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domingo, agosto 23, 2026

Bombardier, maior rival da Embraer, atinge recorde de US$ 21 bilhões em encomendas

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Depois de enfrentar uma crise que culminou na saída do segmento de jatos comerciais, a Bombardier voltou a ganhar força com uma estratégia concentrada na aviação executiva. A fabricante canadense acumula atualmente US$ 21 bilhões em encomendas confirmadas para os próximos anos, aumento de US$ 4,3 bilhões em relação ao encerramento de 2025.

A companhia prevê comercializar cerca de 160 aeronaves em todo o mundo em 2026. Seu portfólio reúne cinco modelos, com preços entre US$ 29,5 milhões e US$ 85 milhões, destinados principalmente aos segmentos de médio e grande porte da aviação executiva.

A recuperação ocorre após um período de forte instabilidade. Em 2019, a Bombardier vendeu à japonesa Mitsubishi a unidade responsável pela produção de jatos comerciais, operação que vinha acumulando prejuízos. Pouco depois, a pandemia agravou as dificuldades enfrentadas pela indústria aeronáutica.

Nos anos seguintes, a empresa direcionou investimentos à fabricação de jatos executivos e à expansão dos serviços oferecidos aos clientes. Segundo o CEO global da Bombardier, Éric Martel, os resultados refletem a estratégia adotada pela companhia.

“O crescimento da rentabilidade, a receita recorde do nosso setor de serviços e o sólido fluxo de caixa livre são resultado da qualidade da nossa equipe e de seu compromisso coletivo com nossos clientes”, afirmou Martel, em entrevista exclusiva ao BRAZIL ECONOMY.

Entre as principais apostas da fabricante está o Global 8000, apresentado como o jato executivo mais rápido do mundo. A aeronave tem alcance superior a 14 mil quilômetros e pode ultrapassar os 1.000 quilômetros por hora, desempenho que permite realizar rotas de longa distância, como a ligação entre São Paulo e Dubai.

“Esta aeronave apresenta desempenho de destaque em sua categoria, tanto nos céus quanto nos pedidos, reforçando nossa liderança na aviação executiva. À medida que nossa área de Defesa também continua se expandindo, permanecemos focados em oferecer conveniência e cuidado aos nossos clientes, independentemente das plataformas que operem ao redor do mundo. A confiança contínua em nossos produtos, serviços e profissionais se reflete na expansão da nossa carteira de pedidos, proporcionando uma base sólida para um crescimento sustentado”, disse Martel.

A Bombardier também reduziu sua dívida em mais de US$ 1,1 bilhão desde o início do ano. Ao mesmo tempo, garantiu uma linha de crédito rotativo de US$ 750 milhões, com prazo de cinco anos, em substituição ao mecanismo anterior, de US$ 450 milhões.

Avanço no Brasil

A América Latina responde por 27% do mercado de aviação executiva da Bombardier, com o Brasil ocupando posição de destaque. Todos os modelos da fabricante são comercializados no País, considerado estratégico para a expansão regional da companhia.

“Existia-se o mito de que a aviação executiva era um brinquedinho de luxo do empresário, mas temos que lembrar que das quase cinco mil pistas e aeroportos que temos no Brasil, apenas 150 são atendidos por aviões comerciais enquanto todo o resto está disponível para aviões executivos. Então, hoje as empresas que querem crescer seus negócios precisam de agilidade, mobilidade e tempo”, afirmou Heron Nobre, diretor de vendas da Bombardier para o Brasil, que acumula passagens pela Líder Aviação e pela TAM Aviação Executiva.

Nobre assumiu neste ano a principal posição comercial da fabricante no País, depois de um longo período sem representação local dedicada. Segundo ele, a demanda brasileira abrange diferentes áreas da economia.

“Hoje vemos demandas de clientes brasileiros em diferentes setores, como empresários dos setores do AGRONEGÓCIO, farmacêutico, bancos, varejo e tecnologia. Isso levou o Brasil ao posto de segundo maior mercado do mundo para aviação executiva e fez com que a Bombardier decidisse realmente ampliar seus esforços no País e colocar pessoas dedicadas em vendas e suportes para dar atenção aos clientes”, disse Nobre.

A expansão ocorre em um momento também favorável à Embraer. A área de aviação executiva da fabricante brasileira entregou 45 jatos no segundo trimestre de 2026, crescimento de 55% em relação aos três primeiros meses do ano e de 18% na comparação com igual período de 2025.

Apesar da presença da concorrente brasileira, a Bombardier avalia que as duas fabricantes atuam em categorias distintas e encontram espaço para ampliar suas operações.

“Não enxergamos a Embraer como uma ameaça ao crescimento da Bombardier no Brasil. São duas empresas muito relevantes para a aviação executiva, mas que atuam com portfólios e categorias de aeronaves diferentes. A Bombardier está concentrada nos segmentos super midsize e large cabin, com produtos voltados a clientes que buscam maior alcance, espaço de cabine e desempenho. Por isso, vemos o mercado brasileiro com bastante espaço para diferentes fabricantes e seguimos muito confiantes nas oportunidades de crescimento da Bombardier no País”, enfatizou Nobre.






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