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quinta-feira, junho 25, 2026

Panasonic transforma antigo depósito de pilhas em polo de biometano no País

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Um galpão que durante anos serviu para armazenar pilhas dentro da unidade da Panasonic em São José dos Campos, no Vale do Paraíba, está prestes a ganhar uma nova função. O espaço de aproximadamente 3 mil metros quadrados, localizado às margens da Via Dutra, está sendo adaptado para receber uma operação voltada à produção de equipamentos destinados à geração de biometano, combustível renovável obtido a partir do aproveitamento de resíduos orgânicos.

A iniciativa é resultado de uma parceria entre a Panasonic e a canadense Greenlane Renewable, especializada em tecnologias de purificação de biogás. A inauguração da nova estrutura está prevista para outubro deste ano e representa a entrada da multinacional japonesa em uma nova frente de atuação no segmento de energia sustentável.

A escolha do local está alinhada à estratégia industrial da companhia. Conhecida por sua operação de pilhas e baterias, a fábrica de São José dos Campos se destaca por processos voltados ao aproveitamento máximo de matérias-primas, reduzindo perdas e minimizando a geração de resíduos. A requalificação do antigo depósito reflete essa mesma lógica de reaproveitamento de ativos.

Segundo Michael Coleridge, diretor de Negócios B2B da Panasonic do Brasil, a iniciativa reforça o posicionamento da empresa como fornecedora de soluções tecnológicas voltadas à sustentabilidade. “A Panasonic não pode ser vista como uma simples produtora de eletrodomésticos, mas também como uma empresa de tecnologia japonesa que atua no Brasil com viés de contribuição sustentável, por meio de logística reversa e ESG”, afirmou.

A nova operação MARCA também a ampliação da presença da Panasonic no mercado corporativo. Tradicionalmente associada ao consumidor final, a companhia passa a direcionar parte de seus esforços para um público pouco usual em seu histórico de negócios: operadores de aterros sanitários e empresas interessadas em transformar resíduos em fontes de receita por meio da produção de combustíveis renováveis.

Os aportes iniciais da parceria são estimados entre R$ 8 milhões e R$ 10 milhões. A expectativa é que a estrutura sirva de base para uma expansão gradual da atividade, acompanhando o desenvolvimento do mercado brasileiro de biometano.

Além da localização estratégica, próxima ao principal corredor logístico do país, a unidade foi escolhida por sua capacidade de atender projetos em diferentes regiões. Enquanto as demais fábricas da Panasonic no Brasil estão instaladas em Manaus e Extrema, a planta paulista oferece acesso facilitado aos principais centros consumidores e industriais.

A inauguração contará com a presença de Brad Douville, CEO da Greenlane, empresa que acumula mais de 500 sistemas implantados em mais de 30 países ao longo de sua trajetória. Para o executivo, a associação com a Panasonic cria condições favoráveis para acelerar a expansão do biometano no mercado brasileiro.

“Espera-se que esses pontos fortes, somados à solidez do balanço patrimonial da Panasonic, apoiem o aumento da adoção por parte dos clientes e o crescimento das vendas. Estabelecer a produção local no Brasil é um passo fundamental para fortalecer nossa capacidade de atender e escalar neste mercado estratégico”, afirmou Douville.

Pelo acordo firmado entre as empresas, a Greenlane permanecerá responsável pelo desenvolvimento tecnológico, pela gestão da cadeia de suprimentos, pelas atividades comerciais e pelos serviços de comissionamento e suporte técnico. Já a Panasonic ficará encarregada da fabricação local dos equipamentos e do apoio à execução dos projetos no país.

Coleridge avalia que a iniciativa vai além da simples nacionalização da produção. “Esta colaboração representa mais do que a produção local. Trata-se da base para a construção de uma plataforma industrial escalável para suportar o crescimento do biometano no Brasil. Ao combinar a tecnologia avançada da Greenlane com as capacidades industriais da Panasonic, estamos contribuindo para o desenvolvimento de soluções práticas e economicamente viáveis que aceleram a transição energética”, afirmou.

Brasil atrai atenção global do setor

O avanço do biometano no Brasil é visto pela Greenlane como uma das principais oportunidades globais da indústria. Douville compara o estágio atual do mercado nacional a uma fase inicial de desenvolvimento, mas destaca o enorme potencial de expansão associado à abundância de resíduos urbanos e agroindustriais.

“Há alguns anos, a Agência Internacional de Energia descreveu o Brasil como um gigante verde em despertar. Essa definição continua muito adequada para o setor de biometano. Ainda estamos nos primeiros capítulos dessa indústria, mas as perspectivas são extraordinárias”, afirmou.

Hoje, cerca de 80% da produção brasileira de biometano tem origem em aterros sanitários. No entanto, a expectativa é que matérias-primas ligadas ao AGRONEGÓCIO ganhem protagonismo nos próximos anos, especialmente os resíduos gerados pela cadeia sucroenergética.

Segundo Douville, a posição do Brasil como maior produtor mundial de cana-de-açúcar cria uma vantagem competitiva difícil de ser replicada por outros mercados. A vinhaça, subproduto do processamento do etanol, é apontada como uma das principais fontes de crescimento futuro da produção nacional de biometano.

“Alguns especialistas acreditam que o potencial de geração a partir da vinhaça poderá superar o dos aterros sanitários, que já é extremamente relevante”, afirmou.

A Greenlane prepara ainda o lançamento global de uma nova tecnologia de purificação de gás desenvolvida para aumentar a recuperação de metano e reduzir custos operacionais. O Brasil foi escolhido como mercado prioritário para a estreia da solução, em razão do crescente interesse de investidores e empreendedores locais pelo segmento.

Mesmo em um cenário de incertezas políticas e eleitorais, tanto Panasonic quanto Greenlane demonstram confiança na continuidade dos investimentos ligados à transição energética. Para Douville, o biometano reúne características capazes de atrair apoio de diferentes correntes políticas.

“O biometano é uma fonte de energia local, rentável e capaz de contribuir para a segurança energética. Isso faz com que o tema encontre apoio em diferentes ambientes políticos”, afirmou.

A avaliação é compartilhada por Coleridge. Para o executivo da Panasonic, a expansão do setor já ultrapassou o estágio de dependência de incentivos governamentais e passou a ser sustentada por regulamentação, demanda empresarial e disponibilidade de capital.

“Entendo que essa agenda continuará avançando independentemente de mudanças políticas. Há regulamentação, investidores interessados e projetos em andamento que sustentam essa trajetória”, acrescentou.






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