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segunda-feira, agosto 17, 2026

Aquaponia impulsiona agricultura urbana Agrimidia

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A integração entre a criação de organismos aquáticos e o cultivo de vegetais sem solo desponta como uma solução tecnológica para o abastecimento das cidades. Desenvolvida pelo Instituto de Pesca (IP-APTA), órgão vinculado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, a pesquisa com aquaponia avalia o impacto do sistema na viabilidade de fazendas urbanas e na preservação de recursos naturais.

O projeto AQUACAPACITA, executado no Serviço Regional de Pesquisa de Pirassununga, integra a iniciativa AQUAINTEGRA, financiada pela FAPESP. A proposta busca transformar estruturas urbanas ociosas em polos produtivos eficientes, promovendo a segurança alimentar com menor impacto ambiental.

Funcionamento do Circuito Fechado

A aquaponia opera por meio de um ecossistema produtivo dividido em etapas biológicas interdependentes:

  • Organismos aquáticos: Alimentados com ração balanceada, os peixes eliminam resíduos ricos em amônia.

  • Bactérias nitrificantes: Microrganismos convertem a amônia presente na água em nitrito e, posteriormente, em nitrato.

  • Cultivo de plantas: Os vegetais absorvem o nitrato como fonte primária de nutrientes, filtrando a água antes que ela retorne purificada para os tanques dos peixes.

Vantagens da Produção em Centros Urbanos

  • Economia hídrica: O ciclo fechado de recirculação utiliza cerca de 10% do volume empregado na agricultura convencional em solo, com perdas restritas à evaporação natural.

  • Redução da pegada de carbono: A proximidade entre o local de colheita e o consumidor final elimina o transporte de longa distância, aplicando o conceito de quilômetro zero.

  • Aproveitamento vertical do espaço: O sistema permite a instalação de hortas verticais em galpões industriais desativados, subsolos e coberturas de edifícios, viabilizando o cultivo de folhosas e a criação de peixes como a tilápia.

Desafios Técnicos e Perspectivas Tecnológicas

O avanço da aquaponia da fase experimental para o mercado comercial exige a superação de gargalos operacionais, como o manejo simultâneo das exigências térmicas e químicas de peixes, plantas e bactérias. Além disso, os custos com energia elétrica para o acionamento de bombas e iluminação artificial representam desafios à rentabilidade.

Para contornar essas limitações, estudos analisam a incorporação de automação por meio de inteligência artificial e sensores de Internet das Coisas (IoT), capazes de monitorar a qualidade da água, além do uso de fontes renováveis de energia.

Declarações Oficiais

De acordo com Marcello Boock, pesquisador científico e diretor da unidade do Instituto de Pesca em Pirassununga, “a expansão das cidades representa uma oportunidade para redesenhar a relação com a produção agrícola. A aquaponia surge como uma bioengenharia estratégica para a resiliência urbana, unindo a produção de proteínas animais e vegetais em um único ciclo livre de agrotóxicos.”

Segundo Marcello Boock, sobre o futuro do abastecimento nas grandes cidades, “a agricultura urbana deixa de ser uma atividade recreativa para se tornar uma necessidade de resiliência. Conforme os recursos naturais do campo se tornam mais restritos, verticalizar e integrar a produção de alimentos nas áreas urbanas será indispensável.”



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