Com a taxa Selic acima de 10% ao ano desde fevereiro de 2022 e no patamar de 15% desde junho de 2025, a renda fixa tornou-se atrativa, e o garimpo por bons investimentos em renda variável teve de ser ainda mais criterioso. Compra e venda de imóveis, apesar de também sofrerem com as nuances macroeconômicas, nunca saíram de moda. E as vertentes de luxo mantiveram-se como a coqueluche do mercado imobiliário — não só para moradia, mas também para investimentos.
“Uma das tendências do setor é a de que o luxo vira cada vez mais um produto financeiro”, disse Alvaro Marco Coelho da Fonseca, diretor-executivo da Coelho da Fonseca, uma das principais imobiliárias do Brasil focada no segmento de alto padrão. “Vira um asset de proteção patrimonial. Não é mais apenas uma questão de lifestyle.”
As negociações de imóveis de luxo puxaram os resultados da companhia paulistana, que em janeiro cresceu 30% em relação ao mesmo mês do ano passado — os números absolutos não são divulgados pela Coelho da Fonseca. “Uma compra da ordem de milhões de reais não é mais decidida apenas na emoção. O cliente compra por decisão estratégica, de investimento. Não é só hype. Muitos empresários, family offices e compradores patrimoniais estão investindo nesse tipo de imóvel”, afirmou Alvaro Marco, filho do fundador da empresa que leva o sobrenome da família.
O ano passado foi “desafiador”, na avaliação do executivo. Ainda assim, positivo. Segundo a Pesquisa do Mercado Imobiliário (PMI), realizada pelo Departamento de Economia e Estatística do Secovi-SP junto às incorporadoras associadas, em 2025 foram lançadas na cidade de São Paulo 139,7 mil unidades, crescimento de 34% em relação a 2024. As vendas totalizaram 113 mil imóveis, alta de 9%, enquanto o Valor Geral Lançado (VGL) alcançou R$ 81,7 bilhões, avanço de 40%. Já o Valor Geral Vendido (VGV) somou R$ 58,8 bilhões, com crescimento de 3%.
“2025 foi um ano desafiador por conta da taxa de juros alta, a maior dos últimos anos. Mas o mercado imobiliário de alto luxo e altíssimo luxo é menos afetado. Então, permanecemos consideravelmente estáveis. Ainda assim, o ano foi bom, superando um pouco os resultados de 2024”, avaliou o executivo, ao ressaltar que, nos últimos meses do ano passado, o apetite pela compra de imóveis aumentou.
O executivo apontou ainda que São Paulo tornou-se uma das cinco principais cidades do mundo em branded residences, o que atrai investimentos do exterior para o país. Produtos como Rosewood, Fasano, Faena, Artefacto, Pininfarina, Dolce & Gabbana e outras marcas globais de joalheria, design e moda têm trazido “confiança internacional para o cliente e um status que também facilita a liquidez”.
“Uma liquidez autêntica, com senso de segurança, porque vai ter um ativo bem conceituado na mão”, frisou Alvaro Marco.
O diretor da Coelho da Fonseca apontou ainda como tendência do mercado de luxo a busca por experiências. Há projetos focados em wellness que agregam muito valor.
Atuação internacional
Se há interesse de investidores estrangeiros no mercado imobiliário nacional, também há brasileiros com os olhos voltados a oportunidades no exterior. Por isso, a Coelho da Fonseca tem intensificado sua atuação internacional.
Após encerrar as atividades de seu escritório em Miami (EUA) durante a crise do subprime, em 2007 (estouro de uma bolha de investimentos massivos em hipotecas no mercado americano), a imobiliária paulistana voltou a disponibilizar sua expertise por meio de parceiros, tanto na América do Norte quanto na Europa, especialmente em Portugal e na França.
A empresa mantém ainda uma relação estratégica com a Leading Real Estate Companies of the World, sendo a única do Brasil filiada à rede. “Seguimos fortes com o nosso departamento internacional, com corretores especializados nos mercados externos. Temos acesso a oportunidades de investimento”, disse Alvaro Marco, que nesta semana embarca para Las Vegas (EUA), onde participa de um summit imobiliário voltado ao luxo.
Os negócios internacionais da Coelho da Fonseca representam 10% do faturamento da companhia. “Estamos em crescimento ano a ano”, afirmou o executivo. “Queremos nos tornar o principal polo internacional para clientes que procuram imóveis lá fora. Temos muita experiência nesse mercado, muito know-how.”




