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terça-feira, agosto 18, 2026

“Não existirá empresa que prospere num território que não prospere”, diz CEO da FDC

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Aos 50 anos, a Fundação Dom Cabral (FDC) prepara uma transformação que pretende ampliar sua atuação para além dos limites tradicionais de uma escola de negócios. A instituição, reconhecida pela formação de executivos, avança sobre áreas como gestão pública, graduação, pesquisa acadêmica e capacitação de empreendedores das periferias. À frente desse movimento, Antonio Batista da Silva Junior, CEO da FDC, defende que empresas, governos e comunidades precisam atuar de forma articulada diante de desafios como desigualdade social, mudanças climáticas, transição demográfica, segurança energética e reorganização geopolítica. Nesta entrevista, ele também analisa os impactos da Inteligência Artificial sobre a educação, afirma que a sala de aula tradicional perdeu espaço e prevê uma aprendizagem cada vez mais personalizada e contínua. Para o executivo, o líder do futuro terá de combinar competências técnicas, consciência social e capacidade de construir consensos. “Se a gente for capaz de responder permanentemente às perguntas do nosso tempo, acredito que conseguiremos manter a relevância da Fundação”, afirmou.

Como tem sido o ano para a Fundação Dom Cabral? Já é possível fazer um balanço?
O ano não está muito diferente das nossas expectativas. Não entramos neste novo ciclo com projeções excessivamente ambiciosas porque sabíamos que seria um período difícil para o Brasil. Temos uma situação fiscal que inspira preocupação, conflitos internacionais, movimentos geopolíticos e guerras que afetam a vida das empresas e dos países. Há grandes problemas econômicos e institucionais no exterior e, internamente, uma questão fiscal que vem crescendo e pode atingir proporções preocupantes. Além disso, é um ano eleitoral, com todas as incertezas associadas a esse ambiente. Mesmo diante desse cenário, o ano tem sido bom para a Fundação. Eu não diria excelente, mas tem sido bom.

A Fundação deverá crescer em 2026?
Ainda é difícil fazer uma projeção precisa porque a maior parte da nossa receita é gerada no segundo semestre. Setembro, outubro e novembro são os meses mais fortes para a Fundação. É nesse período que efetivamente construímos uma parcela relevante do resultado anual. Se alcançarmos entre 95% e 100% da receita prevista, teremos um desempenho razoável diante das condições econômicas e institucionais do país.

É importante lembrar que somos uma escola de negócios que não recebe doações nem recursos governamentais. Não temos dinheiro do governo. Vivemos da prestação de serviços e da oferta de programas educacionais. Precisamos administrar a instituição com eficiência para gerar resultados e manter a capacidade de investir. Uma escola de negócios que opera permanentemente com prejuízo teria dificuldade para ensinar gestão às empresas. Precisamos também dar o exemplo.

A Fundação Dom Cabral completa 50 anos. Como a instituição está preparando sua agenda para as próximas décadas?
Quando falamos dos próximos 50 anos, precisamos olhar para trás e compreender o caminho percorrido. A Fundação Dom Cabral nasceu como um centro voltado à formação de executivos e ao desenvolvimento das empresas. Nossa origem está na educação executiva, principalmente para médias e grandes companhias nacionais e multinacionais.

Ao longo dessas cinco décadas, consolidamos uma posição muito relevante na educação executiva, tanto nacional quanto internacionalmente. A Fundação se tornou uma instituição de referência nesse campo. Nos últimos anos, porém, começamos a expandir aceleradamente nossa área de atuação para além da educação executiva.

Entramos, por exemplo, no universo da gestão pública. Criamos um centro especializado e hoje temos uma presença relativamente grande nessa área, trabalhando com prefeituras, governos estaduais, secretarias, autarquias, empresas públicas, órgãos federais e entidades do Sistema S.

Também avançamos na educação acadêmica. Desde a origem, a Fundação oferecia cursos de especialização e, há mais de 30 anos, mantém um MBA Executivo muito bem-sucedido. Mais recentemente, lançamos uma graduação em Administração, iniciamos a graduação em Economia e planejamos oferecer, em 2028, uma graduação voltada à ciência de dados e à Inteligência Artificial. Além disso, criamos mestrado e doutorado profissionais.

Estamos consolidando uma área acadêmica que mantém a nossa vocação original e o foco no ecossistema formado por empresas, governos e sociedade. As escolas de negócios internacionais normalmente nasceram no ambiente acadêmico e, depois, abriram um braço de educação executiva. Nós estamos percorrendo o caminho inverso. Levamos uma vocação muito forte em educação executiva para a graduação, o mestrado e o doutorado.

Essa expansão também contempla públicos que tradicionalmente não frequentam as escolas de negócios?
Sim. Criamos uma frente que chamamos de educação social, direcionada principalmente à base da pirâmide. Queremos levar conhecimento de gestão e empreendedorismo aos empreendedores populares, inclusive aqueles que trabalham nas periferias e nas comunidades.

Nosso objetivo é contribuir para a formação de uma base ampla de empreendedores e, dentro dela, identificar pessoas com grande potencial de crescimento. Queremos descobrir e apoiar os futuros empresários do Brasil. Acreditamos que existem talentos extraordinários nas periferias que ainda não tiveram acesso às ferramentas, às redes de relacionamento e aos conhecimentos necessários para desenvolver seus negócios.

Também trabalhamos com organizações sociais. Portanto, a transformação da Fundação envolve a expansão de uma instituição originalmente dedicada à educação executiva para diferentes segmentos da sociedade, sem abandonar a qualidade e a proximidade com o mundo real que sempre caracterizaram o nosso trabalho.

Por que essa mudança se tornou necessária?
Estamos atravessando uma transformação muito profunda na sociedade, no Brasil e no mundo. Mudanças sempre aconteceram, mas agora elas ocorrem de maneira rápida, intensa e simultânea. Estamos diante de problemas geopolíticos, mudanças climáticas, riscos relacionados à segurança energética, necessidade de ampliar a produção de energia limpa, desafios alimentares e uma transição demográfica que terá consequências enormes.

Em pouco tempo, teremos cerca de 10 bilhões de pessoas para alimentar no planeta. Ao mesmo tempo, países como o Brasil estão envelhecendo. Temos guerras, conflitos políticos e dificuldades para construir a paz. No caso brasileiro, ainda convivemos com uma desigualdade social gritante, que é inaceitável quando nos aproximamos da metade do século XXI.

Esses não são problemas meramente conjunturais. São desafios sistêmicos e estruturais. Nossa compreensão é que nenhum agente será capaz de enfrentá-los sozinho. Precisamos promover e orquestrar o diálogo entre diferentes setores, construir consensos e encontrar soluções comuns.

Qual será o papel das empresas nesse ambiente?
O papel das empresas está mudando. Elas não podem ser vistas apenas como agentes econômicos ou organizações operacionais. Também precisam atuar como agentes de promoção do bem-estar e do desenvolvimento social. Os governos e as comunidades têm igualmente responsabilidades nesse processo.

A Fundação Dom Cabral quer evoluir de uma escola de negócios tradicional para uma escola capaz de articular empresas, governos e comunidades. Precisamos formar líderes que saibam construir consensos, promover diálogos e atuar com sensibilidade na relação com o poder público e a sociedade.

Ao mesmo tempo, precisamos ajudar a formar gestores públicos capazes de compreender o setor privado, apoiar o ambiente de negócios e trabalhar em conjunto com as empresas. Governos precisam gerar eficiência, entregar resultados e cumprir aquilo que prometeram. As comunidades, por sua vez, têm uma enorme potência quando conseguem participar de maneira organizada.

Durante boa parte do século XX, as escolas de negócios e as empresas concentraram suas atenções em estratégia, marketing, finanças, qualidade e eficiência dos processos. Tudo isso continua importante, mas já não é suficiente. As empresas precisam pensar de forma mais ampla e contribuir para o progresso econômico e social.

Não existirá empresa que prospere num território que não prospere. Ou fortalecemos os territórios e a nação para crescer junto com as empresas, ou as próprias companhias terão dificuldades para avançar. Precisamos de instituições resilientes e inclusivas. Essa é uma das principais direções da Fundação Dom Cabral para os próximos anos.

A Inteligência Artificial pode tornar obsoleta a formação tradicional?
Tenho uma visão muito otimista da vida. Não acredito nessa perspectiva de caos segundo a qual a Inteligência Artificial provocará o fim da educação. Ao longo da história, a humanidade criou problemas, mas também desenvolveu soluções para enfrentá-los.

O discurso de que uma tecnologia acabaria com a educação já apareceu nos anos 1980, quando os computadores começaram a entrar nas salas de aula. Primeiro vieram os computadores pessoais, depois os notebooks e os tablets. A simples presença desses equipamentos não promoveu, de maneira geral, uma melhora automática da aprendizagem, da qualidade do ensino ou do desempenho dos alunos.

A Inteligência Artificial, no entanto, tem um poder de transformação significativo. Ela pode produzir uma hipercustomização do ensino, que considero uma das grandes evoluções do processo de aprendizagem. Historicamente, a educação foi baseada na padronização. Colocamos todos os alunos em uma sala, ensinamos o mesmo conteúdo e aplicamos a mesma prova. Agora, temos a possibilidade de avançar em direção a uma aprendizagem orientada pelos interesses, pelas necessidades e pelo ritmo de cada estudante.

A tecnologia pode apoiar o ensino e tornar a aprendizagem mais motivadora. Será possível compreender os assuntos que despertam mais interesse em cada aluno e oferecer diferentes caminhos para a exploração de um conteúdo. Teremos muito mais conexões e hipertextos. A aprendizagem também poderá ser orientada por problemas reais. Em vez de apresentar todo o conhecimento antecipadamente, a escola poderá propor um desafio e estimular o estudante a pesquisar, formular hipóteses e buscar soluções.

A Inteligência Artificial tem potencial para provocar uma revolução na educação, mas não para acabar com o ensino e a aprendizagem. Isso não vai desaparecer.

Um curso de graduação de quatro anos ainda faz sentido quando o conhecimento envelhece tão rapidamente?
A educação está em uma posição privilegiada justamente porque o conhecimento se torna obsoleto cada vez mais rápido. Uma pessoa pode entrar na faculdade e descobrir, cinco anos depois, que parte daquilo que aprendeu no primeiro ano já não tem a mesma utilidade. Isso significa que ela precisará aprender continuamente.

O conceito de lifelong learning, ou aprendizagem ao longo da vida, será cada vez mais importante. As pessoas terão de estudar durante toda a trajetória profissional. Isso vale para um administrador, um engenheiro, um médico ou qualquer outro profissional. Alguém pode passar muitos anos na escola, cursar uma graduação, fazer residência médica e imaginar que concluiu sua formação. A má notícia é que não concluiu. Novas tecnologias, tratamentos e conhecimentos continuarão surgindo. Será necessário aprender durante toda a vida.

Para as instituições de ensino, isso cria uma grande oportunidade, mas também uma enorme responsabilidade. Teremos de desenvolver novos conteúdos, métodos e pedagogias. A sala de aula tradicional, baseada apenas na transmissão de informações, já perdeu espaço.

Como será esse novo modelo de aprendizagem?
Precisamos voltar aos fundamentos e perguntar como o ser humano efetivamente aprende. Na minha visão, existem três grandes formas de aprendizagem. A primeira é o conceito. Alguém transmite uma ideia, um professor explica um conteúdo ou uma pessoa lê um livro. É uma forma importante de aprender, mas foi praticamente a única utilizada pela escola tradicional durante muito tempo.

A segunda forma é o desafio do mundo real. A pessoa aprende quando precisa enfrentar uma situação concreta e encontrar uma resposta. Em muitos casos, essa experiência pode ser ainda mais poderosa do que a transmissão de conceitos.

A terceira forma é o exemplo, que talvez seja a mais forte de todas. Trata-se de um aprendizado silencioso. Quando somos crianças, observamos nossos pais e começamos a reproduzir comportamentos. Nas organizações, os profissionais aprendem os padrões dos líderes e dos colegas. Quando alguém entra em uma empresa, passa a observar e incorporar determinadas práticas. É assim que se forma uma cultura.

O mesmo acontece nas artes e nos esportes. Uma pessoa começa imitando um jogador de futebol ou um músico que admira. Depois de repetir aquele padrão muitas vezes, desenvolve o próprio estilo.

A escola precisa recuperar e integrar essas três dimensões. Como apresentar conceitos? Como oferecer desafios reais? Como proporcionar exemplos, redes de relacionamento e trocas de experiências? É nisso que precisamos investir.

Como a Fundação pretende aplicar essa visão aos seus programas?
Criamos um sistema que chamamos de FDC Inside. É uma espécie de MARCA metodológica presente em todos os nossos programas. Ele será aplicado da graduação ao doutorado, da formação do empreendedor da periferia ao desenvolvimento do CEO de uma multinacional, passando pelo empresário familiar e pelo gestor público.

Não estamos falando apenas de conteúdo, mas das ferramentas e metodologias utilizadas para desenvolver a aprendizagem. A combinação entre conceito, desafio e exemplo estará no centro dessa proposta, com a Inteligência Artificial funcionando como instrumento de apoio e personalização.

Esse método será suficiente para diferenciar a Fundação de universidades internacionais que oferecem cursos pela internet?
A metodologia pedagógica é muito poderosa e não deve ser minimizada, mas, isoladamente, não será suficiente. Também precisamos oferecer conteúdos diferenciados e desenvolver uma forma própria de integrá-los.

Uma escola de gestão não pode se limitar às disciplinas conhecidas pela sigla inglesa STEM, que reúne ciência, tecnologia, engenharia e matemática, mesmo com a inclusão da Inteligência Artificial nesse conjunto. É preciso desenvolver competências comportamentais e incorporar conhecimentos de outras áreas, como ciência política, neurociência, biologia, química e física.

As escolas de negócios ainda fazem pouco essa integração. Um executivo pode tentar construir sozinho essa visão recorrendo à Inteligência Artificial, mas precisa ter capacidade crítica para reconhecer quais conexões são relevantes. Portanto, a diferenciação virá da combinação entre métodos pedagógicos, conteúdos e integração de diferentes áreas do conhecimento.

Qual é o principal diferencial da Fundação Dom Cabral nesse cenário?
Nossa missão fala em desenvolver a sociedade. Não fazemos educação apenas pela educação. Desenvolvemos pessoas com o objetivo de contribuir para a prosperidade dos territórios e das instituições.

Se alguém quiser aprender exclusivamente a competir e ganhar mais dinheiro, encontrará muitas escolas internacionais capazes de oferecer esse conhecimento. Mas, se quiser atuar em um mundo novo, marcado por problemas complexos, e desenvolver uma consciência ao mesmo tempo social e técnica sobre os negócios, a Fundação Dom Cabral terá uma contribuição muito relevante.

Queremos formar líderes com uma compreensão profunda do impacto das organizações sobre a sociedade. Acredito que esse posicionamento pode sustentar o nosso diferencial, desde que sejamos capazes de nos renovar e responder permanentemente às perguntas do nosso tempo.

Temos conseguido fazer isso até agora, mas o futuro exigirá mais velocidade. Precisaremos escutar o mercado rapidamente, encurtar o tempo entre a identificação de uma demanda e o lançamento de uma solução e renovar continuamente o portfólio.

As parcerias internacionais terão participação nessa estratégia?
Sim. Não acreditamos que precisaremos desenvolver tudo sozinhos. Podemos montar propostas educacionais em conjunto com outras instituições. A Fundação mantém cerca de 60 acordos internacionais com escolas e universidades.

Estamos desenvolvendo programas nos quais oferecemos a base de gestão e recorremos a parceiros internacionais para as especializações. Dessa forma, podemos trabalhar com uma instituição francesa reconhecida na área de luxo, outra especializada em tecnologia, uma escola forte em energia ou outra que seja referência em Inteligência Artificial.

A lógica é reunir o melhor conhecimento disponível em cada área. Também estamos discutindo parcerias com instituições do Texas, que possuem grande experiência em tecnologia, petróleo e energia, setores que têm forte conexão com a realidade brasileira.

Outro diferencial da Fundação é a capacidade de atrair e articular um ecossistema muito diversificado. Muitas escolas são orientadas prioritariamente pela pesquisa e partem da ideia de que o conhecimento é produzido dentro da própria instituição. Nós valorizamos a pesquisa, mas também somos orientados pela interação com o ecossistema e pelo diálogo com a sociedade.

Temos facilidade para colocar na mesma sala um empreendedor da periferia e um executivo de uma multinacional. Esse encontro produz conhecimento, amplia perspectivas e ajuda a construir respostas mais completas para problemas complexos.

Como a Fundação atua em gestão pública sem assumir uma posição partidária, especialmente em ano eleitoral?
Esse é um grande desafio, mas temos uma orientação muito clara. Não trabalhamos para candidatos nem para partidos. Em períodos eleitorais, é comum recebermos pedidos de candidatos que desejam ajuda para elaborar planos de governo. Recusamos esse tipo de trabalho. Se o candidato vencer a eleição e assumir o governo, estaremos disponíveis para colaborar tecnicamente.

A Fundação apoia governos, não candidaturas. Essa é uma distinção fundamental. Trabalhamos com administrações de esquerda e de direita, sempre com uma abordagem técnica. Acreditamos que o governo, independentemente de sua orientação política, precisa ser eficiente, entregar resultados e cumprir aquilo que prometeu à população.

Quais são os principais problemas brasileiros que deveriam estar acima das disputas partidárias?
Um deles é a desigualdade social. Outro é a dificuldade de o país superar a armadilha da renda média. O Brasil está preso nessa situação há cerca de 40 anos e não consegue elevar de maneira consistente a renda de sua população.

Precisamos encontrar um caminho de crescimento econômico que seja distribuído, gere consumo e produza prosperidade ambiental sem destruir o meio ambiente. Também precisamos avançar na igualdade social e em uma governança mais colaborativa.

A governança colaborativa é o elemento que conecta todas essas dimensões. Precisamos fazer com que diferentes segmentos conversem. Economistas, educadores, sociólogos, artistas, esportistas, diplomatas, intelectuais e representantes de vários setores podem contribuir para formar massa crítica e construir propostas para o país.

Acreditamos no diálogo. Não existe uma varinha de condão para resolver os problemas brasileiros ou os desafios do mundo atual. Os armários das instituições estão cheios de boas ideias e propostas. O que frequentemente falta é capacidade de articulação, construção de consensos e execução. É justamente nesse espaço que a Fundação Dom Cabral pretende ampliar sua contribuição.






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