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quarta-feira, setembro 2, 2026

Por dentro do kit de práticas regenerativas da PepsiCo na batata

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VARGEM GRANDE DO SUL (SP)* — A batata é um sustento que atravessa gerações na família Cazarotto, em Vargem Grande do Sul (SP). Ela está há décadas instalada na região, um dos maiores polos batateiros do País.

Comandada por Marcelo Cazarotto, filho de Ismael, que comprou as terras, a Fazenda Casa Branca tem produção, tamanho e estrutura profissionais. A propriedade virou exemplo na região e acumula reconhecimentos — como o Smart Farm 2026, um prêmio da John Deere para propriedades referências em tecnologia, conectividade e excelência operacional.

Mas existe um antes e um depois nessa história, diz Cazarotto: a PepsiCo, gigante global de alimentos dona das famosa batatas chips Lay’s e Ruffles.

Desde que viraram fornecedores da empresa, há 15 anos, aderindo a seus protocolos regenerativos e replicando métodos e pesquisas, a fazenda e a família prosperaram. “Antes, a gente ficava à mercê do mercado, nunca sabia o que ia ser. Hoje, tem um contrato e sabe que, se tiver produção, vai ter preço e retorno”, diz Cazarotto.

Ele falou com o The AgriBiz na sede da beneficiadora de batatas do Grupo Cazarotto na cidade — enquanto produtores menores usam estruturas coletivas ou de cooperativas, os Cazarotto têm sua própria planta, com cerca de 50 funcionários.

O fornecimento traz outros benefícios além do financeiro, afirma. “A empresa é dinâmica, apresenta muitas inovações e está sempre na frente. Isso faz com que a gente chegue em tecnologias novas muito rápido.”

Assistência

O time de fornecedores é seleto: hoje, a PepsiCo compra batata de 23 produtores em seis estados. São 120 mil toneladas por ano, parte de 450 mil toneladas de produtos agrícolas — incluindo outras matérias-primas, como aveia, milho, cacau e coco, usadas em produtos como Toddy e Toddynho, Doritos, Cheetos e Kero Coco.

Na batata, que, nesse caso, é a comum, conhecida como “inglesa”, ser fornecedor da PepsiCo implica em receber assistência — acesso a produtos e serviços pagos pelo produtor, em alguns casos com a própria produção — em diversas frentes.

A empresa tem seu protocolo de agricultura regenerativa, o PepsiCo Positive, ou pep+. As regras atendem aos padrões mais exigentes, como os europeus, e ainda elevam a produtividade, que dobrou entre os parceiros nos últimos 20 anos, segundo a PepsiCo.

“Isso tem impacto positivo no planeta e é bom para os negócios. Os produtores economizam recursos naturais, usam mais bioinsumos e conseguem retorno. E nós temos uma batata de qualidade melhor e previsibilidade no abastecimento. É um círculo virtuoso”, disse Martin Ribichich, presidente da PepsiCo Brasil Alimentos, ao The AgriBiz, durante um dia de campo na Fazenda Casa Branca, o Demo Farm.

No evento, a PepsiCo e as parceiras reuniram cerca de 20 produtores, entre fornecedores e interessados em fornecer, para detalhar e disseminar as tecnologias.

Colheita e batatas que serão transformadas em snacks da PepsiCo | Crédito: Divulgação

O cardápio é diverso: irrigação, maquinário, sondas de solo, fertilizantes, defensivos, biológicos (hoje em 90% da área de batata, segundo a PepsiCo), análise de plantios via drones e satélites, painéis solares e até orientações sobre governança e sucessão.

Os resultados chamam a atenção. A gestão de irrigação poupou 60% de energia e permitiu aplicar fertilizantes com a água, com efeito na produtividade. As máquinas de preparo de solo, plantio e colheita cortaram à metade os tratores e economizaram 60% no diesel. A emissão de carbono caiu 45%, a mão de obra reduziu de 95 pessoas para 15, e as soluções de inteligência artificial aumentaram em 57% o estabelecimento das plantas.

Além disso, a PepsiCo tem uma divisão local de seu braço de pesquisa científica Agro Science que inclui um centro de melhoramento de variedades — boa parte da batata originada no País usa a variedade própria Fritolay. “É nosso maior diferencial frente às concorrentes”, ilustrou Felipe Carvalho, diretor de Agronegócios da PepsiCo Brasil.

Da lavoura ao pacote

Além da sustentabilidade, a PepsiCo quer que as chips sejam lembradas pelo frescor. Em parte da produção da Lay’s, incluindo edições especiais, como a Sal e Vinagre e as Rústicas Sour Cream e Sal Marinho, a empresa viabilizou o mote “Do campo ao pacote em 48 horas”.

Algumas dessas edições tiveram ainda uma rastreabilidade radical: via QR Code impresso na embalagem, o consumidor consultava de onde vinha a batata.

É uma missão desafiadora em termos agrícolas e logísticos, uma vez que o ciclo engloba a colheita, uma limpeza prévia em campo e sua remessa por caminhões à planta de beneficiamento. Lá, as batatas seguem dois destinos possíveis. Na primeira opção, são imediatamente lavadas, usando água 100% reutilizada, e separadas.

Nesse processo, são escolhidas as de tamanho médio, e separadas as pequenas ou grandes, que não gerariam chips de dimensão adequada para a boca humana. As batatas que não passaram no vestibular para chips são vendidas para entrepostos, como a Ceagesp, além de mercados e escolas, entre outros, segundo a PepsiCo.

Já as escolhidas passam por secagem. Na beneficiadora dos Cazarotto, o processo trocou recentemente o tradicional método de convecção a gás e escovação por um sistema de infravermelho, com ganhos de produtividade e menor emissão de carbono.

Depois, as batatas escolhidas, lavadas e secadas são colocadas em caminhões e levadas a uma das oito fábricas da PepsiCo no Brasil. Lá, são transformadas em chips e embaladas para remessa aos 65 centros de distribuição no País.

Outra parte da produção de chips tem prazos maiores. A empresa armazena em câmaras frias até 15% do volume utilizado, por 4 a 6 meses, para suprir demandas sazonais. Se necessário, o estoque de batatas é acessado, e elas seguem o mesmo processo de beneficiamento.

“Custa armazenar, mas é estratégico, pois num dia como hoje, de chuva, se não puder colher, o produtor tira do armazém e mantém a operação rodando”, explica Carvalho. Frente à incerteza do El Niño, a prevenção cresce: “Temos investido em construção e aluguel de câmaras frias; o estoque de segurança precisa ser um pouco maior.”

* O jornalista viajou a convite da PepsiCo.



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