O número de brasileiros com operações de crédito ativas aumentou de 96,8 milhões, em 2021, para 122,8 milhões em 2025. A variação corresponde a uma alta de 26,9% no período. Ao mesmo tempo, a quantidade de relacionamentos entre consumidores e instituições credoras avançou 52,5%, de 260,1 milhões para 396,7 milhões.
Os dados fazem parte do estudo “O começo de uma década: a evolução do mercado financeiro até a metade dos novos anos 20”, ao qual o BRAZIL ECONOMY teve acesso com exclusividade. O levantamento será apresentado nesta segunda-feira durante a Febraban Tech, evento do setor financeiro realizado na capital paulista até quarta-feira.
Produzido pela Equifax Boa Vista em parceria com a Acordo Certo e a CDL Porto Alegre, o material acompanha a evolução do crédito, da inadimplência, do endividamento e do comprometimento de renda entre 2021 e 2025. A análise também reúne a percepção dos consumidores sobre as mudanças em sua situação financeira ao longo desses cinco anos.
“A primeira metade desta década transformou a relação dos brasileiros com o mercado financeiro. A digitalização acelerou novos modelos de negócio, ampliou a competitividade e o acesso ao crédito. Além disso, as tecnologias que já vinham sendo desenvolvidas há anos, como inteligência artificial e machine learning, passaram a ocupar um espaço cada vez maior nas decisões financeiras”, afirmou Henrique Moraes, CEO da Equifax Boa Vista.
A ampliação do acesso aos recursos financeiros também foi percebida pela população. Entre os entrevistados, 49,1% consideram que ficou mais fácil obter aprovação de crédito nos últimos cinco anos. Em contrapartida, 72,3% avaliam que o endividamento também se tornou mais fácil.
“O aumento do acesso ao crédito representa uma evolução importante do mercado brasileiro, porque amplia as possibilidades de consumo, investimento e realização de projetos pessoais. Ao mesmo tempo, os dados mostram que essa expansão precisa ser acompanhada por uma leitura cada vez mais precisa da capacidade de pagamento e do momento financeiro de cada consumidor”, disse o executivo.
A maior oferta, no entanto, veio acompanhada de uma deterioração nos indicadores de pagamento. A proporção de pessoas inadimplentes subiu de 19,9%, em 2021, para 26,3% em 2025, crescimento de 32,3%. No mesmo intervalo, o saldo em atraso saltou de R$ 54 bilhões para R$ 177,6 bilhões.
A taxa de inadimplência sobre a carteira ativa praticamente dobrou, passando de 1,98% para 3,97%. Apesar da piora, 73,7% dos mais de 122 milhões de brasileiros com crédito permaneciam adimplentes no encerramento de 2025.
O avanço também aparece nos registros de restrição. Entre 2021 e 2025, o total de consumidores negativados cresceu 39,8%, enquanto a quantidade de anotações aumentou 73,1%.
Renda pressionada
A parcela da renda comprometida com contratos de crédito passou de 70,3%, em 2021, para 81,1% em 2025, alta de 15,4%. O indicador atingiu o pico de 86,1% em 2024, antes de recuar no ano seguinte.
Já o endividamento total diminuiu até 2023, mas voltou a subir nos dois anos posteriores. Em 2025, o índice encerrou em 36,02%, ainda abaixo do nível observado no começo da década.
A pesquisa mostra uma percepção dividida sobre a situação financeira das famílias. Para 48,8% dos participantes, houve melhora desde 2021, enquanto 29,6% identificaram uma piora. Entre aqueles que relataram uma evolução positiva, 32,3% mencionaram o aumento do poder de compra, 30% apontaram a ausência de dívidas acumuladas e 17,5% destacaram a possibilidade de poupar.
“Os dados do estudo mostram os avanços dos últimos cinco anos, mas também os desafios que surgiram com eles. Para a próxima metade da década continuaremos evoluindo com inovação, dados e tecnologia. A ideia é colaborar com as empresas para que elas tenham estratégias de crédito mais precisas, justas e sustentáveis, com impacto positivo nas pessoas e na economia do Brasil”, completou Moraes.




