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sábado, agosto 29, 2026

O plano de US$ 15 bilhões do Egito para reduzir a dependência de alimentos importados – Money Times

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Rio Nilo visto do templo de Isis. Imagem: Wikimedia Commons.

Um país onde 96% do território é deserto depende de alimentos importados para abastecer quase 120 milhões de pessoas. Essa é a realidade do Egito.

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Para mudá-la, o governo egípcio lançou um projeto de US$ 15 bilhões que promete ser a maior expansão agrícola da história do país.

Batizada de Novo Delta, a iniciativa prevê estender o rio Nilo e transformar 924 mil hectares de áreas desérticas em terras produtivas.

Na prática, seria como converter em lavouras uma área de deserto mais de seis vezes maior que a cidade de São Paulo. O espaço deverá ser usado principalmente para o cultivo de trigo e milho, além de frutas, vegetais e ervas.

A necessidade de ampliar a produção interna ocorre em um momento delicado para o Egito. Enquanto as áreas férteis do país encolhem cerca de 2% ao ano desde os anos 1990, a população — a maior do mundo árabe — deve saltar de 120 milhões para 165 milhões até 2050.

O plano do Egito

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O Novo Delta prevê a construção de um corredor hídrico de 114 quilômetros, um pouco maior que a distância entre São Paulo e Campinas, formado por canais artificiais e tubulações subterrâneas e de superfície.

Seria como um rio artificial. Parte dessa estrutura, inclusive, já foi concluída e está em operação desde 2024.

Ao longo desse corredor, a água do rio Nilo será transportada por mais de 20 estações de bombeamento até a estação de tratamento de Al Hammam, considerada pelo governo egípcio a maior do mundo em reciclagem de água.

Depois de tratada, a água será distribuída por sistemas de irrigação, que abastecerão as novas lavouras com apoio de reservas subterrâneas.

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Com isso, a área agrícola do Egito passaria dos atuais 3,97 milhões de hectares, pouco menos que o estado do Rio de Janeiro, para 6,3 milhões de hectares.

Projeto Novo Delta no rio Nilo
Ilustração do projeto Novo Delta. Imagem: Governo do Egito/Gerada por IA.

Por meio do Novo Delta, o governo do Egito estima obter parceria com cerca de 150 empresas e gerar por volta de 5 milhões de empregos.

Dependência externa

Os esforços do Egito para ampliar a produção agrícola doméstica refletem a forte dependência do país de alimentos importados. Atualmente, cerca de 40% da demanda alimentar egípcia é atendida por compras no exterior, segundo a FAO.

A vulnerabilidade é particularmente evidente no trigo. Em 2025, o país importou 13,3 milhões de toneladas do cereal para suprir uma demanda anual de aproximadamente 20 milhões de toneladas, de acordo com dados da agência Fastmarkets.

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Boa parte dessa dependência estava concentrada em Ucrânia e Rússia, responsáveis por 82% das importações egípcias de trigo entre 2017 e 2022, segundo a Reuters.

Com a guerra entre os dois países, o Egito foi obrigado a buscar fornecedores alternativos e passou a pagar cerca de 40% a mais pelo produto.

Já em relação aos demais alimentos, o Egito importou 15 milhões de toneladas em 2024, desembolsando cerca de US$ 19 bilhões, segundo dados do governo.

Para um país onde a população cresce mais rápido do que as áreas férteis, aumentar a produção local tornou-se uma questão de segurança alimentar.

Delta do rio Nilo
Atualmente, 95% da população reside em apenas 4% do território egípcio, concentradas ao longo do rio Nilo. Imagem: Wikimedia Commons.

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