Gomide explicou as razões pela escolha dos Estados Unidos ao InfoMoney Entrevista. Confira, abaixo, trechos editados da entrevista que está disponível, na íntegra, no canal do InfoMoney no Youtube.
InfoMoney: Como foi o processo de abertura de capital da empresa?
Mariano Gomide: A VTEX completa 25 anos este ano. No início, estávamos muito focados no Brasil e, a partir de 10 anos, começamos a expandir para o mundo. Depois de conquistar a América Latina, expandimos para a América do Norte e Europa. Isso coincidiu com o final de 2020 e a pandemia ‘explodindo’. Naquele momento, estávamos com bastante caixa e uma perspectiva de crescimento quase infinito à nossa frente porque tudo passou a ser feito online.
Leve seu negócio para o próximo nível com os principais empreendedores do país!
Em 2021, fizemos nosso IPO, uma abertura de bastante sucesso. Demos sorte porque estava no momento certo, na hora certa e a empresa estava preparada para o IPO. Conseguimos capturar um momento legal do mercado. A empresa abriu a US$ 19 e dois ou três meses depois, chegou a US$ 32. Foi um IPO de bastante sucesso.

IM: Do IPO até agora, a empresa passou por alguns solavancos. Como a empresa está agora?
MG: Alguns meses depois do IPO, o mercado inverteu, os juros, de fato aumentam muito, todas as empresas de mid capital [empresas listadas de capitalização intermediária] sofreram bastante. Os juros [dos EUA] saem de 0,25% para 4,5%. A VTEX continua entregando os resultados, o crescimento e a consolidação. Nos últimos 12 meses, a gente vem, consistentemente, aumentando bastante a margem bruta da empresa e bastante o bottom line da empresa – a margem líquida.
A empresa cresceu muito rápido durante o COVID e isso trouxe problemas operacionais. Conseguimos ajustar a equipe e, hoje, a empresa está bem, está rodando bem, está bem alocada no mundo e está com time correto.
Então, estou bem entusiasmado pelo que vem pela frente. A VTEX começou a ser reconhecida como uma MARCA global de software ao lado de empresas como Adobe, SAP, Oracle. Nos dá muito orgulho de ser uma empresa de engenharia brasileira e representar a engenharia brasileira no mundo afora.
Estou muito orgulhoso e muito entusiasmado pelo que vem pela frente. Nesses últimos 12 meses, lançamos muitos produtos e serviços novos. Tem muito espaço para VTEX crescer, tanto no Brasil quanto na América Latina.
IM: Em 2021, quando decidiram abrir o capital, o que os levou a escolher os Estados Unidos?
MG: Eu tenho a tese de que você faz IPO por três razões: 1) você precisa fazer uma [emissão] primária, porque o teu negócio é de capital intensivo e você precisa de caixa para crescer – e quanto mais você cresce mais você precisa de caixa; 2) você precisa fazer uma [emissão] secundária porque tem algum investidor que tem que sair ou há uma necessidade de reestruturação de cap table [organização societária da empresa]; 3) você faz por razões de marketing.
A VTEX não tinha ninguém querendo sair e já estávamos muito capitalizados. Então, a razão que nos levou a abrir o capital foi marketing.
E nesse sentido, o futuro da VTEX é ser uma empresa global, onde Estados Unidos e Europa têm uma participação maior do que a América Latina. Ainda estamos muito longe desse futuro, mas nesse sentido, abrir capital dentro da New York Stock Exchange (NYSE) é uma chancela para você ser considerado mais ‘American friendly’. Seria muito mais complicado para a empresa vender para fora sendo uma empresa pública brasileira do que sendo uma empresa pública americana.
IM: Por que não abrir o capital no Brasil também?
MG: Existe sempre aquela pergunta de ‘por que não abrir também aqui, na Bolsa do Brasil?’. Mas esta é só uma questão técnica: seria preciso diluir um pouco a liquidez do papel e não faria sentido.
É uma troca que precisamos fazer: adoraria estar aberto no Brasil para permitir que os brasileiros possam entrar e compartilhar esse movimento que é a engenharia brasileira fazendo diferença lá fora, mas, tecnicamente, não faria sentido ou não faz sentido por hora abrir aqui no Brasil.
A NYSE é um clube de 2.400 empresas. Pouquíssimas empresas no mundo e pouquíssimas empresas de tecnologia do Brasil têm acesso a esse clube. A VTEX está abrindo o mercado para várias outras empresas de engenharia brasileira, seja de gestão, de manufatura ou de software.
Olhando para trás, foi uma escolha acertada, eu escolheria de novo abrir lá fora.





