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A Squadra Investimentos reduziu sua participação na Hapvida de 5,15% para 3,87%, considerando o investimento como “o maior erro” de sua história.
Em carta aos cotistas, a gestora assumiu a responsabilidade pelos maus resultados e destacou que pagou caro pela Hapvida, subestimando os desafios dos ativos adquiridos.
A Squadra acredita que a solução para a companhia envolve desinvestimentos e simplificação, mas não espera uma recuperação rápida devido à alavancagem e deterioração operacional da empresa.
A gestora reafirmou seu compromisso em melhorar a governança da Hapvida, apesar da redução na participação.
* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed
Após eleger três conselheiros para o board da Hapvida, a Squadra Investimentos reduziu sua participação na operadora de saúde, que classificou como “o maior erro de investimento” de sua história em sua mais recente carta aos cotistas, levantando dúvidas sobre seu futuro na empresa.
Em comunicado ao mercado divulgado na noite de segunda-feira, 24 de agosto, a Hapvida informou que a Squadra passou a deter uma participação de aproximadamente 3,87% em seu capital social, abaixo dos 5,15% que detinha, segundo o mais recente formulário de referência da companhia, datado de 3 de julho.
Na carta enviada à Hapvida para comunicar a decisão, a Squadra disse apenas que a movimentação não visa “alterar a composição do controle ou a estrutura administrativa da companhia”.
A decisão suscitou questionamentos, considerando os esforços que a Squadra empreendeu, no primeiro semestre, para emplacar conselheiros e tentar ajustar a operação, após criticar os rumos da Hapvida. Atualmente, o investimento representa uma posição de 1% dos fundos.
Na carta enviada à companhia para solicitar a adoção do voto múltiplo na eleição do conselho, em abril, a gestora de Guilherme Aché apontou que a Hapvida possui “ativos que, nas mãos de operadores com foco e habilidades específicas para cada segmento e região, apresentam oportunidade concreta de recuperação”.
Essa postura foi novamente reforçada na carta aos cotistas, divulgada no final de semana. Nela, a Squadra afirma estar procurando atuar na “melhoria da qualidade da governança e das pessoas”, lembrando o esforço para a eleição dos conselheiros, que deveriam trabalhar “no melhor interesse desta [da Hapvida] e da totalidade de seus acionistas”.
Para um gestor de outra casa ouvido pelo NeoFeed, considerando essas declarações e o perfil da gestora, é pouco provável que a Squadra esteja abandonando a Hapvida.
“Dado o perfil deles, acho muito difícil eles soltarem uma carta falando que estão trabalhando arduamente e desistir do investimento”, disse. “Não é do perfil deles praticar dissimulação via carta.”
Procuradas pelo NeoFeed, a Hapvida e a Squadra informaram que não comentariam o assunto.
Lambendo as feridas
Na carta, a Squadra assume a responsabilidade pelos maus resultados decorrentes do investimento na Hapvida, em um momento em que os mercados também não deram trégua. “O erro em Hapvida foi grande e custoso ao capital dos fundos, o que deixou MARCA em nosso histórico de performance”, diz trecho.
Em 2025, o fundo Squadra Long-Biased valorizou 29,4%, enquanto o Squadra Long-Only subiu 27,7%, ficando abaixo do Ibovespa, que apresentou alta de 34%. No primeiro semestre de 2026, os fundos caíram 5,1% e 6,2%, respectivamente, enquanto o Ibovespa subiu 6,8%.
A gestora retomou pontos levantados em outra carta, afirmando que pagou muito caro pela Hapvida, além de ter subestimado os desafios trazidos pela quantidade de ativos adquiridos.
“Passado mais um ano, a conclusão inevitável é que falhamos nas três dimensões que sustentam qualquer investimento: o preço, as perspectivas do negócio e a avaliação dos administradores a quem confiamos os recursos. Este último erro foi o mais grave, pois tem efeito composto sobre os demais”, diz trecho da carta.
Para a Squadra, a solução para a companhia passa por desinvestimentos e pela simplificação do grupo. Segundo a gestora, se a agenda de alocação de capital “eficiente e racional” contemplar de forma abrangente as unidades adquiridas, “incluindo a relevante subsidiária Notre Dame Intermédica”, a ação “poderia se multiplicar algumas vezes”.
No entanto, a Squadra não nutre expectativas de que a retomada será fácil ou rápida. A gestora afirma que o carrego de uma companhia alavancada, com deterioração operacional, “é punitivo, e o horizonte para correções de rumo acaba pressionado pelos vencimentos do cronograma de dívidas”.
Além disso, o custo de oportunidade é elevado, não apenas por conta dos juros elevados, mas “principalmente dos altos retornos prospectivos de outras empresas de nosso portfólio”.
Por volta das 14h24, as ações da Hapvida recuavam 1,26%, a R$ 6,28. No ano, os papéis acumulavam queda de 56,9%, levando o valor de mercado a R$ 3,16 bilhões.




