18.6 C
São Paulo
quinta-feira, setembro 3, 2026

Depois do jejum, BrasilAgro quer voltar a vender terras em 2027

DEVE LER


Depois de vender mais de R$ 2 bilhões em fazendas ao longo dos últimos cinco anos, a BrasilAgro passou pelo ano fiscal de 2026 sem esse tipo de atividade, um fato inédito em mais de sete anos de operação. O jejum, no entanto, deve durar pouco tempo, sinalizou André Guillaumon, CEO da companhia.

A jornalistas, o executivo sinalizou que a BrasilAgro planeja voltar a vender terras ao longo do próximo ano fiscal. “É de esperar que a companhia vá vender mais R$ 2 bilhões nos próximos anos? Não. Vamos atuar na venda, mas de olho nas oportunidades de compra em meio ao stress do mercado”, disse.

Hoje, mesmo com o setor bastante machucado e com produtores rurais com a liquidez comprometida, a BrasilAgro vê oportunidades de transações graças à diversificação de regiões que construiu ao longo dos últimos anos.

“Se só tivéssemos fazendas no Mato Grosso, seria complicado, porque lá está sofrendo muito. Mas temos fazendas no Maranhão, Piauí, Bahia e no Paraguai”, lembrou o CEO, indicando a formação de “bolsões” de liquidez nesses diferentes estados.

No Mato Grosso, exemplificou o CEO, terras são vendidas a 1.200 sacas de soja por hectare. No Maranhão, esse número já pode cair para 300 a 400 sacas de soja por hectare em determinadas regiões. Na Bahia, fica entre 400 a 500 sacas — e tem ainda uma liquidez forçada pela irrigação, avalia Guillaumon.

Ao longo do último ano, a decisão da BrasilAgro de não vender fazendas esteve ligada ao cenário mais delicado na agricultura, especialmente em grãos, fazendo com que a companhia fosse ainda mais rigorosa ao analisar esse tipo de transação.

Para o CEO, no entanto, o pior já parece ter ficado para trás.

“Se você for olhar os dados do Banco Central, nos primeiros seis meses deste ano versus o ano passado, tem uma redução de 46% no número de recuperações judiciais. Vai continuar tendo? Vai, mas não acredito que seja no ritmo em que estava. A onda maior já passou”, diz Guillaumon.

O balanço

O fato de não ter vendido fazendas pesou sobre o balanço da companhia, divulgado nesta quinta-feira.

A receita caiu 20% no ano-safra 2025/26, mas o Ebitda ajustado despencou 63%, para R$ 99 milhões, refletindo principalmente uma redução de R$ 180 milhões relacionada a uma venda de terras realizada no ano anterior. Na última linha, a BrasilAgro teve prejuízo de R$ 90 milhões, revertendo lucro de R$ 138 milhões em 2025.

“Normalmente, o que entendemos é que nosso Ebitda deveria ficar em R$ 150 milhões a R$ 160 milhões”, sinalizou Gustavo Javier Lopez, CFO da BrasilAgro.

Neste ano, além da ausência de transações de terras, a companhia ainda enfrentou um percalço na operação de cana, que também derrubou o indicador.

Segundo Lopez, a redução de R$ 60 milhões entre o que seria o ideal e o que de fato foi realizado tem a ver com um atraso nas vendas de cana para usinas sucroalcooleiras, que tiveram um ritmo de processamento mais lento diante dos preços deprimidos do açúcar e do etanol, somada a perdas de produção por geada no início do ano.

As perspectivas de um El Niño no restante do ano (calendário) de 2026 não preocupam o CEO, pois a empresa tem pouca cana plantada em São Paulo, concentrando mais sua exposição no Mato Grosso, Goiás e Maranhão.

Soja em 2026/27

Para a safra 2026/27, o CEO destacou que a expectativa para a soja é de uma produtividade similar à da safra 2025/26, tendo em vista que a companhia deixou de plantar em algumas áreas marginais e manteve a adubação do solo.

“Fomos tomando posição de MAP desde o início do ano, compramos na casa dos US$ 580 um produto que hoje está custando US$ 840 [por tonelada]. Nosso custo aumentou 2%, mas está muito diferente da média”, afirmou Guillaumon.

No cloreto de potássio, a empresa manteve a estratégia de compras antecipadas, pagando em média US$ 310 a US$ 340 por tonelada, para um produto que hoje está na faixa dos US$ 385 por tonelada.

Na gestão desses insumos, a BrasilAgro optou por manter a adubação em áreas menos desenvolvidas e reduzir, onde fosse possível, a adubação nas áreas mais maduras dentro do portfólio da companhia.

“Se a gente reduzisse a aplicação de fosfatado, teria impacto na produtividade da soja. No Paraná, uma terra que está sendo adubada há 50 anos, pode reduzir a aplicação e manter a produtividade. Agora, se reduz 30% no Matopiba, reduz 30% [a produtividade]”, afirmou Guillaumon.



Fonte Link

- Publicidade -spot_img

Mais Artigos

- Publicidade -spot_img

Último Artigo