O produtor rural está comprando menos tecnologia na semente, numa estratégia que pode ter impactos em produtividade na próxima safra. Segundo Marino Colpo, CEO da Boa Safra, a venda de tratamento de sementes com alta tecnologia está aquém dos anos anteriores.
Hoje, a Boa Safra oferece tratamentos de semente (chamados de TSI, no jargão) que variam R$ 1,5 mil a R$ 5 mil. Esses valores são adicionais ao preço do big bag de soja, na casa de R$ 8 mil a R$ 10 mil.
“No de R$ 5 mil, nossa margem é muito melhor, é até maior do que a de R$ 1.500, mas o produtor está muito reticente, segurando tecnologia. Focando na qualidade da semente, mas num tratamento mais básico”, disse Colpo, em call com investidores.
Por causa dessa opção, o executivo acredita em uma oferta “um pouco menor” de soja no ano que vem, o que daria suporte às expectativas de aumento de preços do grão ao longo do ano que vem.
“Se todo mundo usa menos tecnologia, produz menos, e como a relação de oferta e demanda está mais equilibrada, quando [a oferta] cair um pouco, o preço vai ser firme”, disse Colpo.
O executivo frisou que não se trata ainda de um bull market, mas de uma recuperação em relação aos patamares vistos nos últimos anos.
No último mês, o preço da saca de soja subiu 6%, segundo o indicador Cepea-Esalq, baseado nos preços de Paranaguá. No dia 14 de agosto, estava em R$ 148,95.
Sementes melhores
Apesar de buscar tratamentos mais módicos, o produtor continua buscando sementes de qualidade — e, neste ano, a Boa Safra teve mais condições de oferecer. Segundo os executivos, este deve ser o ano da história da companhia em termos de qualidade de sementes.
Pelo fato de a empresa ter sido muito mais seletiva, inclusive na entrada de produtos para beneficiamento, a produção de sementes de soja deve ficar em 90% da capacidade da companhia, ou cerca de 252 mil big bags.
A expectativa, segundo Colpo, é que o aumento da qualidade consiga fazer com que a empresa tenha menos perdas do que no ano passado — melhorando a eficiência da operação.
“No ano passado, a margem da companhia caiu muito em função de sobras elevadas. Tivemos 25% de volume de sobras, quando a nossa média era de 20%, chegando até a 17% em alguns anos”, disse Colpo.
No esforço operacional para reduzir perdas — e recuperar margem — além do foco em qualidade, a Boa Safra também trabalha em redução de portfólio para o próximo ano, além de aumento de eficiência na produção de plantas inauguradas mais recentemente.
“Tem trabalho a ser feito, mas são notáveis todos os índices subindo de eficiência. Nós ganhamos eficiência em todas as nossas fábricas”, disse Colpo.
Melhora financeira
Ao longo do segundo trimestre, a companhia também mostrou uma eficiência maior também do lado financeiro, mais especificamente do capital de giro. A melhora, segundo Felipe Marques, CFO da Boa Safra, tem a ver com negociações de pagamento de royalties.
“Se for fazer antecipação, é para conseguir condições melhores do que as do ano passado, já que o dinheiro está mais caro. Se não conseguir isso, posterga o pagamento e alivia capital de giro”, afirmou Marques, no call. As conclusões dessas negociações, segundo o CFO, devem evoluir ao longo do terceiro trimestre.
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Os papéis da Boa Safra (SOJA3) sobem quase 19% nesta tarde, no primeiro pregão depois da divulgação dos resultados do segundo semestre. Mesmo assim, em um ano, caem 36%, cotados a R$ 5,97. Na B3, a empresa está avaliada em R$ 709,5 milhões.




