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domingo, julho 12, 2026

Entrada de dólares no Brasil atinge maior nível desde 2018 e sustenta valor do real

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O Brasil encerrou o primeiro semestre de 2026 com o melhor desempenho do fluxo cambial para o período em oito anos. Dados do Banco Central mostram ingresso líquido de US$ 17,78 bilhões, equivalente a cerca de R$ 91 bilhões, resultado que representa a maior entrada de dólares para os seis primeiros meses do ano desde 2018, quando o saldo havia alcançado US$ 22,52 bilhões, em valores nominais.

O desempenho MARCA uma mudança significativa em relação ao mesmo intervalo de 2025, quando o País registrou saída líquida de US$ 14,34 bilhões, o pior resultado da série histórica do Banco Central para um primeiro semestre A forte volatilidade do mercado americano, com os ataques ordenados por Donald Trump ao Irã, levaram investidores a buscar mercados com maior potencial de retorno, como o Brasil. Esse movimento tem ajudado a sustentar o valor da moeda brasileira, que começou o ano cotado a R$ 5,51 e ontem, quinta-feira (9), encerrou o dia cotado a R$ 5,13.

A recuperação também foi impulsionada pela combinação de fatores ligados ao comércio exterior e ao mercado financeiro. O avanço das exportações, favorecido pela valorização internacional do petróleo, elevou a entrada de divisas, enquanto o aumento dos investimentos estrangeiros reforçou o movimento. A redução dos juros nos Estados Unidos e as incertezas em torno do governo de Donald Trump também estimularam investidores globais a ampliar a exposição a economias emergentes consideradas relativamente estáveis. “Para o investidor, é dificil achar países grandes com estabilidade, especialmente entre emergentes. E aí, o Brasil se destaca”, afirma Henrique Aguiar, diretor da Nova Futura.

O maior interesse do capital estrangeiro também ficou evidente na Bolsa brasileira. Entre janeiro e junho, o saldo de investimentos externos na B3 somou R$ 36,7 bilhões, acima dos R$ 26,9 bilhões registrados no mesmo período do ano passado.

O fortalecimento do fluxo de recursos ajudou a sustentar a valorização dos ativos domésticos. Em 2026, o dólar acumula queda de cerca de 6% frente ao real, sendo negociado ao redor de R$ 5,12. No mesmo intervalo, o Ibovespa avança aproximadamente 5,9%, superando os 172 mil pontos.

Apesar do desempenho positivo na primeira metade do ano, analistas avaliam que o ambiente tende a se tornar mais desafiador no segundo semestre. A expectativa de cortes menores nas taxas de juros dos Estados Unidos e do Brasil, combinada com o aumento das tensões geopolíticas no Oriente Médio e a aproximação das eleições presidenciais brasileiras, pode reduzir o apetite por ativos de maior risco e limitar a entrada de recursos externos.

Os sinais dessa desaceleração já começaram a aparecer em junho. Em relatório, o Itaú BBA observou que “o segmento financeiro manteve saídas líquidas relevantes, corroborando a perda de tração do financiamento externo observada desde a intensificação das tensões no Oriente Médio”.

Diante desse cenário, a instituição revisou suas projeções para a taxa de câmbio, elevando a estimativa do dólar para R$ 5,30 no fim de 2026, ante previsão anterior de R$ 5,15. Para 2027, a expectativa passou de R$ 5,35 para R$ 5,50.

O BTG Pactual também atualizou suas estimativas. O banco elevou a projeção para o dólar no encerramento de 2026 de R$ 4,90 para R$ 5,40. “A revisão deriva principalmente de uma significativa mudança no cenário global: dados sobre a atividade e o mercado de trabalho nos EUA vieram mais fortes do que o esperado, enquanto a inflação continua resiliente”, escreveram os economistas da instituição. Segundo o banco, esse contexto tende a levar o Federal Reserve a manter uma postura mais restritiva na condução da política monetária.

Mesmo com expectativa de continuidade do ingresso de dólares pelo canal comercial, impulsionado pelas exportações, o BTG avalia que o fluxo financeiro deverá permanecer sujeito a maior volatilidade ao longo dos próximos meses.

Outro fator que pode influenciar o comportamento do câmbio é a persistência das pressões inflacionárias. A alta dos preços de insumos agrícolas, especialmente fertilizantes afetados pelo conflito no Oriente Médio, somada aos impactos esperados do fenômeno El Niño sobre a produção, tende a manter os alimentos pressionados e reforçar as expectativas de juros elevados por mais tempo, tanto no Brasil quanto no exterior.




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