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quinta-feira, agosto 27, 2026

Da feira de ciências ao ROI: como PicPay e Microsoft estão transformando a IA em negócio real

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A inteligência artificial (IA) se tornou um tema central em diversas discussões econômicas, com um amadurecimento significativo em suas aplicações nos últimos anos.

Durante o NeoSummit IA, Priscyla Laham, da Microsoft Brasil, destacou que antes a IA era vista como projetos desconectados dos objetivos de negócio, mas agora já apresenta resultados efetivos.

O PicPay, por exemplo, implementou o ChatGPT em seu atendimento, melhorando o NPS em 45 pontos e reduzindo custos em 97%. O banco também lançou um assistente de IA para transações via WhatsApp e um agente de marketing para pequenas empresas, impactando mais de um milhão de clientes.

A dupla destacou, por sua vez, os desafios de custos com o uso intensivo da IA e a necessidade de  equilibrar eficiência e despesas. Nessa direção , ambos enfatizaram a importância de trabalhar com diferentes modelos adequados para maximizar resultados e minimizar custos.

* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed

É inevitável. Atualmente, seja qual for o segmento da economia – do varejo à mineração, passando pelas finanças e também pela tecnologia -, a inteligência artificial (IA) será um dos pontos abordados no roteiro de qualquer discussão. E, muitas vezes, como protagonista.

O fato é que, como em qualquer nova onda de inovação – ainda mais dessa magnitude -, uma questão começa a ganhar força: a IA ainda está mais restrita a esse burburinho ou realmente começa a ser colocada em prática, em aplicações mais avançadas e com resultados efetivos para o negócio?

“Ao longo dos últimos dois, três anos, houve uma evolução e um amadurecimento muito grande no uso da inteligência artificial”, disse Priscyla Laham, presidente da Microsoft Brasil, durante o painel de abertura do NeoSummit IA na Real, evento do NeoFeed, realizado na manhã de quinta-feira, 27 de agosto.

“Antes, a impressão que eu tinha era de que nós vivíamos numa feira de ciências. As áreas de tecnologia criavam projetos e se apaixonavam por eles. E eles quase nunca estavam relacionados ao objetivo de negócio e a um retorno sobre investimento. E caíam no esquecimento”, complementou ela.

O PicPay é uma das empresas brasileiras que investiram cedo nesse conjunto de tecnologias. No início de 2023, quatro meses depois do lançamento do ChatGPT, o banco digital já usava a ferramenta da OpenAI no atendimento. E, no mesmo ano, migrou toda essa área para o modelo.

“Esse foi talvez o nosso primeiro grande projeto em IA”, afirmou Eduardo Chedid, CEO do PicPay. “Em um ano, ganhamos 45 pontos de NPS (Net Promoter Score). O atendimento melhorou substancialmente e fazendo a mesma coisa a 3% do custo anterior. Abrimos com chave de ouro nossa incursão em IA”.

Três anos depois, o PicPay foi além do atendimento e abriu outras portas para o uso da IA na ponta dos clientes. Uma dessas aplicações é o seu assistente de IA, cuja primeira versão permitia a realização de transações Pix via WhatsApp, por meio de recursos como áudio ou imagens de uma conta.

Agora, o banco vai lançar a segunda versão da ferramenta, que já está disponível para cerca de 150 mil clientes e que, nas próximas semanas, será estendida a toda base de 70 milhões de clientes. Além do WhatsApp, o novo assistente terá integrações com o ChatGPT e o Claude, da Anthropic.

Em um dos exemplos dos avanços, o cliente consegue pedir ao assistente que analise e retire um determinado valor dos seus investimentos de menor rendimento para pagar todas as suas contas daquele dia. E que ele ainda deixe um determinado saldo na conta desse correntista.

Já na pessoa jurídica, o PicPay lançou recentemente um agente de marketing cuja premissa é aumentar as vendas de empresas de pequeno porte, por meio de campanhas que usam recursos de geolocalização e definem qual é o melhor público para aquele negócio dentro da carteira de clientes do PicPay.

Eduardo Chedid, CEO do PicPay: “Nós temos 4,5 mil funcionários e, hoje em dia, 4,4 mil são ativos no uso de IA. E um índice de pouco mais de 50% usam todos os dias”

Priscyla Laham, presidente da Microsoft Brasil: “Ao longo dos últimos dois, três anos, houve uma evolução e um amadurecimento muito grande no uso da inteligência artificial”

“Em cinco dias, tivemos 10 mil pequenos negócios querendo usar a ferramenta, com 1,5 mil campanhas criadas e mais de um milhão de clientes impactados por essas campanhas”, disse Chedid. “Esses são dois extremos de como estamos usando IA para facilitar a vida dos clientes”.

O PicPay também já coleciona números turbinados pelo uso interno da IA. No desenvolvimento de software e de produtos, a tecnologia trouxe um ganho de produtividade de 60% por funcionário, além de um “reforço” de 30% novos profissionais que, até então, não entregavam projetos.

“Nós temos 4,5 mil funcionários e, hoje em dia, 4,4 mil são ativos no uso de IA. E um índice de pouco mais de 50% usam todos os dias”, afirmou Chedid. “Essa utilização aumentou muito e, ao mesmo tempo, o consumo de tokens explodiu”.

Laham, da Microsoft, destacou que a gigante de Redmond enfrentou o mesmo dilema, ao testemunhar a fatura que o uso intensivo da IA trazia para a companhia. E explicou como a empresa, que é a maior investidora da OpenAI, e Satya Nadella, seu CEO, lidaram com essa questão.

“O Satya colocou a Microsoft como uma empresa de plataforma e não de modelo. Você tem a OpenAI, a Anthropic, mas hoje, na nossa plataforma, temos 11 mil modelos”, disse ela. “As empresas que vão ser mais bem-sucedidas são aquelas que combinarem a melhor resposta do projeto com o menor custo. E isso passa pela escolha do modelo”.

Chedid seguiu na mesma linha: “Você não quer usar um canhão para matar uma formiga, então, você utiliza adequadamente os modelos”, afirmou o CEO do PicPay, que também contou quais outros expedientes o banco usou para enfrentar a “conta” da IA, além de recorrer a diferentes modelos.

Além do uso de diferentes modelos, o PicPay tem recursos como uma ferramenta desenvolvida internamente, que funciona como um tradutor para adequar e tornar mais eficiente os prompts de funcionários, antes que eles sejam enviados.

“Nos últimos dois anos, nosso custo unitário por token diminuiu 98%”, disse Chedid. “Nós viemos aprendendo, mas é um caminho longo para conseguir que esse uso não impacte o custo da empresa ao ponto de inviabilizar o uso da IA”.



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