O grupo ArcelorMittal aprovou um novo investimento de entre R$ 4 bilhões e R$ 5 bilhões em sua unidade de Tubarão, no Espírito Santo – um anúncio que surpreendeu o mercado devido ao momento desafiador da indústria siderúrgica nacional.
A companhia vai instalar em sua usina capixaba um laminador de tiras a frio e uma linha de revestimento contínuo com capacidade anual de 560 mil toneladas em produtos, que serão processados a partir das bobinas a quente já produzidas por ali.
“Por meio deste investimento, fortaleceremos nossa presença em mercados de alto valor agregado, como os setores automotivo, da linha branca e da construção civil,” disse Jorge Oliveira, o presidente da ArcelorMittal Brasil.
O movimento da multinacional, que é líder de mercado no País, vem após empresas do setor terem cortado empregos e investimentos em 2025 diante de uma conjuntura de importações massivas de aço chinês que pressionou a indústria local nos últimos anos.
Atendendo pedidos de grupos nacionais, o Governo aprovou este ano aumentos na alíquota de importação de alguns produtos siderúrgicos e medidas antidumping.
Embora as importações tenham começado a recuar, caindo quase 18% na comparação anual no acumulado do primeiro semestre, o Índice de Confiança da Indústria do setor fechou agosto em 43 pontos (numa escala que vai até 100) – o menor nível desde dezembro passado, segundo o Instituto Aço Brasil.
A ArcelorMittal disse que sua decisão de investimento “está atrelada à diversificação de portfólio, com foco em downstream, e ao potencial de crescimento do mercado brasileiro.”
A companhia disse que o consumo per capita de aço no País ainda é baixo, girando em torno de 122,5 kg por ano, 41% menor que a média global de 209 kg.
As obras na unidade de Tubarão devem começar ainda em 2026, com o início das novas operações previsto para o primeiro semestre de 2030.
No BTG, o time de analistas liderado por Leonardo Correa disse que a ArcelorMittal está mirando justamente segmentos em que a Usiminas é mais competitiva, como o automotivo e a linha branca, com potenciais impactos negativos para a empresa controlada pela Ternium no longo prazo.
Eles também pontuaram que, apesar de as medidas recentes de Brasília terem ajudado no cenário para o setor, os retornos do projeto dependerão da sustentabilidade da melhoria vista recentemente no balanço de importações.
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