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quinta-feira, julho 30, 2026

Tempestades dão trégua no Sul nos próximos dias

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Depois das fortes chuvas e tornados registrados no Sul do País e das ventanias no Sudeste, as tempestades darão trégua em boa parte das duas regiões até o início da semana que vem.

A exceção ficará no oeste do Rio Grande do Sul, onde o acumulado de chuva passará dos 50 milímetros até quarta-feira (5), mantendo elevado o nível do rio Uruguai e dificultando as atividades de manutenção das culturas de inverno.

Até pelo menos meados da segunda semana de agosto, a chuva deve permanecer forte no oeste do Rio Grande do Sul e parte do Mato Grosso Sul. Já o centro e o norte do País passarão por um prolongado período com tempo seco e calor acima do normal.

Para a colheita de milho, algodão, café e cana-de-açúcar, as condições são favoráveis. Ao mesmo tempo, no entanto, a quantidade de queimadas aumenta cada vez mais, especialmente nos estados de Tocantins, Mato Grosso e Pará.

Além do Brasil, nos próximos dias temos de ficar de olho no Meio Oeste americano. O último reporte do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) indicou diminuição da quantidade de lavouras em boas condições, de 67% para 63% em uma semana.

A questão gira em torno do calor excessivo e das chuvas que acontecem de forma esparsa. Neste fim de semana, a estiagem e o calor darão uma pequena trégua, pois há previsão de chuva no Meio Oeste.

Na Europa, a situação é de emergência pelos incêndios florestais e grandes perdas na agricultura, especialmente no trigo e milho. A situação pouco mudará até o início da semana que vem, com calor acima do normal e pouca chuva em boa parte do continente.

O início do El Niño

A formação do fenômeno El Niño chamou atenção por ter sido muito rápida. Entre fevereiro e abril, a anomalia de temperatura do Pacífico equatorial ainda era negativa, em -0,4°C. Entre abril e junho, ela já era positiva, em +0,5°C.

Mesmo em outros anos em que o aquecimento do Pacífico foi rápido, como em 1997, não houve algo tão precoce. No fim do século passado, a anomalia de temperatura do Pacífico passou de +0,2°C entre fevereiro/março/abril para +1,0°C em abril/maio/junho, com diferença de +0,8°C, ante +0,9°C neste ano.

Portanto, a chance do atual fenômeno figurar entre os quatro mais fortes registrados desde 1950 é muito elevada.

Os efeitos na próxima safra

O efeito do aquecimento do Pacífico deverá ser sentido até pelo menos o outono de 2027. Os efeitos para o agro são conhecidos, como o excesso de chuva no Sul e tempo mais seco e quente no Matopiba. Porém, à medida que nos aproximamos do início da próxima safra, as simulações começam a dar dicas de como estará o tempo no Sudeste e no Centro-Oeste.

Em Mato Grosso, região do Parecis, por exemplo, as previsões indicam a possibilidade do início do período úmido se antecipar para antes do término da janela de vazio sanitário, o que poderia ajudar em um plantio mais rápido que nos dois anos anteriores.

Porém, entre a segunda quinzena de outubro e o mês de novembro, com as frentes frias paradas sobre o Sul, os modelos indicam chuvas mais irregulares sobre o centro e oeste do Mato Grosso. Por enquanto, isso não sugere problemas no desenvolvimento da soja no estado, mas será algo para monitorarmos, especialmente em municípios cujo solo é mais arenoso.



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