
A Pier iniciou uma nova etapa de expansão com a expectativa de elevar sua receita em 50% ao longo de 2026. A estratégia da seguradora digital combina o uso de inteligência artificial desenvolvida internamente, análise intensiva de dados e um modelo operacional voltado à automação para ganhar escala nos mercados de seguros para celulares e automóveis.
A empresa encerrou 2025 com faturamento superior a R$ 250 milhões e uma base próxima de 200 mil membros. Segundo a CEO da companhia, Camila Kataguiri, o desempenho recente foi resultado de investimentos contínuos em tecnologia, aprimoramento da experiência do cliente e ampliação dos canais de comercialização.
“Os resultados de 2025 refletem uma estratégia consistente, baseada na evolução dos nossos agentes proprietários e no uso intensivo de dados ao longo de toda a operação. Ao mesmo tempo, avançamos na experiência do cliente, com jornadas mais rápidas e eficientes, e ampliamos nossos canais de distribuição. Esses pilares sustentam nosso crescimento, com foco em rentabilidade, escala e disciplina técnica”, afirma a executiva.
Fundada com proposta totalmente digital, a Pier opera processos que vão desde a contratação até a indenização sem necessidade de atendimento presencial. No segmento de celulares, a cobertura contempla roubo, furto, inclusive na modalidade de furto simples, além de proteção internacional. A indenização é calculada com base na tabela PIPE, desenvolvida pela própria empresa para refletir o valor de mercado de aparelhos usados.
No ramo automotivo, os produtos incluem proteção contra colisões, roubo, furto e danos a terceiros, além de assistência 24 horas e contratação flexível. Os clientes podem optar por planos anuais ou mensais em formato de assinatura, modelo que a companhia utiliza para oferecer maior liberdade de contratação.
O avanço tecnológico é apontado como um dos principais diferenciais da operação. Entre as ferramentas desenvolvidas internamente está o Pier Bolt, sistema capaz de concluir o pagamento de até 40% dos sinistros de celulares em poucos segundos. Outra solução é o Pier Scan, plataforma de vistoria digital para automóveis que realiza análises em cerca de um minuto e já responde por aproximadamente 30% das inspeções realizadas pela empresa.
“Somos uma seguradora que nasceu digital, criamos todos os nossos sistemas proprietários e desde o início nos voltamos para gestão de dados de forma estruturada, o que nos permite inovar com mais velocidade, personalizar ofertas e tomar decisões profundamente orientadas por dados”, afirma Kataguiri.
A utilização de inteligência artificial também tem impacto direto na precificação, subscrição de riscos e prevenção a fraudes. De acordo com a companhia, o monitoramento contínuo da carteira por agentes de IA permite uma avaliação mais individualizada dos segurados, contribuindo para maior eficiência na gestão dos riscos e para a oferta de preços competitivos.
Na operação, a automação de processos e o uso de agentes orquestradores ajudam a reduzir custos, acelerar atendimentos e ampliar a produtividade. Esse modelo tem permitido à seguradora crescer mantendo indicadores técnicos alinhados aos observados nas empresas tradicionais do setor.
A trajetória da Pier também conta com o apoio de investidores relevantes. A empresa já captou mais de US$ 50 milhões em rodadas que reuniram nomes como IFC, Monashees, Raíz, Mercado Livre e BTG Pactual. Paralelamente, a seguradora vem fortalecendo sua rede de distribuição por meio do canal de corretores, que reúne mais de 5 mil profissionais cadastrados.
Para os próximos anos, a companhia pretende ampliar sua base de clientes e aprofundar a aplicação de inteligência artificial em suas operações, buscando elevar a eficiência e sustentar o crescimento. Para a CEO, a expansão do mercado passa também por um trabalho de conscientização dos consumidores.
“Nosso crescimento passa por aumentar a confiança do consumidor, e isso só acontece com mais transparência e educação sobre seguros. Ao simplificar a experiência e deixar claro como funciona o produto, conseguimos ampliar o acesso, fortalecer o canal corretor e escalar o negócio de forma mais sustentável”, completou.




