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A Minerva Foods está adaptando sua estratégia para manter sua participação no mercado chinês diante das cotas de exportação impostas pelo governo da China. A empresa planeja utilizar as operações de países vizinhos da América do Sul, como Argentina, Uruguai e Colômbia, para compensar a limitação de 1,1 milhão de toneladas de carne que o Brasil pode exportar. Apesar das restrições, a expectativa é que os volumes exportados para a China em 2026 permaneçam semelhantes aos do ano anterior.
A China representou 32% das exportações da Minerva nos últimos 12 meses, enquanto os EUA, com 12%, também se destacaram como um importante mercado. A empresa reportou um lucro líquido ajustado de R$ 196,9 milhões no segundo trimestre de 2026, uma queda de 57% em relação ao ano anterior, mas com um aumento de 125% em relação ao trimestre anterior. A alta nos preços do gado impactou as margens, mas a expectativa é de estabilização até o final do ano.
* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed
Com as cotas de exportação impostas pela China ao Brasil, a Minerva Foods traçou uma estratégia para preservar sua seu market share no país asiático. O plano é usar as operações dos vizinhos da América do Sul para abastecer o mercado por lá. Com isso, a expectativa da empresa é manter estáveis os volumes exportados para a China neste ano.
“Teremos um rebalanceamento e um redirecionamento de países de origem A para mercados B e de países B para a origem A”, disse Fernando Queiroz, CEO da Minerva Foods, em conversa com jornalistas.
O governo chinês impôs uma cota de 1,1 milhão de toneladas de carne para o Brasil neste ano, enquanto o país enviou 1,7 milhão em 2025. O patamar estipulado para 2026 ainda não foi atingido oficialmente, já que a cota só é contabilizada quando a carne entra na China. Na prática, porém, a indústria brasileira considera que o limite já foi alcançado ao levar em conta o tempo de transporte.
“Apesar do Brasil estar fechado, porque as cotas acabaram, nossos volumes para a China em 2026 vão ficar praticamente iguais aos do ano passado. Vamos suprir essa diferença com volumes de Argentina, Uruguai e Colômbia”, afirmou Edison Ticle, CFO da Minerva Foods.
O continente asiático totalizou 39% do total exportado pela empresa nos últimos 12 meses encerrados no segundo trimestre, aumento anual de 6 pontos, sendo o principal destino das exportações. A China representou 32% das exportações no período.
Já a região norte-americana foi o segundo principal destino, tendo os Estados Unidos como o grande vetor de demanda. O país alcançou uma fatia de 12% e a expectativa é de crescimento da participação no segundo semestre.
“Os EUA seguem enfrentando uma oferta restrita de gado, o que pressiona os custos locais e limita a produção doméstica de carne bovina, abrindo espaço para os exportadores da América do Sul”, diz a empresa, por meio do release de resultados.
Nesse cenário, os mercados chinês e norte-americano representaram, respectivamente, 18% e 12% da receita de exportação da Minerva no segundo trimestre de 2026.
Segundo Queiroz, o Brasil e os vizinhos cumprem um papel importante no fornecimento mundial de carne. Para ilustrar, destacou que a Austrália, um dos últimos competidores em termo de volume, tem passado por um movimento de subida de preço e redução de volume.
“Isso deve se traduzir em um espaço maior e um poder de precificação mais forte para os países da América do Sul”, projetou o CEO.
Sobre o desempenho brasileiro, o executivo avalia que o mercado interno tem surpreendido positivamente. “Mesmo com o endividamento e a alta dos juros, vemos um consumo estável e pouco elástico”, afirmou.
Balanço pressionado
A Minerva reportou lucro líquido de R$ 196,9 milhões no segundo trimestre de 2026, queda de 57% em relação a igual intervalo do ano passado, mas alta trimestral de 125%. Entre os fatores de pressão, está o recuo de 5,5% no Ebitda, que atingiu R$ 1,23 bilhão, com margem Ebitda de 8,7% ante 9,4% um ano antes.
“O que explica essa piora de margem ano contra ano é a alta do preço do boi, basicamente. O gado hoje está cerca de 27% mais caro, em média”, afirmou Ticle.
“Mas, até o final do ano, a expectativa é de redução, com maior estabilidade na média dos preços”, complementou.
Já a receita líquida somou R$ 14,1 bilhões no trimestre, crescimento de 1,3% ante um ano antes, refletindo a melhor dinâmica de preços no período, segundo a companhia.
A alavancagem, por sua vez, medida por dívida líquida sobre Ebitda dos últimos 12 meses, ficou em 2,9 vezes, diante dos maiores investimentos em capital de giro. No trimestre imediatamente anterior, o indicador estava em 2,7 vezes.
O resultado financeiro líquido do trimestre foi negativo em R$ 756,8 milhões, piora de 26,7% na comparação anual. De acordo com o release de resultados, a diferença é explicada especialmente pelo efeito não-caixa da variação cambial, que contribuiu com um resultado positivo de R$ 128,6 milhões no segundo trimestre de 2025, enquanto foi negativa em R$ 35,2 milhões no mesmo período deste ano.
Na B3, a ação BEEF3 acumula queda de 38,7% no ano. O valor de mercado da companhia é de R$ 3,3 bilhões.




