O segmento de leilões imobiliários no Brasil mantém trajetória de expansão, impulsionado pelo aumento da inadimplência e, consequentemente, pela ampliação do estoque de imóveis retomados e levados a leilão. Em 2025, os leilões de imóveis da Caixa Econômica Federal avançaram 25,1% no primeiro semestre em relação ao mesmo período de 2024. Atentos a esse movimento, os mineiros Pedro Gomide, Renan Lopes e Pierre Henriques transformaram a própria experiência como investidores em um modelo de negócios estruturado. A Smart fechou 2025 com receita de R$ 80 milhões e projeta atingir R$ 120 milhões em 2026. No acumulado, a base de clientes já arrematou 20 mil imóveis, movimentando aproximadamente R$ 2,4 bilhões em volume financeiro.
Fundada em 2020, a Smart Leilões surgiu inicialmente como uma plataforma digital voltada à formação de investidores interessados em arrematações. Cinco anos depois, a operação evoluiu para um hub imobiliário que reúne educação, intermediação, soluções de crédito e ferramentas tecnológicas.
Segundo Renan Lopes, cofundador do grupo, a mudança de posicionamento ocorreu a partir da escuta ativa da base de alunos. “Começamos ensinando pessoas a investir em leilões, mas percebemos rapidamente que o mercado exigia mais do que conhecimento técnico. O investidor precisava de estrutura, crédito, apoio jurídico e estratégia de revenda”, afirma.
Ele acrescenta que o modelo atual foi desenhado para integrar todas as pontas do processo. “Hoje não entregamos apenas curso. Entregamos um ecossistema completo, que acompanha o cliente desde a primeira arrematação até a monetização do ativo. Isso aumenta previsibilidade e reduz risco.”
Atualmente, o grupo soma mais de 12 mil alunos, incluindo brasileiros residentes no exterior que operam no mercado de leilões. Para Pedro Gomide, a internacionalização espontânea da base é reflexo da digitalização do modelo. “Temos alunos nos Estados Unidos, Europa e Japão. O brasileiro que mora fora quer investir no Brasil e enxerga no leilão uma porta de entrada com desconto relevante”, diz.
Além da Smart Leilões Educação, responsável por programas como “Do Zero à Arrematação” e “Insider”, a estrutura foi ampliada com novas frentes de atuação.
A SmartCaixa opera como imobiliária credenciada para intermediar imóveis da Caixa nos 26 estados e no Distrito Federal, com mais de 5 mil unidades já negociadas. De acordo com Pierre Henriques, a credencial foi um divisor de águas. “Passamos a atuar oficialmente na intermediação dos imóveis da Caixa, o que trouxe escala, governança e acesso direto ao estoque. Isso elevou o patamar da operação.”
A SmartCredi atua como correspondente bancária no crédito imobiliário, viabilizando financiamentos e operações de home equity. A frente atende tanto investidores em busca de capital para novas aquisições quanto compradores finais dos imóveis revendidos. “O crédito é peça central da estratégia. Sem funding estruturado, o investidor perde oportunidade. Por isso criamos uma vertical própria para acelerar as operações”, explica Lopes.
A Gesim concentra-se em mentoria avançada e gestão de ativos imobiliários. A SmartApp disponibiliza ferramentas voltadas à análise e à operação de leilões. A SmartLink funciona como portal de anúncios imobiliários. O grupo também mantém holdings estruturais, como P2R e LAUNX.
A estratégia adotada é verticalizar as operações e capturar valor em todas as fases do ciclo imobiliário, da formação do investidor à revenda do ativo. “Quando controlamos as etapas, conseguimos gerar eficiência, reduzir custos e ampliar margens. Não dependemos de terceiros para concluir a jornada”, afirma Gomide.
O crescimento da estrutura trouxe novos sócios à companhia. Guaraci Nakamura, Heliton Fernando e Marcela Carillo ingressaram inicialmente como alunos e hoje lideram áreas estratégicas, incluindo cursos especializados em imóveis da Caixa, programas avançados de mentoria e formação de assessores em leilões. “Somos prova viva de que o modelo funciona. Começamos como alunos e hoje lideramos operações que impactam milhares de investidores”, destaca Nakamura.
A origem do negócio está nos investimentos próprios realizados pelos fundadores. Ao identificarem lacunas na maneira como o tema era abordado no mercado, decidiram estruturar um método com base prática e dados reais. “Criamos uma metodologia aplicada, dinâmica e fundamentada em números concretos. Não vendemos promessa, trabalhamos com análise de risco e execução”, afirma Lopes.
Para 2026, o plano estratégico prevê consolidar as empresas já existentes e intensificar a expansão no Brasil e no exterior. O grupo avalia novas frentes para ampliar a presença nacional e fortalecer as verticais de crédito e intermediação.
“Enxergamos um cenário de crédito mais seletivo e maior volume de imóveis em leilão. Esse ambiente exige profissionalização. Nossa proposta é transformar complexidade em oportunidade estruturada”, completa Henriques.




