
A Mova Protocol, plataforma brasileira de infraestrutura de dados voltada à mobilidade urbana e impacto ambiental, anunciou a atualização de seu valuation para R$ 180 milhões após concluir uma rodada seed de R$ 15,6 milhões (US$ 3 milhões). O novo patamar MARCA a transição da fase de validação tecnológica para a etapa de expansão operacional em escala.
A avaliação foi estruturada com base em metodologia de fluxo de caixa descontado (DCF), a partir de projeções financeiras, premissas conservadoras de crescimento e investimentos e incorporação de valor terminal, a fim de capturar o potencial de longo prazo do modelo de negócios. Atualmente com mais de 25 mil usuários cadastrados, a empresa projeta alcançar um milhão de usuários até o fim do segundo trimestre deste ano.
Com sede em Canoas (RS), a Mova opera uma infraestrutura de dados construída a partir do uso real de veículos urbanos. A plataforma combina telemetria veicular, inteligência operacional e registro em blockchain para geração de dados auditáveis. O foco está na produção de relatórios ambientais verificáveis e, no médio e longo prazo, na emissão de créditos de carbono lastreados em dados reais de mobilidade.
Segundo Antônio Farias, diretor de Produtos da companhia e profissional com atuação em blockchain desde 2018, o valuation reflete a maturidade tecnológica e o modelo de monetização já em curso. “O valuation de R$ 180 milhões se apoia em três fatores centrais. Primeiro, temos um produto em operação, com telemetria contínua, mecanismos de validação antifraude e arquitetura escalável. Desenvolvemos um sistema próprio de qualificação de dados e identificação progressiva de veículos que preserva a privacidade e reduz riscos regulatórios. Segundo, apresentamos crescimento orgânico acelerado. Terceiro, estruturamos um modelo de negócios diversificado em verticais independentes e complementares”, disse.
No curto prazo, o marketplace automotivo e a integração com eletropostos representam o principal motor de receita, com monetização baseada em leads qualificados, revenue share com parceiros e comercialização de dados e relatórios para usuários e empresas. A companhia também atua na convergência entre mobilidade urbana, eletromobilidade e inteligência de dados.
O avanço da empresa ocorre em um contexto de mudanças regulatórias. A Resolução 193/2023 da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) estabeleceu diretrizes para a divulgação de informações financeiras relacionadas à sustentabilidade, alinhadas ao padrão do International Sustainability Standards Board (ISSB). A partir de 2026, companhias abertas, securitizadoras e fundos de investimento deverão reportar dados financeiros ligados a critérios ambientais, ampliando a demanda por informações auditáveis e rastreáveis.
Paralelamente, o crescimento da frota de veículos elétricos e conectados no país contrasta com a fragmentação dos dados de mobilidade, ainda concentrados em silos corporativos e sem padronização. Para a Mova, a combinação entre pressão regulatória, agenda de descarbonização e necessidade de mensuração operacional cria espaço para plataformas que forneçam dados verificáveis de uso real.
Na prática, o aplicativo gratuito captura informações de quilometragem e comportamento de condução por meio do celular do usuário. Os dados são validados, registrados em blockchain e convertidos em ativos digitais verificáveis. Os motoristas acumulam pontos conforme utilizam o veículo, que podem ser utilizados no marketplace da plataforma e, futuramente, convertidos em criptomoedas.
Além do marketplace, a monetização inclui relatórios B2B, integração com redes de recarga elétrica e, no médio prazo, relatórios ambientais e créditos de carbono baseados em dados de mobilidade. Com essa estrutura, a empresa projeta receita anual entre R$ 21 milhões e R$ 24 milhões em estágio inicial e entre R$ 240 milhões e R$ 270 milhões em cinco anos, com margens crescentes à medida que as verticais B2B e ambientais ganham escala.
Os dados operacionais indicam uso recorrente. A plataforma soma 25.280 usuários cadastrados, dos quais 13.180 são ativos, o que representa taxa de ativação superior a 53%. Já foram validados 121.940 trajetos, totalizando 2,76 milhões de quilômetros monitorados e mais de 148 mil horas de telemetria coletadas. A base é composta majoritariamente por motoristas urbanos, profissionais de aplicativo e trabalhadores que utilizam o veículo como ferramenta de trabalho.
A empresa afirma que sua estratégia difere de iniciativas de tokenização focadas no ativo financeiro, ao priorizar a geração e validação do dado operacional. O modelo adota validação comportamental, identificação progressiva do veículo e privacidade por design, mantendo a camada tecnológica invisível para o usuário final.
“Empresas precisam comprovar emissões reais de suas frotas, validar eficiência operacional de equipes externas e construir inventários de carbono auditáveis. A telemetria contínua e a validação comportamental respondem a essa demanda sem depender de autodeclaração ou estimativas genéricas. O mercado está migrando de métricas baseadas em premissas para métricas baseadas em evidências”, afirmou Farias.
No curto prazo, a estratégia inclui o fortalecimento do marketplace automotivo, ampliação da integração com redes de recarga elétrica e lançamento de relatórios B2B de uso e eficiência. No horizonte de longo prazo, a empresa prevê a emissão e comercialização de créditos de carbono baseados em dados reais, expansão para países da América Latina e consolidação como infraestrutura padrão de dados de mobilidade para empresas e governos.




