O conjunto de notícias desta quinta-feira, 30 de julho, mostra um agro ainda sustentado pelo comércio exterior, mas mais exposto a riscos de custo, clima e acesso a mercados. A Secex/ComexStat informou que as exportações brasileiras somaram US$ 184,8 bilhões e 412,3 milhões de toneladas entre janeiro e julho de 2026. No mesmo clipping, surgem alta de fretes, avanço de recuperações judiciais, risco climático em arroz e milho e preocupação da tilápia com eventual nova taxação nos Estados Unidos.
A proteína animal segue como eixo relevante dessa leitura. As exportações brasileiras de carne de frango atingiram recorde no primeiro semestre de 2026, segundo levantamento da DATAGRO divulgado pela ASGAV. As vendas ao mercado árabe somaram US$ 1,57 bilhão em 2026, apesar de retração comparativa, e a ABPA com a ApexBrasil iniciaram ação comercial na WOFEX 2026, nas Filipinas. O movimento sugere continuidade da busca por destinos capazes de absorver volumes relevantes, especialmente em um ambiente no qual barreiras tarifárias e competição regional podem mudar a rentabilidade por mercado.
Na aquicultura, a agenda aponta para dois vetores distintos. A PEIXE BR informou que representantes da cadeia da tilápia discutiram, na Aquishow 2026, alternativas diante do risco de nova taxação dos Estados Unidos, principal destino das exportações brasileiras do produto. Em paralelo, a Embrapa promoveu workshop internacional sobre piscicultura com espécies nativas amazônicas, reforçando a frente de diversificação tecnológica e genética.
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O pano de fundo financeiro está menos confortável. Os pedidos de recuperação judicial no agro chegaram a 517 no primeiro trimestre de 2026, alta de 33% na comparação anual, segundo Folha Mercado/Neot. A alta dos fretes rodoviários em junho, apurada pela Conab, adiciona custo em cadeias dependentes de longas distâncias. A limitação estrutural de armazenagem também pressiona o sojicultor, com perdas pós-colheita e aumento de custos logísticos, segundo Canal Rural.
A dimensão climática completa o quadro. O governo anunciou compra de 310 mil toneladas de arroz e 180 mil toneladas de milho, com reforço de R$ 1,3 bilhão para estoques, monitoramento e prevenção de perdas associadas ao El Niño. Segundo a Folha Mercado, o governo vê risco de quebra nas safras de arroz e milho e prevê acionar térmicas diante da seca. Para o setor, a tendência é de gestão mais seletiva entre mercados, custos logísticos, exposição cambial e resiliência produtiva.
Da Redação




