Modelos de inteligência artificial mais avançados podem ampliar a escala e a sofisticação dos ciberataques nos próximos meses, segundo cerca de 120 organizações que assinaram uma carta aberta pelo reforço das defesas digitais. Entre as signatárias estão rivais como OpenAI, Anthropic e Google.
Por meio do pronunciamento intitulado “A call for collective action on cyber defense”, o grupo afirma que há uma janela limitada para se preparar para esse cenário e defende uma mobilização global que envolva empresas, governos e desenvolvedores de IA.
A lista de signatárias inclui também Microsoft e Amazon Web Services (AWS), além de empresas como AMD, Broadcom, IBM, Oracle, Cloudflare, CrowdStrike, Mastercard, Visa, Citi, General Motors e Deutsche Telekom.
A carta propõe três princípios para uma resposta coletiva. O primeiro é reconhecer que os padrões atuais de segurança não serão suficientes diante de falhas antigas, permissões excessivas, configurações inadequadas e sistemas desatualizados.
A carta defende ainda a ampliação do acesso das equipes de cibersegurança a modelos de IA e uma resposta global, com novas parcerias para elevar os padrões de proteção e buscar soluções para ameaças emergentes.
O documento detalha o que diferentes setores devem fazer para minimizar os riscos. Aos governos, recomenda maior coordenação nos níveis local, nacional e internacional, compartilhamento de informações e prioridade no financiamento da defesa cibernética de serviços essenciais que não tenham equipes ou orçamento suficientes.
Para as empresas, a principal orientação é direta: “Façam da defesa cibernética uma prioridade imediata da liderança”. Isso inclui corrigir as vulnerabilidades de maior risco, reforçar os controles de acesso e elevar os padrões dos sistemas desenvolvidos ou adquiridos.
Às companhias de cibersegurança e aos parceiros de tecnologia, a carta afirma que cabe testar continuamente as defesas contra os modelos mais avançados, reforçar as ferramentas com IA e compartilhar informações sobre ameaças e procedimentos de resposta. A proposta inclui apoio aos operadores de infraestrutura crítica na implementação das soluções e na verificação das correções.
Já as empresas que desenvolvem os modelos de IA mais avançados devem oferecer acesso responsável à tecnologia, financiamento, treinamento e apoio técnico, sobretudo às organizações de infraestrutura crítica com menos recursos. Entre as medidas estão investimentos em monitoramento contínuo, testes autorizados e mecanismos que permitam identificar e responsabilizar agentes autônomos.
“Podemos tornar mais segura a infraestrutura digital da qual todos dependemos”, afirma a carta. Para isso, as signatárias pedem que líderes empresariais e governamentais mobilizem tecnologia, recursos e conhecimento em torno da defesa cibernética.
A prioridade é ampliar o acesso das equipes que protegem serviços essenciais às ferramentas de IA, corrigir as vulnerabilidades mais perigosas, verificar as soluções e compartilhar o que funcionar. O objetivo, segundo o grupo, é transformar os avanços atuais da tecnologia em melhorias duradouras de segurança.




