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terça-feira, setembro 1, 2026

Depois de um exit de R$ 1 bi, ele agora aposta em AI, consumo – e ‘hungry dogs’

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Celso Ribeiro fez uma das maiores transações do mercado publicitário brasileiro no ano passado ao vender a BR Media para a Publicis, por um valor que o mercado estima em R$ 1 bilhão.

Agora, o empreendedor – que tinha 30% da empresa – está colocando parte desse dinheiro para trabalhar.

Ribeiro acaba de fundar a Paros Ventures, uma firma de venture capital que vai usar apenas capital próprio para investir em duas teses diferentes. 

De um lado, a Paros vai buscar empresas nativas de inteligência artificial, que, segundo ele, “tenham potencial para disruptar uma indústria inteira.” Do outro, vai investir em companhias tradicionais da economia real, apostando na visão de que “MARCA, cultura e comunidade tendem a ser cada vez mais relevantes numa era de escassez de atenção.”

“São teses descorrelacionadas. Queremos investir tanto nas empresas insurgentes de AI capazes de transformar indústrias, quanto nas companhias da economia real que atuam naquilo que a tecnologia não consegue comoditizar: MARCA forte, cultura, confiança, comunidade e desejo humano,” Ribeiro disse ao Brazil Journal.

O empreendedor-tornado-investidor não abre quanto está alocando na gestora, mas disse que o plano é fazer aportes de R$ 2 milhões a R$ 5 milhões por startup, entrando tipicamente em rodadas Série A. 

Além de entrar com o capital, Ribeiro quer participar ativamente do dia a dia das startups. Sua ideia é assumir uma posição de advisor do CEO nas investidas, além de liderar algum comitê operacional.

“Não quero ser um board member que vai uma vez por mês, não conhece muito bem a empresa e fica c**** regra,” disse Ribeiro. 

“Quero realmente tentar gerar valor para as companhias com a experiência que tenho, de tudo que passei nos últimos anos empreendendo. A cadeira do CEO é muito solitária, e muitas vezes eles não enxergam nos fundos uma figura que realmente pode ajudá-los. Acho que ter alguém que realmente já passou por isso faz toda a diferença.”

Um dos primeiros investimentos da Paros foi a Uncover, uma startup que usa AI na mensuração de mídia. Ribeiro entrou na rodada de junho, liderada pela Cloud9, e também assumiu um papel de advisor e a liderança do comitê de go to market

Por assumir essas posições, Ribeiro geralmente negocia pelo menos dobrar sua participação na empresa, em relação ao que comprou na rodada. 

Outros aportes já feitos na vertical de AI (alguns deles feitos como pessoa física mas já aportados na Paros), incluem a FlyMedia, que usa AI para criar influenciadores digitais; e a fintech Nexa Finance. 

Na vertical de consumo, a Paros fez dois investimentos numa mesma tese. Primeiro, investiu na americana LiquidDeath, que já vale mais de US$ 1 bi vendendo água e energéticos saudáveis com um branding descolado. 

Pouco depois, investiu na brasileira Dane-se, que executa a mesma estratégia no Brasil.

A Paros também é investidora da Droper, um marketplace de sneakers; e da Baw, a MARCA de vestuário que foi comprada pela Arezzo e revendida aos fundadores alguns anos depois.

Ribeiro conheceu os fundadores da Baw em 2017 e começou a ajudá-los mesmo sem ser investidor. Um ano depois, eles lhe deram 10% da empresa, sem a necessidade de capital. Na recompra da Azzas, Ribeiro ficou com 30% do negócio.

Segundo ele, a Paros não faz uma busca ativa por startups, apenas co-investe junto com fundos em que ele confia. Ainda assim, ele diz que muito da sua análise passa pelo empreendedor. 

“Para mim, o fundador tem que ser um ‘hungry dog’. Eu tenho uma placa no meu escritório que diz: ‘hungry dogs run faster’. Quando vendi minha última empresa, eu vi que eu não era mais assim, por isso não quis empreender de novo. Mas quero achar esses caras e ajudá-los a crescer seus negócios,” disse ele.




Pedro Arbex








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