O Grupo Patrimar encerrou 2025 navegando em um ambiente macroeconômico mais desafiador para o setor imobiliário brasileiro, marcado por crédito mais caro, maior seletividade bancária e desaceleração nas vendas de unidades de maior valor. Ainda assim, a companhia conseguiu preservar estabilidade operacional e manter um pipeline robusto de novos projetos.
A incorporadora, comandada pelo CEO Alex Veiga, registrou receita líquida de R$ 367 milhões no quarto trimestre de 2025, crescimento de 6% em relação ao mesmo período do ano anterior. No acumulado do ano, a receita permaneceu praticamente estável em R$ 1,463 bilhão, refletindo o impacto do cenário econômico sobre o ritmo de vendas e o reconhecimento de receitas.
O desempenho do período também foi influenciado por decisões estratégicas da companhia, como o adiamento do início de determinadas obras para 2026, evitando o período de chuvas, além do menor volume de vendas de unidades com estágio avançado de construção — fator relevante para o reconhecimento contábil da receita no setor.
Assim como ocorreu com grande parte do mercado imobiliário brasileiro em 2025, a Patrimar enfrentou um ambiente de financiamento mais restritivo para compradores. A combinação de taxas de juros elevadas e maior rigor na concessão de crédito reduziu a velocidade das vendas e elevou o volume de distratos ao longo do ano.
Esse movimento afetou especialmente o segmento de alta renda, principal atuação da MARCA Patrimar. As vendas líquidas totais da companhia somaram R$ 1,106 bilhão em 2025, queda em relação aos R$ 1,460 bilhão registrados em 2024.
A desaceleração foi mais intensa no segmento premium, enquanto o mercado econômico mostrou maior resiliência, sustentado pela demanda estrutural por habitação e pelo apoio de programas habitacionais.
Mesmo diante do ambiente mais desafiador, a companhia registrou evolução na rentabilidade operacional. A margem bruta ajustada alcançou 26,9% em 2025, avanço de 3,9 pontos percentuais em relação ao ano anterior, impulsionada por ganhos de eficiência e pela recomposição gradual de preços em alguns empreendimentos.
Ainda assim, o lucro líquido do período foi pressionado pelo aumento de distratos, maior custo financeiro e menor ritmo de reconhecimento de receita. O resultado consolidado do ano ficou em R$ 33 milhões, ligeiramente abaixo dos R$ 35 milhões registrados em 2024.
No quarto trimestre, a companhia registrou prejuízo líquido de R$ 14 milhões, refletindo efeitos pontuais relacionados ao cronograma de obras e à dinâmica comercial do período.
Recorde de lançamentos prepara novo ciclo
Se as vendas desaceleraram em 2025, os lançamentos seguiram em direção oposta. A Patrimar registrou VGV recorde de R$ 2,47 bilhões em projetos lançados ao longo do ano, crescimento de 25% na comparação anual.
O quarto trimestre concentrou parte relevante desse volume. Entre os destaques está o empreendimento Madison Square, em Nova Lima (MG), que alcançou aproximadamente 70% das unidades vendidas nos primeiros três meses após o lançamento, sinalizando resiliência da demanda em localizações premium.
Além disso, a companhia vem ampliando a participação da MARCA Novolar, focada nos segmentos econômico e de média renda. Em 2025, os lançamentos dessa divisão cresceram 95% e passaram a representar 38% do volume total de novos projetos, reforçando a estratégia de diversificação de portfólio.
Minha Casa Minha Vida ganha peso estratégico
Dentro dessa estratégia, a Patrimar prepara uma expansão mais agressiva no programa Minha Casa Minha Vida, especialmente na cidade de São Paulo.
A companhia possui pipeline estimado em R$ 1,3 bilhão em projetos nesse segmento, que tende a ganhar relevância no mix de lançamentos nos próximos anos.
O movimento segue uma tendência observada em várias incorporadoras brasileiras: a migração parcial para o segmento econômico, que apresenta ciclos de caixa mais curtos e maior previsibilidade de financiamento.
No campo financeiro, o quarto trimestre trouxe sinais positivos. A empresa registrou geração de caixa de R$ 117 milhões no período, impulsionada pela venda de participações em empreendimentos e pela antecipação de recebíveis.
O caixa total encerrou o ano em R$ 453 milhões, ligeiramente acima do registrado em 2024.
Com a conclusão gradual dos empreendimentos iniciados no ciclo de expansão entre 2021 e 2024, a companhia projeta uma melhora relevante em sua estrutura de capital. O plano estratégico denominado Plano27 prevê zerar a dívida líquida corporativa até o final de 2027.
Banco de terrenos sustenta crescimento
A base para esse crescimento continua sendo o banco de terrenos da companhia. Ao final de 2025, o landbank total da Patrimar somava cerca de R$ 15,1 bilhões em VGV potencial, distribuído principalmente entre Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo.
Esse estoque de terrenos garante visibilidade de lançamentos para os próximos anos e permite à companhia ajustar sua estratégia conforme o comportamento do mercado imobiliário e das condições de crédito.
Para 2026, a Patrimar aposta em três fatores para impulsionar os resultados: retomada gradual das vendas, expansão do segmento econômico e conclusão de grandes obras iniciadas nos últimos anos.
Entre 2026 e 2027, a empresa prevê a entrega de 21 empreendimentos com VGV estimado em R$ 3,5 bilhões, o que deve gerar fluxo relevante de caixa e contribuir para a redução da alavancagem.
A administração também aponta que uma eventual trajetória de queda da taxa de juros, combinada com menor estoque de imóveis novos no mercado, pode criar condições mais favoráveis para o setor imobiliário nos próximos trimestres.
Nesse contexto, a Patrimar entra em 2026 com um portfólio diversificado entre diferentes faixas de renda, presença em três dos principais mercados imobiliários do país e um pipeline de lançamentos capaz de sustentar um novo ciclo de crescimento.




