Muitos traders conseguem estudar análise técnica, entender setups e aprender indicadores.
Mas, ainda assim, boa parte trava justamente na hora de transformar a leitura em execução prática dentro do mercado, principalmente por ainda não terem encontrado um modelo operacional compatível com sua forma de operar.
Convidado do episódio 33 da 3° temporada do programa A Arte do Trade, no canal GainCast, Júnior Vianna explica como o gráfico Renko mudou sua forma de enxergar o mercado e ajudou na construção do operacional que utiliza atualmente.
Clareza operacional
Vianna afirma que passou por diferentes metodologias antes de encontrar identificação com o gráfico Renko.
Segundo ele, apesar de já compreender conceitos de análise técnica, ainda existia dificuldade na hora de transformar teoria em leitura prática durante as operações.
“Eu entendi o conceito, mas chegava na hora de aplicar ali no dia a dia, na hora de operar, eu não conseguia enxergar”, relembra.
Vianna explica que a principal diferença percebida no Renko foi justamente a clareza visual dos padrões.
Como o gráfico é estruturado apenas pelo deslocamento de preço, sem interferência do fator tempo, os movimentos passaram a fazer mais sentido operacionalmente.
“Eu comecei a olhar baseado no conhecimento que eu já tinha e começou a fazer mais sentido. Eu comecei a enxergar mais fácil no Renko por ele ser um gráfico padronizado”, recorda.
Na visão de Vianna, o fato de todos os boxes possuírem o mesmo tamanho ajuda o cérebro a reconhecer padrões com mais facilidade.
Por isso, ele acredita que o Renko reduz parte do ruído visual que muitos traders enfrentam nos gráficos tradicionais.
“Ele é um gráfico que repete muito padrão e ele é muito visual. Fica muito claro e muito nítido. Desde o suporte e resistência, LTA, LTB, Fibonacci, teoria de Down, ondas de Elliott, Wyckoff, SMC, tudo você consegue enxergar no Renko”, explica.
O próprio caminho
Depois de encontrar no Renko uma leitura mais intuitiva, Vianna passou a aprofundar seus estudos em diferentes metodologias.
Segundo ele, a construção do próprio operacional não aconteceu pela adoção de uma única escola, mas pela combinação de conhecimentos adquiridos ao longo da trajetória.
Nesse processo, o trader passou a combinar referências de diferentes metodologias até construir uma leitura própria de mercado.
A partir dessas influências, passou a adaptar conceitos à sua própria forma de interpretar o mercado. “Eu fui montando o meu quebra-cabeça. Faz oito anos que utilizo o gráfico de Renko”, afirma.
Por isso, Vianna acredita que não existe uma única forma correta de operar. Na sua avaliação, cada profissional desenvolve um modelo compatível com suas características pessoais e emocionais.
“Porque cada um tem suas manias, suas crenças, seus jeitos. E o que a pessoa tem que fazer no mercado é encontrar o jeito dela”, comenta.
Conselho aos iniciantes
Ao mesmo tempo, Vianna acredita que quem deseja começar no Renko não deve focar inicialmente em indicadores ou padrões específicos.
Na sua avaliação, o primeiro passo é entender qual ativo pretende operar, qual nível de risco está disposto a assumir e qual estilo operacional faz mais sentido para sua personalidade.
Ele defende que a escolha do tamanho do Renko deve estar alinhada ao perfil da operação.
Enquanto alguns traders preferem movimentos mais longos, outros se adaptam melhor a operações rápidas e objetivos mais curtos.
“Primeiro a pessoa entender o que que ela gosta de operar”, orienta.
Segundo o trader, o processo também exige testes constantes.
Por isso, ele recomenda experimentar indicadores, médias, gatilhos e diferentes tipos de entrada antes de consolidar um modelo operacional próprio.
Para ele, a construção de um método acontece justamente pela combinação de experiências e adaptações pessoais ao longo do tempo.
Além disso, ele acredita que o autoconhecimento continua sendo um dos fatores mais negligenciados pelos traders.
“Enquanto a pessoa não se conhecer, não entender o que é saudável emocionalmente para ela, ela não vai conseguir operar bem”, conclui.




