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terça-feira, agosto 25, 2026

Família, patrimônio, saúde, viagens: o que move o brasileiro de alta renda

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Para o brasileiro de alta renda, a tranquilidade tem preço: R$ 17 milhões.

Este é o valor médio que os brasileiros com renda mensal a partir de R$ 15 mil consideram necessário ter investido para poder parar de trabalhar ou trabalhar apenas com aquilo de que gostam, segundo um estudo inédito do Google Brasil que ouviu 792 pessoas em todo o País.

A meta, porém, varia bastante: 37% dizem que até R$ 5 milhões seriam suficientes, enquanto 22% acreditam precisar de mais de R$ 30 milhões. Sete em cada dez afirmam guardar dinheiro para alcançar a reserva desejada.

Os brasileiros de alta renda também se preocupam em preservar o que foi conquistado. Como 80% dos entrevistados são casados e 84% têm filhos, o principal medo apontado por eles (citado por 79%) é justamente fracassar com a família. 

“Não conseguir proporcionar aos filhos a vida desejada ou proteger o legado representa uma das principais dimensões do medo familiar,” diz o estudo.

A perda de status, liquidez ou patrimônio também aparece entre as preocupações dos mais ricos. Chamada de “insegurança social”, ela foi citada por 78% dos entrevistados — o que ajuda a explicar a busca por produtos como seguros, previdência, blindagem patrimonial e gestão de ativos de risco.

Já o fracasso público, que inclui perder oportunidades de crescimento, falhar nos negócios ou sentir-se estagnado, foi apontado por 73% dos entrevistados. Só depois disso o cenário econômico aparece como fonte de preocupação (63%). 

A ideia de patrimônio também está associada a experiências e bem-estar: 89% dizem sentir satisfação em investir bem e guardar dinheiro, enquanto 93% encontram prazer em atividades para relaxar e descansar a mente — o mesmo percentual que cita viagens, bons restaurantes e programas culturais. 

A maioria considera as viagens um dos principais rituais de recompensa. Visitar países onde ainda não estiveram é o principal atrativo para 65%, enquanto 63% querem conhecer mais o mundo e o mesmo percentual quer conhecer mais o Brasil. 

Entre os entrevistados de renda mais alta, cresce o interesse por destinos onde os amigos já estiveram, turismo gastronômico e experiências em locais exóticos.

Saúde e longevidade também ganharam espaço nessa equação. 84% afirmam que saúde é “tudo que desejam” ou “desejam bastante”. Ser reconhecido como referência em autocuidado diário é importante para a maioria dos entrevistados. 

Testes genéticos, biomarcadores, intervenções de longevidade, dispositivos de monitoramento e serviços como concierge médico e AI de saúde 24 horas aparecem como parte desse universo.

Os mais ricos também parecem estar se tornando mais seletivos na maneira como se relacionam com outras pessoas. Nas redes sociais, 74% passaram a se expor menos e 81% já fizeram uma “limpeza” nas contas que seguem.

A alta renda também mantém uma relação bastante pulverizada com as instituições financeiras. Em média, os entrevistados têm contas em 8,7 instituições, sendo que 92% possuem contas em bancos tradicionais e 89% em bancos digitais. 

A multiplicidade de relacionamentos também aparece na contratação de produtos: no caso dos seguros, por exemplo, a proporção entre a alta renda é de 68%, contra 33% entre os bancarizados em geral. Nas contas globais, a diferença é de 57% contra 31%.

No crédito, as taxas são o principal fator de decisão para 65% dos entrevistados, mas estão longe de ser a única preocupação. Para 61%, é fundamental ter um limite de crédito compatível com suas necessidades; 59% valorizam prazos e condições flexíveis, enquanto 57% apontam a facilidade e a pouca burocracia como fatores importantes. 

Mais da metade dos entrevistados não teve educação financeira formal na juventude. Por isso, 58% preferem delegar decisões financeiras a especialistas, contra 42% que gostam de cuidar pessoalmente dos investimentos.

“Para conquistar a alta renda brasileira, as instituições financeiras precisam ir além de produtos e taxas competitivas: devem oferecer personalização real, atendimento consultivo de excelência, portfólio diversificado (incluindo soluções globais e de proteção) e uma experiência que reconheça o valor e a complexidade desse cliente,” diz o estudo do Google.




Fabiane Stefano






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