoras que atendem quase 100 milhões de consumidores.

Ao comentar os planos da companhia durante a divulgação dos resultados de 2025, o CEO da Taesa, Rinaldo Pecchio, afirmou que a expansão continuará apoiada em diferentes modalidades. “Nós somos muito otimistas com as oportunidades disponíveis de forma geral”, disse. Segundo o executivo, a empresa identifica possibilidades em novos empreendimentos, reforços, melhorias e leilões, mas manterá “disciplina na alocação de capital”.

A aquisição das cinco concessões aumentou em 33% a potência de transformação do portfólio. Aproximadamente 90% das linhas incorporadas estão localizadas em áreas onde a empresa já atua, condição que, segundo a companhia, favorece o aproveitamento de equipes, estruturas de manutenção e recursos logísticos. Os contratos adquiridos possuem prazo médio remanescente de aproximadamente 22 anos.

Entre as principais entregas está o projeto Ananaí, formado por 353 quilômetros de linhas de transmissão em circuito duplo de 525 kV entre Paraná e São Paulo. A infraestrutura amplia a integração energética entre as regiões Sul e Sudeste e reforça o atendimento à Região Metropolitana de Curitiba. Energizado cerca de oito meses antes do prazo regulatório, o empreendimento recebeu R$ 1,9 bilhão e adiciona aproximadamente R$ 173 milhões à RAP da concessão.

A implantação de Ananaí também envolveu o resgate de mais de 2,6 mil amostras de fósseis marinhos durante o processo de licenciamento ambiental. O projeto havia sido arrematado em leilão com deságio de 47,8% sobre a receita estabelecida no edital.

No Norte e no Nordeste, o projeto Tangará criou um novo corredor de transmissão entre Maranhão e Pará. Com mais de 265 quilômetros de linhas e subestações em diferentes níveis de tensão, a obra exigiu cerca de R$ 1 bilhão e foi executada em áreas sujeitas a dificuldades logísticas e interferências climáticas. A entrada em operação ocorreu aproximadamente 20 meses antes do limite regulatório e representa RAP de R$ 114 milhões.

A conclusão dos empreendimentos deve ter efeito direto sobre o desempenho financeiro da transmissora. Na teleconferência realizada em março de 2026, Pecchio destacou a mudança esperada com a entrada das estruturas em operação. “A gente tem uma fase de final de obras, que vai levar o patamar da receita da companhia para um outro nível”, afirmou.

A modernização do complexo de Garabi, incluída no projeto Saíra, atualizou a infraestrutura responsável pelo intercâmbio de energia entre Brasil e Argentina. A instalação possui capacidade total de 2,2 GW, equivalente a aproximadamente 10% da carga instantânea do país vizinho.

Com aporte de R$ 1,2 bilhão, Saíra realizou o primeiro retrofit de um sistema de transmissão em corrente contínua de alta tensão, conhecido pela sigla HVDC, no Brasil. A intervenção substituiu equipamentos obsoletos por plataformas digitais de controle e proteção sem interromper o intercâmbio de energia. A estrutura reúne 743 quilômetros de linhas de 500 kV, mais de 1,5 mil torres e três subestações.

Em Assis, a Taesa aplicou R$ 145 milhões na primeira instalação brasileira de cabos isolados subterrâneos em 525 kV. A solução foi adotada devido à limitação de espaço para novas conexões aéreas na subestação e reduziu a necessidade de supressão vegetal. O reforço, energizado em julho, também incluiu um novo banco de autotransformadores de 500 MVA e acrescentou R$ 19 milhões à RAP.

A expansão ocorre em um momento no qual o crescimento das fontes renováveis aumenta a necessidade de novas rotas para transportar eletricidade das regiões produtoras aos centros consumidores. Além da construção de linhas, o setor precisa modernizar instalações, ampliar interligações e adotar tecnologias capazes de preservar a estabilidade da rede diante de eventos climáticos extremos.

Para acompanhar seus ativos, a Taesa utiliza 17 câmeras com inteligência artificial voltadas à identificação de fumaça e focos de calor. Todas as 114 equipes responsáveis pelas linhas também foram equipadas com drones que combinam imagens de alta resolução, termovisão e mapeamento tridimensional. Segundo a companhia, os equipamentos elevaram em 50% a capacidade de inspeção e reduziram a exposição dos trabalhadores a riscos em campo.

O monitoramento inclui ainda imagens fornecidas por três satélites, que cobrem 570 mil quilômetros quadrados, área comparável à extensão territorial da Bahia. A tecnologia permite identificar crescimento da vegetação, queimadas, solo exposto, construções e cultivos nas proximidades da infraestrutura.

Sensores instalados na rede acompanham 2 mil equipamentos e coletam continuamente informações em 23 mil pontos. A empresa também mantém 15 estações meteorológicas, cujos dados alimentam modelos de previsão de eventos extremos e análises de risco.

No primeiro semestre de 2026, a Taesa registrou índice de disponibilidade de 99,94%, acima da média de 99,81% observada nos dez anos anteriores. A parcela variável, mecanismo que reduz a remuneração das transmissoras em caso de indisponibilidade dos ativos, correspondeu a 0,59% da RAP, ante a média histórica de 1,1%.

A tecnologia também começa a ser incorporada às rotinas administrativas e de engenharia. A companhia desenvolve uma equipe de 26 agentes virtuais baseados em inteligência artificial. Duas ferramentas já utilizadas em atividades corporativas somam 2 mil interações e proporcionaram economia estimada de 860 horas de trabalho. Em outra aplicação, voltada à avaliação de traçados de linhas, uma atividade que demandava 28 dias passou a ser realizada em menos de dois minutos, a partir da análise de 290 camadas de dados.

Após mais que triplicar sua receita em 15 anos, de R$ 1,2 bilhão no ciclo 2011/2012 para R$ 4,9 bilhões em 2026/2027, a Taesa pretende sustentar a expansão em três frentes. A estratégia considera participação seletiva em leilões, aquisição de concessões com potencial de integração ao portfólio e investimentos em reforços e melhorias que gerem receita adicional.

A empresa também avalia oportunidades relacionadas a sistemas de armazenamento de energia por baterias. A tecnologia é considerada uma alternativa para administrar a intermitência das fontes renováveis e aumentar a flexibilidade do sistema elétrico, que precisará escoar um volume crescente de geração nos próximos anos.

Ao tratar das perspectivas para a transmissora, Pecchio ressaltou que a demanda por infraestrutura abre espaço para novos investimentos. Em teleconferência com analistas, o executivo afirmou que essa necessidade “representa grandes oportunidades para uma empresa como a Taesa”, destacando a experiência da companhia na implantação e execução desses empreendimentos. O CEO acrescentou que a participação em futuros certames dependerá da avaliação dos riscos, das condições e dos recursos exigidos por cada projeto.






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