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quinta-feira, julho 30, 2026

Pamplona investe em tecnologia para virar potência suína

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De empresa familiar e regional a exportadora com governança e relevantes investimentos em inovação: eis o ponto de partida e a linha de chegada da Pamplona Alimentos.

Nos próximos três anos, a empresa planeja investir R$ 64 milhões em tecnologia e inovação, com apoio da Finep. A maior parte dos recursos (R$ 53 milhões) será destinada à modernização de uma granja em Pouso Redondo (SC), que será um centro de excelência em criação de suínos.

Uma vez pronto, o lugar vai incorporar práticas de referência em bem-estar animal e produtividade visando uma melhor conversão alimentar. Por exemplo: ambiente climatizado, identificação por chip, baias que dão mais mobilidade às fêmeas, alimentação de precisão e avaliações estatísticas.

Por trás dessas novidades está um novo modelo de negócios. A empresa quer migrar da aquisição de animais prontos para o abate para um sistema integrado, que reúne todas as etapas da produção — do leitão recém-nascido ao pronto, passando pela cria e pela engorda.

Genética

Para isso, a empresa decidiu investir em genética. Dos recursos captados junto à Finep, a Pamplona vai usar R$ 11,2 milhões para erguer uma unidade de sêmen suíno e difusão genética em Rio do Sul (SC). O objetivo é criar linhagens maternas.

Os reprodutores serão mantidos em ambientes com temperatura, umidade e qualidade do ar controladas, e a planta terá um sistema automatizado de rastreabilidade. A ideia é identificar traços no DNA para posterior cruzamento via inseminação artificial. “Por exemplo, um melhor equilíbrio entre gordura e carne no bacon”, diz o diretor-presidente, Ronaldo Kobarg Müller.

A genética suína é um segmento liderado por fornecedores como a americana PIC, que no Brasil é Agroceres PIC, a dinamarquesa DanBred e a norueguesa-holandesa Topigs Norsvin. A maioria dos produtores compra deles, já que manter programas próprios demanda especialização, tempo e uma população grande de animais.

Na prática, as bisavós — que depois geram sucessoras nas granjas — costumavam ser adquiridas como jovens leitoas. Já os bisavôs eram majoritariamente adquiridos na forma de sêmen congelado, embora haja também a compra de leitõezinhos. Agora, a ideia é aos poucos passar a usar genética própria.

“Eles estão super certos”, comenta um veterano do mercado. A iniciativa, ele diz, vai gerar uma granja moderna e sofisticada, “com toda a condição para extrair o máximo potencial dos animais”.

Transição

Müller chegou ao comando da Pamplona Alimentos em abril deste ano, assumindo a posição ocupada nos últimos 17 anos por Irani Pamplona Peters, uma entre os cinco filhos do casal que fundou a companhia em 1948.

Ronaldo Kobarg Müller, diretor-presidente da Pamplona
Ronaldo Kobarg Müller assumiu a posição de diretor-presidente da Pamplona em abril deste ano | Crédito: Divulgação

Ex-presidente da Associação Catarinense de Avicultura, Müller chegou à empresa há três anos e passou esse período se preparando para assumir o negócio. Junto vieram mais executivos de mercado. Mesmo não sendo de capital aberto, a empresa fez um roadshow para aprovar a sucessão, incluindo bancos com quem tem relação.

A estrutura de capital segue familiar, com as quotas divididas igualmente (20%) entre os cinco filhos dos fundadores. Ao final do processo, a empresa terá agregado governança e profissionalismo ao ponto de ser “uma SA de capital fechado”, diz o executivo.

Valor agregado

Além da chegada de Müller, outras duas mudanças marcaram a trajetória da Pamplona nos últimos anos. A empresa ampliou a produção para atender à demanda crescente no exterior, em regiões como o Oriente Médio e a Ásia, como China e Filipinas.

Já no mercado interno, o foco se voltou aos industrializados. Segundo o diretor-presidente, a estratégia é vender menos commodities e mais itens de valor agregado. São 14 linhas de produtos no portfólio, incluindo cortes temperados — categoria na qual a empresa diz ser líder nacional — e in natura, linguiças, presuntos e salames, entre outros.

Nesse processo, o índice de industrialização nos produtos subiu de 36% para quase 80%. “No Brasil, a Pamplona processa quase 100% do que vende e do que gera de matéria-prima”, diz Müller. E a empresa quer mais.

Os principais clientes no País são supermercados, hipermercados e redes atacadistas, além de food service — bares, restaurantes, hotéis — e indústria. “Queremos ser a ‘one stop shop’ do suíno. Estamos focando o e-commerce, também.”

No ano passado, o faturamento da companhia somou R$ 2,53 bilhões, um crescimento de 5% na comparação anual. Com presença em 24 estados e exportação a mais de 20 países, a receita é praticamente dividida pela metade entre os mercados doméstico e externo.

Segundo Müller, equilibrar as duas bandejas é estratégico. “A gente não abandona o Brasil. O mercado externo é importante, mas quando temos tomadas de decisão, ouvimos muito o mercado interno, pois é onde temos MARCA, solidez e respeito.”



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