A BDO Brasil, empresa brasileira de auditoria, consultoria, tributos e terceirização estratégica de processos, superou a MARCA inédita de R$ 500 milhões de faturamento no ano passado, resultado que representou uma expansão de 11% em relação ao ano anterior. O balanço deve ter colocado a companhia no topo do ranking das firmas de auditoria e consultoria de capital nacional. Isso porque a Falconi, consultoria também brasileira de gestão empresarial e concorrente direta da BDO, não divulga publicamente seu faturamento anual consolidado, com capital fechado e baseada em partnership.
No caso da BDO, no mesmo período, fora do País, as operações no exterior registraram crescimento de 7%, atingindo US$ 16 bilhões em receitas, em um movimento que combinou, segundo a empresa, expansão geográfica e fortalecimento de portfólio.
O desempenho no Brasil tem sido impulsionado principalmente pela atuação no segmento de middle market, tradicional foco estratégico da empresa, além do avanço na carteira de clientes de maior porte, incluindo companhias abertas, instituições financeiras e grandes indústrias. A diversificação do perfil de clientes e a ampliação da presença em setores regulados têm contribuído para sustentar o ritmo de crescimento mesmo em um ambiente macroeconômico mais desafiador.
Em paralelo ao avanço operacional de companhias como a BDO, o setor global de auditoria e consultoria atravessa um momento de crescente escrutínio. No Brasil e no exterior, clientes e reguladores têm ampliado questionamentos sobre a efetividade da entrega de valor desses serviços, especialmente diante da padronização crescente de relatórios e recomendações.
O uso desenfreado de Inteligência Artificial na produção de análises, pareceres e documentos sensíveis passou a entrar no radar, levantando dúvidas sobre profundidade analítica, originalidade e, sobretudo, responsabilidade técnica. Em um ambiente em que decisões estratégicas e compliance dependem dessas entregas, cresce a pressão por maior transparência sobre metodologias, validação humana e governança no uso de tecnologias, colocando em xeque não apenas modelos operacionais, mas também a credibilidade histórica de firmas como KPMG, Deloitte, EY, PwC, Falconi e a própria BDO.
No ano passado, a Deloitte foi acusada por dois governos, do Canadá e da Austrália, de usar IA e informações falsas em relatórios. No caso do governo canadense, a companhia foi contratada para fazer uma análise sobre o sistema de saúde. O documento custou quase US$ 1,6 milhão a uma província e continha erros potencialmente gerados por robôs. O mesmo ocorreu com a Austrália, que apontou falhas da consultoria em verificação de fatos.
Os erros foram identificados em uma investigação publicada pelo theIndependent, um veículo progressista canadense que cobre a província mais oriental do país, Terra Nova e Labrador.
O documento orientava o então governo liderado pelos liberais, por meio do Departamento de Saúde e Serviços Comunitários, sobre temas como telessaúde, incentivos de retenção de profissionais e os impactos da pandemia de Covid-19 sobre trabalhadores da saúde, em um momento em que a província enfrenta escassez de médicos e enfermeiros.
Segundo o theIndependent, o relatório da Deloitte continha citações falsas, retiradas de artigos acadêmicos inexistentes para embasar análises de custo-efetividade, além de atribuir a pesquisadores reais trabalhos nos quais eles nunca atuaram. O texto também incluiu artigos fictícios supostamente coassinados por acadêmicos que afirmaram jamais ter trabalhado juntos.
Médias empresas, grandes negócios
Segundo o CEO da BDO Brasil, Raul Corrêa da Silva, a consistência da operação nesse segmento foi decisiva para manter a trajetória de expansão. “Foi um ano desafiador, marcado por incertezas relevantes no ambiente econômico, mas conseguimos avançar apoiados em uma base sólida no middle market, que historicamente nos dá resiliência e previsibilidade”, afirmou.
O executivo também destaca o avanço em segmentos mais sofisticados. “Ao mesmo tempo, ampliamos de forma consistente a atuação junto a companhias abertas, instituições financeiras e empresas reguladas, um movimento que exige maior capacidade técnica e governança, mas que eleva o nível da nossa entrega e posicionamento no mercado”, disse.
Como parte da estratégia de crescimento, a companhia intensifica a expansão territorial com a abertura prevista de três novas unidades em 2026, localizadas em João Pessoa, São Luís e Varginha. A ampliação da capilaridade é vista como um diferencial competitivo, especialmente no atendimento a empresas de médio porte, que demandam proximidade e relacionamento mais direto. “Nossa estratégia passa por estar mais próximos dos clientes, entendendo as dinâmicas regionais e oferecendo soluções sob medida. A presença local é um ativo relevante nesse processo”, garantiu o CEO.
A presença física mais distribuída no território nacional segue como um dos pilares da atuação da BDO, que atualmente conta com 28 escritórios e projeta alcançar ao menos 31 unidades até o fim de 2026. A estratégia busca reforçar a capacidade de atendimento regional e aprofundar o relacionamento com clientes em diferentes mercados.
Paralelamente à expansão geográfica, a empresa também direciona investimentos relevantes para infraestrutura. Unidades localizadas no Rio de Janeiro, Curitiba, Maceió e Ribeirão Preto passam por processos de ampliação, enquanto a sede em São Paulo é modernizada para suportar o crescimento do quadro de profissionais e o aumento da demanda por serviços.
O avanço operacional também se reflete na estrutura de pessoas. A BDO encerra 2025 com aproximadamente 2,2 mil colaboradores no Brasil e projeta crescimento de cerca de 15% em 2026, o que deve levar o quadro a ultrapassar 2,5 mil profissionais. A expansão do time acompanha a estratégia de ganho de escala e diversificação de serviços. “O crescimento sustentável passa necessariamente por pessoas. Temos investido na formação e atração de talentos para suportar a complexidade crescente dos projetos e manter a qualidade técnica que o mercado exige”, afirmou Silva.
No campo tecnológico, a companhia acompanha o movimento global da rede, que prevê investimentos de US$ 1 bilhão nos próximos anos. A iniciativa contempla o desenvolvimento de soluções baseadas em automação inteligente e Inteligência Artificial, com foco em elevar eficiência operacional, aprimorar a análise de dados e gerar insights mais sofisticados para os clientes. “A tecnologia deixou de ser apenas um suporte e passou a ser parte central da proposta de valor. Estamos acelerando a incorporação de inteligência artificial e automação para ampliar produtividade e oferecer análises mais profundas aos nossos clientes”, completou.




