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segunda-feira, agosto 24, 2026

Squadra compra MELI e Nubank – e um ‘short’ vira ‘buy’

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Nubank e Mercado Livre foram os maiores investimentos recentes da Squadra, a gestora disse numa carta aos cotistas publicada no fim de semana, citando “vantagens competitivas excepcionais e equipes de gestão habilidosas” nas duas empresas.

Ambas as posições agora estão entre as principais dos fundos, ao lado de Equatorial e Energisa. A gestora de Guilherme Aché administra R$ 16 bilhões de clientes.

O caso do Nubank é ainda mais significativo: é a primeira vez que uma posição short da Squadra se transforma em um buy.

A carta vem num momento em que os dois papeis sofreram, entre outras razões, por conta da discussão do mercado sobre o impacto da inteligência artificial, incluindo “correlações de curto prazo das ações do MELI e Nubank com índices e baskets carimbados como ‘perdedores ou potenciais perdedores de AI’,” disse a gestora.

A Squadra diz que boa parte de seu esforço de análise tem sido identificar as consequências diretas e os novos riscos trazidos pela AI para cada posição da carteira.

“Ao mesmo tempo que o potencial de AI é gigantesco, a implementação se revela complexa para vários casos de uso e perfis de empresas. Sendo assim, a qualidade de execução tende a ser um fator fundamental para separar ganhadores de perdedores. Para o gestor de investimentos, trata-se de um período estimulante, que gera a obsessão por acompanhar de perto e formar opiniões, com alguma dose de humildade intelectual, para suportar suas tomadas de decisão.”

A Squadra disse que, diante de uma incerteza dessa magnitude, é natural que os investidores encurtem seus horizontes, o que pode se traduzir em um de-rating dos  múltiplos de determinadas ações.

Por outro lado, diz a carta, alguns efeitos já se manifestam tangíveis ou iminentes para certas companhias. Para o Mercado Livre e o Nubank, por exemplo, “constatam-se e vislumbram-se, evoluções predominantemente benéficas, sobretudo na aceleração de receitas.”

Para a gestora, “essa vantagem não é acidental,” porque ambas as companhias construíram, ao longo de anos, “arquiteturas tecnológicas modernas, culturas  nativamente orientadas a dados, data lakes preparados para modelagem preditiva e equipes com nível de expertise superior – atributos raros no contexto competitivo latino-americano.”

O Nubank, por exemplo, já relata ganhos no negócio, com a sofisticação de seus modelos de crédito se traduzindo em uma carteira maior. “O underwriting de crédito da companhia tem se mostrado  superior ao de concorrentes e uma fonte de diferencial competitivo. Até os últimos dados disponíveis, novamente o Nu tem apresentado performance melhor que a média de mercado no movimento de alta da  inadimplência atualmente em curso.”

A carta também fala do sucesso do Nubank no México, onde “depois de alguns percalços e adaptações nos primeiros anos, a companhia tem se mostrado bem-sucedida em construir uma franquia de depósitos de varejo, ao atacar profit pools que deixam os competidores incumbentes em uma clássica situação de ‘innovator’s dilemma’”.

Sobre a incursão do Nubank nos EUA, a gestora nota o  “amplo ceticismo quanto ao movimento (de fato, ambicioso) e, até mesmo, uma percepção de assimetria negativa sobre essa iniciativa.”

A Squadra discorda.

“Nossa visão caminha no sentido contrário. O Nubank entra no mercado americano provavelmente com o posicionamento que conhece profundamente – credit-first, tendo o cartão de crédito como porta de  entrada, digital e voltado ao público massificado –, uma interseção pouco disputada em um varejo bancário que hoje se encontra bastante rentável. Enquanto os grandes incumbentes preferem se concentrar nos clientes prime, as fintechs mostraram pouco apetite (ou aptidão) para operar cartão de crédito.”

Sobre o MELI, a Squadra lembra que a empresa reduziu o tíquete mínimo elegível ao frete grátis de R$ 79 para R$ 19 em meados do ano passado, uma medida que nos cálculos da gestora levou o EBIT do e-commerce Brasil para o campo negativo. “Em paralelo, a companhia ampliou investimentos em diversas outras iniciativas, penalizando acentuadamente o resultado operacional de curto prazo.”

Na visão da Squadra, esse movimento se assemelha ao realizado em 2017, quando a Amazon ampliava sua operação na América Latina e o MELI implementou o frete grátis para compras a partir de R$ 120 no Brasil e adotou iniciativas semelhantes no México e Argentina.

O que veio depois foi uma mudança no patamar do negócio.

“Ao longo do tempo, os lucros do MELI, inicialmente zerados, foram reaparecendo, enquanto as vendas em sua plataforma (GMV) seguiram sendo empilhadas a taxas nos mesmos níveis de companhias startups”.

A Squadra disse ainda que também está estudando empresas cuja posição competitiva, retorno sobre o capital e perspectivas de crescimento acabam sendo diminuídos pela ascensão contínua dessas  companhias.

Dessa análise, diz a gestora, têm surgido oportunidades para o portfólio short. “Alguns desses investimentos envolvem setores e empresas que hoje desfrutam de benefícios conjunturais que, em nossa avaliação, não alteram a pressão estrutural sobre seus negócios. Nesses casos, é possível, inclusive, que o aumento de profit pools setoriais estimule a aceleração  do avanço das plataformas nessas verticais.”




Ana Paula Ragazzi






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