Gianni Infantino, o presidente da Fifa, encarna como ningúem a máxima: diga-me com quem andas
Eliane Sobral
Gianni Infantino podia não ser uma unamidade. E não era. Mas estava longe de ter ameaçado seu poder à frente da Fifa. Há 15 dias, quando a Espanha levantou a taça de campeão do mundo, Infantino era só sorrisos com a conclusão da “melhor Copa de todos os tempos”. Àquela altura, não havia nenhum candidato conhecido querendo disputar com ele um novo mandado à entidade que comanda o futebol no mundo – a eleição é em março de 27.
Como não há bem que sempre dure, nem mal que nunca se acabe, Infantino foi do céu ao inferno em apenas 15 dias. Bastou ele trazer à luz a “brilhante” ideia de lançar uma empresa para vender as propriedades comerciais das competições organizadas pela entidade – além das copas do mundo masculina e feminina, o Mundial de Clubes.
Foi aí que as águas do tranquilo Lac Léman se tornaram revoltas como nunca antes na história da pacata cidade suíça de Nyon. Para quem não está ligando o nome ao endereço, é ali que fica a sede da Uefa, a poderosa entidade que reúne os times europeus – os primos ricos do futebol global. Em outras palavras, uma entidade tão poderosa quanto a própria Fifa.
A Uefa deu início ao funeral da “jenial” ideia de Infantino de vender 20% das propriedades comerciais da Fifa a um grupo de investidores. O argumento? Mais singelo impossível: boicote dos europeus à toda e qualquer competição organizada pela Fifa.
Infantino nunca inventou um prêmio da paz para o presidente da Uefa. Também não se tem notícias de que tenha interferido em um decisão de campo para reverter um cartão vermelho a pedido de Aleksander Cerfin, até porque, o presidente da Uefa jamais faria isso.
A diferença entre Cerfin e Infantino é que para um, o futebol é um grande ativo que precisa ser bem cuidado e protegido, enquanto que, para o outro, o futebol é um excelente meio para fazer amigos e influenciar pessoas – principalmente as poderosas.
Poucos dias depois de surgida a “brilhante ideia” de privatizar a Fifa, veio à tona quem era o principal interessado na oportunidade: o investidor Joshua Kushner. E quem é Joshua Kushner? Irmão de Jared que, por sua vez, é casado com Ivana que, por sua vez, é filha de Donald (sempre ele) Trump que, por sua vez, tornou-se o mais novo “best friend forever” de Gianni Infantino.
A proximidade de Infantino com o presidente americano só não chamou mais a atenção que o físico e o sorriso perfeitos de Jude Bellingham, meio campo da Inglaterra. A diferença é que o belo Bellingham saiu da Copa muito maior do que entrou. Já Infantino vive um inferno de onde, quase diariamente, surgem labaredas de decisões pouco ortodoxas e mais opositores à sua permanência à frente da Fifa. Março ainda está longe, mas parece que a chama do fogo do inferno continuará intensa até lá.




