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segunda-feira, agosto 24, 2026

O seminovo como protagonista de um mercado mais maduro e cauteloso

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O mercado automotivo brasileiro acaba de atingir um marco histórico. Segundo dados da Fenauto, 2025 registrou 18,5 milhões de veículos usados vendidos, o maior volume da série histórica, com crescimento de 17,3% em relação ao ano anterior. Mais do que um número impressionante, esse dado revela uma mudança estrutural no comportamento do consumidor e na dinâmica de crédito no país.

A pergunta que surge é quase inevitável: o seminovo virou o novo 0 km?

Nos últimos anos, a escalada de preços dos veículos novos, pressionada por custos industriais, câmbio, tecnologia embarcada e exigências regulatórias, afastou uma parcela relevante dos consumidores do carro zero. Em paralelo, o mercado de usados amadureceu. Hoje, o consumidor encontra seminovos com melhor procedência, histórico mais transparente, maior oferta e uma percepção clara de custo-benefício. Não se trata apenas de preço, mas de racionalidade econômica.

Esse movimento não é exclusividade do Brasil, mas, aqui, ele ganha contornos próprios. Em um país onde o automóvel ainda é um bem essencial para mobilidade e trabalho, o seminovo passou a ocupar um espaço definitivo na decisão de compra. Ele deixou de ser uma alternativa “de entrada” para se tornar a escolha principal de milhões de brasileiros.

Nesse contexto, o crédito exerce um papel central, especialmente o crédito na ponta. Historicamente, uma parcela significativa da população ficou à margem do financiamento automotivo, não por falta de capacidade de pagamento, mas por modelos de análise excessivamente padronizados, que não capturam a complexidade da renda e do comportamento financeiro do brasileiro.

É aqui que os modelos proprietários de análise de risco fazem a diferença. Ao incorporar mais variáveis, dados alternativos e inteligência analítica, essas soluções permitem uma leitura mais precisa do perfil do cliente. O resultado é um mercado mais inclusivo, em que consumidores antes excluídos pelos bancos tradicionais passam a ter acesso ao financiamento de forma responsável e sustentável, especialmente no segmento de usados, onde a elasticidade de preço é maior.

Na Omni, olhamos para 2026 calibrando expectativas. A estabilização das condições de crédito é um sinal positivo, mas está longe de garantir um cenário confortável. Não será um passeio. O consumidor segue pressionado por fatores macroeconômicos, o custo do dinheiro ainda exige disciplina, e o mercado precisará conviver com margens mais ajustadas e maior seletividade na concessão.

O crescimento do setor depende menos de euforia e mais de execução. Crédito bem estruturado, gestão de risco rigorosa, produtos adequados ao perfil real do consumidor e um entendimento profundo da jornada de compra serão determinantes. O mercado de usados continua forte, mas premiará quem souber equilibrar expansão com responsabilidade.

O recorde de vendas mostra que o seminovo não é uma tendência passageira: ele é o reflexo de um mercado mais maduro. O próximo passo não é acelerar sem olhar o caminho, mas avançar com consciência, eficiência e foco na sustentabilidade do crédito. É isso que vai separar crescimento consistente de crescimento ilusório nos próximos anos.

*Heverton Peixoto é CEO da Omni&Co




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