A TAG Investimentos reforçou sua estratégia de priorizar títulos públicos atrelados ao IPCA nas carteiras recomendadas ao defender que a preservação do patrimônio de longo prazo depende da proteção contra a inflação, e não apenas da remuneração oferecida por ativos pós-fixados, como o CDI. Na carta mensal de julho, a gestora baseia sua análise em dois estudos acadêmicos recentes para sustentar que a expansão monetária decorrente de desequilíbrios fiscais costuma se refletir na inflação com defasagem de aproximadamente 15 meses no Brasil, tornando os títulos indexados aos preços mais adequados para objetivos como aposentadoria e educação.
Segundo a gestora, o primeiro estudo, elaborado por João Paulo Mayall e Gerson de Souza Júnior, conclui que não existe relação imediata entre expansão monetária e inflação, mas identifica forte correlação quando são consideradas defasagens temporais. No caso brasileiro, o trabalho aponta que o agregado monetário composto por M1 e poupança apresenta correlação de 0,44 com o IPCA cerca de 15 meses depois. A TAG argumenta que esse intervalo ajuda a explicar por que os efeitos da criação de moeda costumam aparecer apenas posteriormente nos índices de preços.
A carta também destaca que, desde 2002, o agregado monetário M2 cresceu, em média, 14,09% ao ano no Brasil, enquanto o IPCA avançou 6,42% ao ano no mesmo período. Na avaliação da gestora, esse comportamento reforça a influência da política monetária e da expansão da liquidez sobre a inflação ao longo do tempo, ainda que outros fatores também afetem a dinâmica dos preços.
O segundo estudo citado, assinado por Eduardo Marinho, Ruy Ribeiro e Artur Wichmann, questiona a percepção de que o CDI representa, por definição, o ativo livre de risco para o investidor brasileiro. Os autores defendem que essa classificação depende dos objetivos financeiros de cada investidor. Para quem busca preservar poder de compra no futuro, afirmam que títulos indexados à inflação oferecem maior aderência às necessidades de longo prazo do que aplicações pós-fixadas sujeitas ao risco de reinvestimento.
Como evidência, a TAG menciona que, entre 2010 e 2026, o índice IMA-B 5 apresentou retorno real médio anual de 5,02%, acima dos 3,59% registrados pelo CDI em janelas anuais analisadas pelos pesquisadores. A gestora ressalta ainda um exercício apresentado no estudo segundo o qual um investimento em NTN-B com vencimento compatível com a necessidade futura consegue preservar integralmente o objetivo financeiro em diferentes cenários simulados, enquanto aplicações em CDI poderiam gerar diferenças superiores a R$ 250 mil em um horizonte de cinco anos.
A análise também relaciona o cenário fiscal brasileiro às perspectivas para inflação. Segundo a TAG, déficits públicos elevados tendem a aumentar a necessidade de financiamento do Estado, criando condições para maior expansão monetária no futuro. A gestora associa esse processo ao conceito de dominância fiscal, segundo o qual a política monetária acaba condicionada pela trajetória das contas públicas, elevando o risco inflacionário nos anos seguintes.
Com base nesse diagnóstico, a casa informa que mantém posição acima da média em NTN-Bs, especialmente nos vencimentos mais curtos. A justificativa é a combinação entre juros reais elevados, inflação implícita próxima de 6%, expectativas inflacionárias desancoradas e um ambiente de incertezas fiscais e eleitorais. Na avaliação da gestora, esse conjunto de fatores cria uma relação favorável entre risco e retorno para títulos indexados ao IPCA.
Além das recomendações para renda fixa, a TAG avalia que o ambiente macroeconômico permanece desafiador para os ativos domésticos. A gestora projeta fortalecimento do dólar frente ao real, manutenção de juros elevados no Brasil e maior volatilidade nos mercados em razão das incertezas sobre a política monetária internacional, do cenário fiscal brasileiro e da proximidade do ciclo eleitoral. Ainda assim, ressalta que investidores devem construir estratégias baseadas em probabilidades e diversificação, em vez de apostar em um único cenário econômico ou político.




