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sexta-feira, julho 24, 2026

No Mês da Mulher, o que realmente está ao alcance das mãos de quem lidera?

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Março chega e as empresas se enchem de flores, campanhas internas e posts inspiradores. Mas, passada a espuma das homenagens, fica a pergunta que realmente importa: o que, de fato, está sendo feito para garantir ambientes de respeito e segurança psicológica todos os dias do ano? Ainda mais com a fiscalização sobre a NR-1 prevista para maio.

Essa é uma conversa especialmente necessária com homens em posição de liderança. Não se trata de apontar dedos, mas de apontar caminhos. Porque poder, quando bem utilizado, é ferramenta de transformação.

A gestão de riscos psicossociais deixou de ser uma pauta comportamental para se tornar uma pauta estratégica. Nossa pesquisa “Ambientes Seguros e Saudáveis” mostra que a maturidade das empresas brasileiras na gestão desses riscos, inclusive na prevenção ao assédio, ainda está concentrada em níveis intermediários. Apenas 4% enxergam nível máximo de maturidade em suas organizações em relação aos programas existentes. Quando sabemos que as mulheres são as maiores vítimas de assédio, isso não é um detalhe estatístico. É um termômetro cultural. Elas vivem os programas. Elas sentem na pele quando a política é robusta no papel, mas frágil na prática.

Se queremos ambientes seguros, precisamos ouvir quem historicamente teve que desenvolver um radar de sobrevivência para circular neles.

Homens líderes têm hoje algo poderoso ao alcance das mãos.

  • Revisar políticas e garantir que não sejam apenas documentos protocolados, mas instrumentos vivos.
  • Vincular metas de liderança a indicadores de clima, segurança psicológica e prevenção ao assédio.
  • Investir em formação contínua, inclusive para si mesmos.
  • Proteger quem denuncia e responsabilizar quem viola regras.
  • Modelar comportamentos. Porque cultura não é o que está no mural. É o que a liderança tolera.

Segurança psicológica não nasce do discurso. Nasce da coerência.

Mas este artigo não é apenas um chamado aos homens. É também um convite às mulheres.

Nas organizações, ainda vemos mulheres em cargos gerenciais enfrentando desafios invisíveis, como síndrome da impostora, autossabotagem, dificuldade de posicionamento estratégico e baixa visibilidade do próprio trabalho. Criamos ambientes que cobram performance, mas nem sempre fortalecem o protagonismo. Para isso, é necessário que exista segurança para que elas possam viver plenamente o seu potencial.

Quando mulheres reconhecem sua potência e assumem visibilidade intencional, não estão sendo vaidosas. Estão sendo estratégicas. Estão ocupando espaços que historicamente lhes foram negados. Estão rompendo o ciclo do “trabalhe duro e espere ser reconhecida”.

Ambientes seguros são aqueles onde mulheres podem brilhar sem medo. Onde o brilho não é interpretado como ameaça. Onde posicionamento não é confundido com agressividade.

Aqui está a síntese do que março deveria representar: corresponsabilidade.

Homens líderes precisam parar, de verdade, e refletir.
O que eu tolero que não deveria?
Que conversas eu evito?
Que privilégios eu nunca questionei?
Que talentos eu ainda não enxerguei?

E mulheres precisam se perguntar:
Qual é o meu borogodó?
Onde estou me diminuindo para caber?
Que estratégia estou desenhando para minha própria carreira?

Transformar organizações em ambientes seguros não é uma ação pontual. É uma decisão contínua de governança, cultura e coragem. É entender que respeito não é benefício, é premissa. E que segurança psicológica não é tendência, é base de produtividade sustentável.

Liberdade, para mim, é não sentir medo.

Que neste Mês da Mulher, homens líderes escolham agir.

E que mulheres escolham brilhar, com estratégia, consciência e potência. Porque ambientes seguros não acontecem por acaso. Eles são construídos. E a construção começa com quem decide não se omitir.

*Ana Addobbati, presidente do Instituto Livre de Assédio

 

 






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