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segunda-feira, agosto 10, 2026

Pressionada por baixa demanda, Nissan adia elétricos nos EUA e revê estratégia | Empresas

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A Nissan Motor vai adiar em até um ano a produção de dois veículos elétricos nos Estados Unidos, conforme apurado pelo “Nikkei Asia”. A decisão ocorre após o governo Trump encerrar os incentivos fiscais para EVs (veículos elétricos), somada à baixa demanda, levando montadoras a repensarem seus planos.

A Nissan vai postergar a produção de dois SUVs elétricos de médio porte que seriam fabricados em sua planta no Mississippi. Inicialmente, a produção estava prevista para começar em 2028, mas agora foi adiada para o fim de 2028 ou início de 2029.

Um dos veículos adiados estava planejado para ser lançado sob a marca Nissan, enquanto o outro sairia sob a marca de luxo Infiniti.

A subsidiária norte-americana da Nissan afirmou em comunicado na segunda-feira (7) que decidiu fazer um leve ajuste nos planos de produção de EVs no Mississippi.

Até 2024, a Nissan planejava lançar cinco modelos elétricos nos EUA, mas depois suspendeu o desenvolvimento de um SUV compacto e de um sedã. Agora, a montadora pretende lançar três modelos elétricos no país.

Outras grandes montadoras japonesas também estão revisando seus planos. A Toyota Motor está adiando em dois anos a produção de um veículo elétrico nos EUA. A empresa vai interromper a produção de elétricos em sua fábrica em Indiana e aumentar a produção das versões híbridas e a gasolina do SUV Grand Highlander, que é popular no país.

A Honda Motor também cancelou o desenvolvimento de um grande SUV elétrico que havia sido considerado estratégico.

A lei “One Big Beautiful Bill Act” (Uma Grande e Bela Lei), sancionada na sexta-feira pela administração Trump, elimina os incentivos para compradores de VEs a partir do final de setembro. O subsídio, criado durante o governo do ex-presidente Joe Biden, originalmente valeria até o fim deste ano.

O objetivo era incentivar os americanos a comprarem EVs fabricados na América do Norte, oferecendo um crédito fiscal de até US$ 7.500. Em janeiro de 2023, o governo Biden flexibilizou a regra, permitindo que veículos fabricados fora da região também se qualificassem, desde que fossem adquiridos via leasing.

Segundo a empresa de pesquisa automotiva Cox Automotive, a participação de veículos elétricos adquiridos por leasing subiu de 10% em janeiro de 2023 para 66% em março de 2025. Montadoras estrangeiras como as japonesas e sul-coreanas oferecem poucos EVs fabricados na América do Norte e dependiam do apoio ao leasing para crescer no mercado dos EUA.

No mercado americano, não há veículos elétricos abaixo dos US$ 30 mil, limite considerado equivalente ao de carros a gasolina. Sem incentivos para os compradores, a já fraca demanda pode cair ainda mais.

A demanda já era fraca antes mesmo da decisão do governo Trump de acabar com os subsídios. A meta da administração Biden era que mais de 50% das vendas até 2030 fossem de EVs, mas atualmente a participação está em apenas cerca de 7%. Além dos preços mais altos, a preferência dos americanos por SUVs e a falta de infraestrutura de recarga também dificultam a adoção dos elétricos.

Ainda assim, as montadoras apostavam no crescimento de longo prazo dos EVs e passaram a vendê-los com grandes descontos, mesmo com risco de prejuízo.

Em abril, os incentivos para compradores de EVs chegaram a 14,5% do preço do veículo novo, o maior nível em três anos e o dobro do valor concedido para carros a gasolina. Mas a demanda segue fraca e os elétricos se tornaram um peso nos lucros das montadoras.

A desaceleração pode atingir também indústrias relacionadas. A administração Biden havia criado incentivos fiscais para fábricas de baterias e EVs — esses ainda estão em vigor —, mas caso o investimento em montagem de veículos continue em queda, fornecedores de baterias e peças também serão afetados.

A fabricante japonesa de baterias Automotive Energy Supply Corporation (Aesc), que fornece para a Nissan, suspendeu a construção de uma planta na Carolina do Sul. “Se a produção de baterias continuar nesse ritmo enquanto a demanda por EVs estagna, há chance de a capacidade de produção de baterias nos EUA se tornar excessiva”, disse uma fonte do setor financeiro.



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