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domingo, setembro 6, 2026

Geração de emprego decepciona e reforça sinais de desaceleração da economia

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A geração de empregos com carteira assinada no Brasil perdeu intensidade e apresentou, em maio, o desempenho mais fraco do ano. Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego, mostram a criação de 72.960 vagas formais, número que frustrou as projeções do mercado e reforçou os sinais de perda de dinamismo da atividade econômica. O saldo também representa o pior resultado para o mês de maio desde 2020, quando a pandemia provocou forte destruição de postos de trabalho.

Embora todos os grandes setores da economia tenham encerrado o mês com saldo positivo, o avanço foi insuficiente para afastar a percepção de desaceleração. O segmento de serviços respondeu pela maior parte das contratações, seguido pela construção civil e pela agropecuária. A indústria registrou expansão mais modesta, enquanto o comércio praticamente ficou estagnado, evidenciando a perda de fôlego do mercado de trabalho.

O resultado ficou significativamente abaixo da expectativa predominante entre analistas, que projetavam a abertura de aproximadamente 120 mil vagas. Mesmo as estimativas mais conservadoras, como a do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre), apontavam para um saldo próximo de 70 mil empregos, indicando que a intensidade da desaceleração superou parte das previsões.

Na avaliação do economista Rodolpho Tobler, do FGV Ibre, o enfraquecimento do mercado de trabalho acompanha a perda de ritmo da economia brasileira, que deixou para trás o ciclo de crescimento superior a 3% observado nos últimos anos e passou a registrar uma expansão mais moderada desde a segunda metade de 2025. Segundo ele, o comportamento do emprego reflete diretamente esse ambiente de menor atividade econômica.

O especialista ressalta que o cenário também evidencia os efeitos da política monetária restritiva. Com a manutenção dos juros em patamar elevado, empresas tendem a reduzir investimentos e adiar novas contratações, diminuindo a pressão sobre salários e, consequentemente, contribuindo para o processo de controle da inflação. Essa dinâmica pode influenciar as próximas decisões do Banco Central sobre a trajetória da taxa básica de juros.

Para os próximos meses, a expectativa é de continuidade na criação de empregos formais, porém em um ritmo mais contido. A tendência, segundo Tobler, é que o mercado de trabalho permaneça positivo, mas distante do vigor observado nos últimos anos, acompanhando uma economia que cresce de forma mais lenta e sob os efeitos prolongados do aperto monetário.

 




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