O lucro do Nubank já equivale a 98% do resultado do Itaú no varejo – e, nesse ritmo, o roxinho pode ultrapassar o concorrente ainda este ano, “o que seria significativo”, disse o JP Morgan.
Além de ser mais eficiente, o Nubank consegue extrair um retorno maior sobre os ativos – e por isso lucra praticamente o mesmo que o Itaú em cima de uma base de ativos menor, disseram os analistas do JP.
Excluindo o México, o Nubank reportou um lucro líquido de US$ 1,054 bilhão no segundo tri, muito próximo do US$ 1,087 bilhão do varejo do Itaú.
A equipe liderada por Yuri Fernandes diz que o Desenrola contribuiu com cerca de US$ 60 milhões para o resultado do Nubank, enquanto as operações na Colômbia terminaram o trimestre com um prejuízo de US$ 9 milhões.
“Mas em vez de discutir erros de arredondamento, o que vemos é o gap de lucro se fechando,” diz o relatório.
Os analistas lembram que o Itaú é maior que o Nubank em diferentes segmentos. É líder no segmento de alta renda e tem um share maior em cartões de crédito – 21% x 17%, segundo as estimativas do JP Morgan.
Além disso, a divisão de varejo do Itaú reúne diversas fontes de receita que o Nubank não tem ou onde é muito pequeno, como financiamento imobiliário, crédito para veículos, adquirência e PMEs.
O Nubank tem uma base maior de clientes – 65 milhões, considerando os que têm exposição ativa a crédito, frente aos 47 milhões do Itaú.
Mas a carteira de crédito do Nubank é bem menor: o JP Morgan estima que tenha ficado em R$ 137 bilhões no segundo tri, o equivalente a cerca de 25% da do Itaú, que somou R$ 614 bilhões no mesmo período.
Ainda assim, o retorno sobre ativos (ROA) do Nubank é maior: gira em torno de 5% a 6%, frente aos cerca de 2% do varejo do Itaú, segundo o JP.
Isso é explicado, em parte, pela enorme diferença em eficiência operacional: o índice de eficiência (calculado pela divisão entre despesas e receitas) é de cerca de 17% no Nubank Brasil, frente aos 41% do varejo do Itaú.
O ROE do Nubank Brasil é de 42%, segundo as estimativas do JP, ante 29% do varejo do Itaú.
Os desafios para o Nubank nos próximos trimestres são conhecidos: trazer mais ativos para o balanço crescendo em segmentos hoje pouco explorados pelo banco – o JP cita clientes de renda média, crédito consignado e PMEs como “fundamentais”.
A expansão para novas geografias e o amadurecimento das safras mais antigas de clientes também serão importantes, dizem os analistas.
“Não temos certeza de que o ROA possa aumentar muito além dos níveis já bastante elevados em que se encontra, especialmente porque clientes de renda mais alta tendem a gerar um retorno menor, apesar de movimentarem volumes maiores,” dizem os analistas.




