A adaptação das empresas brasileiras à Reforma Tributária ainda ocorre de forma desigual. Embora as novas regras já tenham começado a afetar processos e rotinas corporativas, somente 9,2% das organizações alcançaram o nível mais avançado de maturidade fiscal, segundo uma pesquisa da ASIS Tax Tech.
Nesse estágio, recursos tecnológicos, inteligência artificial e análise de dados são utilizados para identificar riscos com antecedência e subsidiar decisões. Na outra ponta, 21,5% das companhias permanecem em uma postura reativa, concentrando esforços na resolução de problemas depois que eles surgem.
A maior parcela da amostra, equivalente a 69,3%, encontra-se em uma posição intermediária. São empresas que já organizaram procedimentos e controles, mas ainda não conseguem transformar plenamente as informações tributárias em conhecimento aplicado à gestão.
O levantamento foi conduzido durante o Fórum de Gestão Fiscal e Tributária, promovido pela Live University | Confeb, em São Paulo, em agosto de 2026. O evento reuniu profissionais e executivos das áreas fiscal, tributária, jurídica, financeira e de tecnologia.
Os resultados também indicam que a avaliação sobre o grau de preparação varia de acordo com o cargo ocupado. Os analistas, que correspondem a 43,8% dos participantes, estão mais próximos da execução cotidiana das operações. Entre os coordenadores, 30% consideram suas áreas reativas. No grupo dos gerentes, essa proporção recua para 16,7%, sinalizando diferentes percepções entre os níveis hierárquicos.
A análise por atividade econômica revelou disparidades semelhantes. O varejo apresentou o melhor desempenho, com 12,5% das organizações enquadradas no patamar mais elevado de maturidade. A indústria, por sua vez, registrou a maior concentração de empresas no modelo reativo, com 25,2%. No comércio, predominou o estágio intermediário de desenvolvimento.
A partir dos dados obtidos, a ASIS Tax Tech pretende ampliar a abrangência da pesquisa e criar um indicador nacional de maturidade fiscal.
“Nossa intenção é transformar esse levantamento em um termômetro permanente do mercado, permitindo acompanhar onde a adaptação avança, onde ela estagna e quais práticas realmente geram resultados. Esse tipo de informação é valioso não apenas para as empresas avaliarem o próprio nível de preparo, mas para todo o ecossistema tributário entender onde estão os principais gargalos e desenvolver soluções mais alinhadas às dificuldades que ainda precisam ser enfrentadas”, afirmou Ulisses Brondi, CEO da ASIS Tax Tech.
Na avaliação do executivo, a implementação do novo sistema tornará mais visíveis as diferenças de eficiência entre organizações submetidas às mesmas exigências legais.
“Duas empresas podem estar sujeitas às mesmas obrigações fiscais e, ainda assim, apresentar níveis completamente diferentes de eficiência, custos e capacidade de resposta. O que vai separar essas empresas não será apenas o cumprimento da legislação, mas o nível de maturidade fiscal, que envolve o uso da tecnologia, visibilidade sobre riscos, processos de compliance e capacidade de transformar dados fiscais em inteligência para apoiar a gestão, antecipar problemas e tomar decisões melhores”, completou.




