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quinta-feira, agosto 27, 2026

CEOs melhoram equilíbrio entre trabalho e vida pessoal, mas seguem hiperconectados

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Os presidentes de empresas brasileiras avaliam de forma positiva a relação entre a carreira e a vida pessoal, embora ainda enfrentem dificuldades para se afastar das responsabilidades profissionais nos períodos de descanso. É o que mostra o relatório CEOs do Brasil, levantamento realizado pela EXEC em parceria com o Great Place to Work Brasil.

O estudo traçou um panorama da alta liderança no país ao analisar características demográficas, hábitos pessoais, perspectivas profissionais e desafios relacionados à sucessão, à gestão de pessoas e ao avanço da inteligência artificial.

Em uma escala de 1 a 5, 60,3% dos entrevistados atribuíram notas altas ao equilíbrio entre trabalho e vida pessoal. Desse grupo, 46,5% escolheram a nota 4 e 13,8% deram a avaliação máxima. Outros 31,8% indicaram a nota 3, enquanto 6,5% assinalaram 2 e apenas 1,4% optou pela nota 1.

A maioria também reserva períodos regulares para férias. Entre os participantes, 34,6% descansam de 11 a 20 dias por ano e 34,1%, de 21 a 30 dias. Outros 21% afirmaram usufruir mais de 30 dias anuais.

O afastamento formal, porém, não representa uma interrupção efetiva do trabalho para boa parte dos dirigentes. Segundo o levantamento, 53,5% continuam envolvidos com as atividades da empresa durante as férias. A dificuldade é maior entre as mulheres: 60,9% das executivas permanecem conectadas, ante 51,5% dos homens.

“Há muito tempo se vê discussões no mercado sobre a necessidade de se buscar uma relação mais saudável com o trabalho, para que as lideranças possam exercer suas funções sem se desconectar de si mesmos e de suas famílias. Houve muito empenho para que se alcançasse esse equilíbrio, que ainda pode ser aprimorado. Os números da pesquisa revelam uma realidade que pode ser referência para a nova geração de líderes que surgirá nos próximos anos”, disse Tatiane Tiemi, CEO do Great Place to Work Brasil.

Os hábitos de sono e a prática de exercícios também foram considerados. A maior parcela dos entrevistados dorme seis ou sete horas por noite, proporção de 36,9% e 37,3%, respectivamente. Outros 14,7% alcançam oito horas diárias, enquanto 9,2% dormem cinco horas e 0,5%, apenas quatro. A atividade física está presente na rotina de 87,1% dos CEOs, enquanto 12,9% afirmam não se exercitar regularmente.

Apesar dos indicadores favoráveis sobre qualidade de vida, a ausência de planejamento sucessório aparece como um dos principais pontos de atenção. Apenas 16,1% dos CEOs dizem contar com um profissional preparado para assumir o comando da companhia. Outros 41% não sabem quem poderá ocupar o posto futuramente.

Segundo Rodrigo Forte, sócio da EXEC, os dados evidenciam uma deficiência na preparação de novas lideranças. “A competência que forma sucessores é justamente a mais deficiente, e isso não é um problema pequeno. Sucessões desestruturadas fazem com que o risco organizacional aumente. A maioria das empresas no Brasil é familiar, de capital fechado, e lidera estruturas mais enxutas O mercado precisa estar atento a esse fator”, alertou.

A perspectiva de deixar o mercado de trabalho também parece distante para uma parcela relevante dos entrevistados. Cerca de 19,3% afirmam não ter planos de se aposentar. Entre aqueles que estabelecem uma idade para encerrar a carreira, 24% pretendem fazê-lo entre os 60 e os 65 anos, e 17,5%, entre os 65 e os 70.

Outros 11,1% esperam continuar trabalhando dos 70 aos 75 anos. Há ainda 6,9% que planejam manter alguma atividade profissional depois dos 80.

Inteligência Artificial exige gestores

A Inteligência Artificial já integra a agenda estratégica da maior parte das empresas. Para 76,9% dos CEOs, a tecnologia está modificando rapidamente o exercício da liderança. Ao mesmo tempo, quase 30% apontam a escassez de gestores qualificados para orientar sua aplicação nos negócios.

“Uma grande parcela das iniciativas de IA falharam em 2025 por gap de liderança, não de tecnologia. Ou seja, efetividade da Inteligência Artificial deixa de ser um problema técnico e se torna desenvolvimento de liderança”, afirmou Rodrigo Forte.

O resultado sugere que o desafio das empresas deixou de estar concentrado apenas na infraestrutura tecnológica. A capacidade de definir objetivos, integrar equipes e transformar ferramentas em resultados passou a depender diretamente da preparação dos responsáveis pela tomada de decisão.

O perfil demográfico mostra que 78,8% dos participantes são homens. A faixa entre 50 e 59 anos concentra 36,9% dos CEOs, seguida pelo grupo de 40 a 49 anos, com 35%. Os profissionais com mais de 60 anos representam 17,5% da amostra.

Embora ocupem uma parcela menor dos principais cargos corporativos, as mulheres apresentam, em média, nível mais elevado de especialização. Entre as executivas, 73,9% têm pós-graduação ou MBA, percentual superior aos 60,8% registrados entre os homens. Em ambos os grupos, predomina a formação em instituições privadas.

O percurso até a presidência também apresenta diferenças. Para 40,6% dos entrevistados, comandar uma empresa tornou-se um objetivo ao longo da trajetória profissional. Entre as mulheres, entretanto, 60,9% afirmaram que a posição surgiu como consequência do desenvolvimento da carreira, e não como um plano inicialmente estabelecido.

A chegada à presidência ocorre principalmente entre os 31 e os 40 anos. Depois de alcançado o posto, a permanência tende a ser prolongada. Segundo o levantamento, 31,8% estão na função há um período de seis a dez anos, enquanto 24,9% ocupam a cadeira há mais de 15 anos.

Entre as competências consideradas mais importantes para a liderança contemporânea, 40,6% destacam a visão estratégica e 37,8%, a inteligência emocional. Na avaliação dos profissionais das equipes, 64,5% priorizam a entrega de resultados, 46,5% valorizam o alinhamento aos princípios da companhia e 37,8% mencionam a resiliência.

Atuação além das empresas

A presidência não é a única ocupação profissional de muitos dos participantes. Quase 30% integram conselhos de administração, 27,6% trabalham como mentores, 21,2% realizam investimentos e 19,4% mantêm outros empreendimentos. O voluntariado faz parte da rotina de 22,6%, enquanto 13,8% também se dedicam à docência.

As escolhas variam conforme o gênero. As mulheres apresentam maior participação em conselhos, com 32,6%, e em atividades acadêmicas, com 19,6%. Entre os homens, 24% atuam como investidores e 22,8% administram negócios paralelos.

Incerteza MARCA as perspectivas

O cenário brasileiro para os próximos três anos é visto com incerteza por 61,8% dos CEOs. Outros 34,6% permanecem otimistas e somente 3,7% manifestam uma visão pessimista.

O resultado representa uma mudança em relação ao Relatório Tendências em Gestão de Pessoas 2026, também produzido pelo GPTW. Naquele levantamento, o otimismo ainda era a percepção predominante, embora já apresentasse redução gradual.

“Apesar da incerteza externa, os desafios priorizados pelos CEOs, como liderança, pessoas e sustentabilidade, são fatores sobre os quais a organização tem maior capacidade de atuação. Para os CEOs, agora é fortalecer capacidades internas diante de um ambiente externo imprevisível. Afinal, saber se adaptar a novos cenários é o que tem feito CEOs de diferentes setores conquistarem espaço e credibilidade no mercado”, completou Forte.

 






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