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segunda-feira, maio 25, 2026

Brasileiro acredita mais em instituições financeiras do que em autoridades oficiais para prevenir ou resolver golpes digitais, dizem especialistas em segurança

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Em um cenário de crescimento dos crimes digitais, o consumidor demonstra maior confiança em instituições financeiras do que em autoridades públicas para se prevenir ou buscar apoio contra golpes e fraudes.

É o que revela o relatório O Estado dos Golpes no Brasil 2025, conduzido em mais de 40 países pela organização sem fins lucrativos Global Anti-Scam Alliance (GASA), com uma versão exclusiva em que os pesquisadores reuniram os dados de mil brasileiros entrevistados.

Para os respondentes no Brasil, bancos, meios de pagamento e corretoras de criptomoedas (1º lugar) estão mais bem preparados para oferecer respostas diante das fraudes, especialmente em aspectos como educação sobre golpes (59%), facilidade de denúncia (58%) e suporte às vítimas (52%). Autoridades de proteção ao consumidor aparecem em 2º lugar na percepção, enquanto a polícia e governo ocupam o 5º e 6º lugares, respectivamente.

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A média global, enquanto isso, mostra que as companhias de seguro estão em 1º lugar na preferência do consumidor para prevenir ou resolver golpes digitais. Bancos, meios de pagamento e corretoras de criptomoedas ficam em 2º lugar e, em 3º, a polícia.

O relatório mostra que confiança não se constrói apenas com discurso. A segurança de dados é um componente estratégico para gerar competitividade. O cliente quer saber não apenas quem fala sobre segurança, mas quem está preparado para cuidar do assunto e resolve o problema quando um golpe acontece. Com o tempo, ele vai dar preferência à relação exatamente com as organizações que têm mais condições de coibir as fraudes. Quem souber orientar o consumidor a se proteger tende a criar ambientes mais seguros e construir melhores relacionamentos com o cliente”, destaca Renata Salvini, diretora do capítulo Brasil da GASA.

Uma rede internacional contra o golpe digital

Em comum, as instituições mais bem classificadas pelos consumidores possuem recursos como bloqueio de transações suspeitas, canais acessíveis de atendimento e iniciativas contínuas de educação do cliente.

A GASA atua globalmente para fomentar o compartilhamento de dados entre empresas e instituições, buscando acelerar a identificação de ameaças e reduzir o tempo de resposta a fraudes.

Precisamos de mecanismos que reforcem esse aprendizado e a capacidade de proteção de forma constante, acompanhando a evolução das táticas dos golpistas. Para isso, promovemos três eventos internacionais por ano, investimos em estudos, organizamos comitês e facilitamos a conexão para que executivos troquem experiências e aperfeiçoem diariamente seus métodos. Embora as ferramentas tecnológicas sejam importantes, cultura corporativa e conhecimento fazem a diferença na prevenção dos crimes”, completa.

Na comparação entre Brasil e o cenário externo, os dados revelam um quadro heterogêneo, que reforça a importância da troca de informações entre os países.

Na versão global do relatório publicado pela GASA, 7 a cada 10 adultos foram expostos a tentativas de golpe nos últimos 12 meses, enquanto no local são 8 a cada 10 adultos. Há outros indicadores, todavia, mais discrepantes.

A taxa de brasileiros que enfrentam tentativas de fraude diariamente é de 22%, contra 13% da média global – atrás apenas dos EUA e da Argentina.

O roubo efetivo de dinheiro também atinge o Brasil de forma mais severa. Cerca de 38% dos brasileiros perderam dinheiro para golpes no último ano, comparado a 23% globalmente.

O “golpe das compras online” é o grande vilão tanto no cenário nacional quanto no mundial, afetando 60% das vítimas no Brasil e 54% das vítimas ao redor do mundo.

Entre os brasileiros, 20% relataram estresse por terem sido culpados pelos outros devido ao descuido, taxa quase o dobro da média global de 11%.

Millenials, pais e mães entre os consumidores mais visados

No país, o perfil mais suscetível a sofrer prejuízos financeiros são pais de crianças com idades entre 7 e 17 anos, e millenials. A geração dos nascidos entre 1981 e 1996 também é a que mais perde dinheiro nas fraudes. São, em média, R$ 1.982 roubados a cada golpe.

Essa é uma das gerações que mais utiliza serviços digitais, portanto, mais exposta ao que acontece online. Como pais, sua rotina é sobrecarregada e muitas de suas decisões são tomadas, praticamente, no piloto automático. Para piorar, um dos golpes que se tornaram mais comuns é o do criminoso que simula ser filho da vítima e envia uma mensagem avisando que trocou de número ou pedindo dinheiro. Um momento de distração é suficiente para clicar em um link desconhecido ou digitar uma senha em páginas falsas. O cuidado deve ser redobrado”, alerta Renata.

O Brasil é um dos países em que os pais menos relataram que seus filhos foram vítimas de pelo menos um golpe – 15%, contra 35% nos EUA e na Suíça, 38% no Japão e 43% em Taiwan.

O capítulo brasileiro da GASA foi inaugurado em 2024 e, em conjunto com o capítulo do México, representa o primeiro da organização na América Latina.

Desde o seu lançamento, o Capítulo Brasil estruturou um conselho consultivo multissetorial, reunindo instituições como Google, Nasdaq Verafin e o Ministério Público de Minas Gerais, além de já ter promovido eventos multissetoriais para transformar pesquisa em ação coordenada.

Espera-se que o Brasil desempenhe um papel cada vez mais relevante nas discussões globais sobre o combate a golpes digitais, especialmente diante da rápida evolução das fraudes.

De acordo com o relatório, 8 em cada 10 adultos brasileiros afirmam ter se deparado com uma tentativa de golpe ao longo do ano, com uma média de um golpe a cada dia e meio.





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