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quinta-feira, julho 30, 2026

Recuperação judicial no agro salta 33% no primeiro trimestre de 2026 Agrimidia

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O AGRONEGÓCIO brasileiro enfrenta um cenário de crescente estresse financeiro no início de 2026. Dados levantados pela NEOT Tecnologia e Informação revelam que os pedidos de recuperação judicial no setor deram um salto de 33% no primeiro trimestre deste ano em comparação ao mesmo período de 2025, acendendo um alerta sobre a sustentabilidade de produtores e empresas da cadeia produtiva.

 Os Números da Crise no Campo

O balanço dos primeiros três meses de 2026 desenha um quadro desafiador para o setor que é um dos motores da economia brasileira.

  • Pedidos de Recuperação Judicial: Foram registrados 517 processos entre janeiro e março de 2026, contra 389 no primeiro trimestre do ano anterior.

    Leia também no Agrimídia:

  • Total de Procedimentos: Somando-se os sete pedidos de recuperação extrajudicial (que também subiram, eram quatro em 2025), o total de tentativas de reestruturação de dívidas chegou a 524, uma alta consolidada de 33,3%.

  • Passivo Acumulado: O volume total de dívidas das empresas e produtores em crise que buscaram proteção judicial atingiu a MARCA de R$ 38 bilhões no início deste ano, pressionando o fluxo de caixa de instituições financeiras e fornecedores de insumos.

 Soja Lidera a Tempestade Perfeita

A cadeia produtiva da soja foi a mais impactada pelo ambiente adverso, concentrando 45,1% de todos os pedidos de recuperação judicial no período. O grão, principal commodity agrícola do país, foi alvo de uma combinação devastadora de fatores:

  1. Clima (El Niño): O fenômeno provocou quebras significativas de safra em diversas regiões produtoras.

  2. Mercado: Houve uma queda acentuada nas cotações internacionais da oleaginosa.

  3. Custos: O preço dos insumos (fertilizantes e defensivos) manteve-se elevado, comprimindo as margens de lucro.

 Múltiplos Fatores de Risco

Além da crise específica da soja, o levantamento da NEOT identificou uma série de outros gatilhos que levaram as empresas do agro à insolvência, muitas vezes ocorrendo simultaneamente em um mesmo negócio:

  • Inadimplência de compradores.

  • Restrição ao crédito bancário e dificuldade para alongar dívidas.

  • Exposição cambial sem proteção (hedge) diante da volatilidade do real.

  • Custos logísticos e fretes elevados.

  • Ciclo desfavorável de preços na pecuária de corte.

 Alerta no Noroeste Paulista

O aumento das recuperações judiciais sinaliza tempos difíceis que podem impactar diretamente a economia de regiões dependentes do campo, como o noroeste do estado de São Paulo. Cidades como Araçatuba, Birigui, Penápolis e Andradina abrigam polos importantes do AGRONEGÓCIO e podem sentir o reflexo da crise na redução do consumo local, afetando o comércio e os serviços. O cenário exige cautela e uma reavaliação rigorosa do risco de crédito por parte dos empresários da região.

Fonte: Folha de SP



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