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segunda-feira, junho 1, 2026

Mais importante que os números, Lula interrompeu a tendência de queda, diz cientista

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A principal notícia para o Palácio do Planalto nas últimas pesquisas pode não estar nos números absolutos de aprovação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas na direção que eles passaram a apontar. É a avaliação da cientista política Graziella Testa durante o Mapa de Risco, programa de política do InfoMoney.

Após meses de queda contínua na avaliação do governo, analistas começam a identificar sinais de interrupção dessa trajetória negativa. Ainda não se trata de uma recuperação consolidada, tampouco de uma reversão definitiva do cenário eleitoral, mas de uma mudança considerada relevante para um governo que chegou a 2026 convivendo com dificuldades persistentes de popularidade.

“Mais do que o percentual em si, o número, é a mudança da trajetória. Então é esse ângulo que importa para a gente. Vinha essa trajetória já há muito tempo da aprovação do governo Lula caindo e agora a gente vê esse movimento tímido dela crescendo de novo”, avaliou a cientista.

A observação ganha peso porque ocorre num momento em que o governo tenta reconstruir sua relação com setores do eleitorado que se afastaram ao longo dos últimos dois anos, especialmente a classe média baixa, mulheres e parte dos evangélicos.

O governo aposta no bolso

Para a especialista, a melhora na percepção do governo não está associada a um único fator. A leitura é que o Planalto passou a acumular uma série de medidas voltadas ao orçamento das famílias, numa estratégia semelhante à adotada por governos em ano eleitoral.

“Você tem à frente desde a isenção do imposto de renda, mas medidas de disponibilização de renda também a partir de renegociação de dívidas que o governo apresentou, uma campanha um pouco mais efetiva de engajamento em relação à agenda da escala de trabalho”, afirmou Graziella.

A lista inclui a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda, novos programas de renegociação de dívidas, mudanças relacionadas ao crédito e o engajamento do governo na aprovação da PEC que reduz a jornada de trabalho e acaba com a escala 6×1.

Segundo a professora da UFPR, o objetivo é criar uma percepção mais concreta de melhora econômica para um eleitorado que nem sempre associa os indicadores macroeconômicos positivos ao próprio cotidiano.

Se essa mudança de trajetória se confirmar nas próximas pesquisas, o governo poderá chegar ao ano eleitoral em uma posição muito diferente daquela projetada poucos meses atrás.



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