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terça-feira, agosto 25, 2026

Bancos brasileiros avançam lentamente na tokenização, conclui levantamento da IBM

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A tokenização ganhou espaço nas estratégias dos bancos brasileiros, mas ainda avança em ritmo lento nas operações. Segundo levantamento do IBM Institute for Business Value, 23% dos executivos do setor no País consideram a tecnologia central para os planos de suas instituições. Apenas 8%, porém, afirmam que os projetos estão em funcionamento ou preparados para lançamento em 2026, índice ligeiramente abaixo da média global de 9%.

Intitulado “2026 Global Outlook for Banking and Financial Markets”, o estudo ouviu 500 executivos das áreas bancária e de pagamentos em mais de 25 países. A pesquisa indica que a transformação do sistema financeiro será impulsionada pela combinação de ativos digitais, moedas digitais e inteligência artificial agêntica, mas também mostra diferenças expressivas no grau de preparação das instituições.

“Liderança na economia tokenizada, combinada com jornadas de IA agêntica, está redefinindo prioridades no setor financeiro. As instituições que modernizarem suas plataformas e acelerarem a adoção de ativos digitais estarão mais bem posicionadas para liderar a próxima geração de serviços financeiros”, afirmou Carlos Rivelle, vice-presidente da IBM Consulting para a América Latina.

No mercado brasileiro, a falta de interoperabilidade entre plataformas aparece como o principal obstáculo à expansão dos ativos digitais. O problema foi citado por 65% dos entrevistados no País, acima dos 59% registrados no levantamento global.

A integração entre tokenização e inteligência artificial também está no radar das instituições. Para 58% dos executivos brasileiros, a representação digital de ativos terá impacto forte ou crítico na comunicação entre diferentes plataformas de IA. No cenário internacional, essa avaliação é compartilhada por 61% dos participantes. Além disso, 46% dos respondentes no Brasil acreditam que a IA agêntica influenciará significativamente os canais programáveis de liquidação, ante 57% no conjunto dos países pesquisados.

As mudanças também podem alcançar os meios de pagamento. Entre os entrevistados brasileiros, 38% avaliam que as moedas digitais emitidas por bancos centrais, conhecidas como CBDCs, poderão substituir os modelos tradicionais de cartões. A média global ficou em 35%.

A expectativa em relação às stablecoins é ainda maior. No Brasil, 58% dos executivos projetam uma adoção forte ou transformacional dessas moedas digitais por grandes empresas até 2030, percentual superior aos 42% verificados globalmente. O movimento pode reduzir a base de depósitos das instituições financeiras e pressionar as receitas obtidas com tarifas de transações.

A segurança dos ambientes tokenizados surge como outra prioridade. Para 92% dos participantes brasileiros, a criptografia resistente a ameaças quânticas será essencial para garantir confiança e capacidade de expansão desses ecossistemas. No exterior, 89% dos executivos compartilham dessa percepção.

Apesar do interesse pelas novas tecnologias, a modernização da infraestrutura bancária permanece como uma dificuldade relevante. Em escala global, os executivos apontaram a inadequação dos sistemas centrais legados como a principal limitação para os projetos de tokenização. Pesquisas anteriores da IBM indicam que 94% das iniciativas de modernização de core banking não cumprem os prazos inicialmente estabelecidos, principalmente em razão da complexidade técnica e de custos não previstos.

“O sistema financeiro está diante de uma encruzilhada. As instituições que conseguirem modernizar seus sistemas, integrar IA de forma estratégica e adotar a tokenização não apenas sobreviverão, como liderarão a próxima geração de serviços financeiros. Aquelas que adiarem essas decisões ficarão para trás, competindo em um mercado que já mudou”, acrescentou Rivelle.

Realizado em parceria com a Oxford Economics no quarto trimestre de 2025, o levantamento reuniu executivos de bancos de varejo, comerciais e corporativos, além de representantes de gestoras de ativos e patrimônio, redes de pagamento e empresas processadoras. Dos 43 participantes da América Latina, 26 atuavam no Brasil. As respostas de ordenação de prioridades foram avaliadas por meio do modelo estatístico Plackett-Luce.




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