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segunda-feira, agosto 3, 2026

Cadillac de R$ 3 milhões liga ex-sócio da Fictor, FIDC e preso por lavagem de dinheiro do tráfico – Money Times

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Fictor é um dos principais patrocinadores da Sociedade Esportiva Palmeiras. Foto: Reprodução.

Uma operação envolvendo um Cadillac Escalade 2025, avaliado em cerca de R$ 3 milhões, colocou Rafael Paixão, ex-sócio da Fictor, no centro de uma estrutura financeira que envolve uma empresa ligada a um preso pela Polícia Federal (PF) em investigações sobre lavagem de dinheiro de organizações criminosas e a um FIDC (Fundo de Investimento em Direitos Creditórios).

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Segundo documentos de um processo em tramitação na Justiça Federal de Santos, Paixão tenta reaver o veículo, bloqueado em uma investigação que envolve a Quadri. Na peça, ele afirma tê-lo adquirido “de forma onerosa e de boa-fé”, por meio de contrato firmado com uma empresa intermediária. O pagamento teria sido dividido em 24 parcelas de R$ 125 mil.

Os documentos apresentados pelo próprio Paixão indicam que, antes da venda, o Cadillac pertencia a Quadri, companhia que tem como sócia-administradora Clara Ramos de Souza Morgado, esposa de Rodrigo de Paula Morgado. Morgado apareceu recentemente em outra investigação da PF, que apura o uso de uma concessionária de veículos de luxo para lavar recursos supostamente ligados a organizações criminosas.

Após a compra, os direitos relacionados ao contrato de aquisição do veículo foram cedidos ao Araguaia Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC), administrado pela Planner. Como garantia da operação, o próprio Cadillac foi colocado em alienação fiduciária.

Na prática, esse tipo de estrutura permite que o vendedor antecipe o recebimento das parcelas ao vender o crédito ao fundo. O comprador passa a dever ao FIDC, enquanto o veículo permanece como garantia da operação.

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A cessão de recebíveis, por si só, é comum no mercado de crédito estruturado. No entanto, os documentos do processo não permitem comprovar integralmente os pagamentos realizados, a origem do veículo e o contexto das investigações envolvendo pessoas ligadas ao negócio.

A documentação apresentada pela defesa não permite reconstruir integralmente a movimentação dos cerca de R$ 3 milhões. Em vez dos 24 boletos e dos respectivos comprovantes de pagamento, foram anexadas apenas capturas de tela de três boletos.

Também não foram apresentados documentos capazes de identificar quem emitiu os boletos, quem recebeu cada parcela ou quais contas bancárias movimentaram os recursos.

A reportagem não conseguiu contato com Rafael Paixão e com a Quadri. A Planner não respondeu até a publicação.

O que a Operação Fallax investiga

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A combinação de fatores observada na operação do Cadillac reúne elementos que lembram os descritos pela PF na Operação Fallax.

O fundador da Fictor, Rafael Góis, foi alvo da primeira fase da operação. Segundo a Polícia Federal, uma organização criminosa teria atuado mediante a cooptação de funcionários de instituições financeiras e o uso de empresas de fachada para movimentar recursos ilícitos.

Há cerca de uma semana, a Justiça de São Paulo determinou o compartilhamento das provas da investigação com o processo de recuperação judicial da Fictor e ordenou uma análise detalhada dos fluxos financeiros do grupo, incluindo contas ligadas a acionistas e pessoas relacionadas.

Segundo a investigação, o esquema seria baseado em empresas de fachada, contabilidade supostamente fabricada, pagamentos cruzados de boletos, transferências internas e registros contábeis destinados a criar uma aparência artificial de faturamento e capacidade financeira.

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Ainda de acordo com a PF, parte dos recursos circulava entre empresas antes de ser convertida em bens de luxo e criptoativos, dificultando seu rastreamento.

A investigação atribui à Fictor um papel central nessa engrenagem, apontando que o grupo teria atuado como núcleo financeiro responsável por irrigar empresas utilizadas para movimentar e ocultar recursos.

Em outra frente da investigação, a PF afirmou que mecanismos semelhantes de lavagem de dinheiro também teriam sido utilizados por integrantes de facções criminosas.

A Fictor afirmou, na época, que não tinha conhecimento de qualquer relação com a organização criminosa mencionada na investigação e disse que prestaria esclarecimentos após ter acesso aos elementos do inquérito.

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Em manifestação apresentada no processo, o Ministério Público Federal (MPF) afirmou que a combinação entre intermediação empresarial, cessão de direitos creditórios e alienação fiduciária pode dificultar a rastreabilidade patrimonial.

O MPF também destacou que Paixão não promoveu imediatamente a transferência do veículo perante o órgão de trânsito, circunstância que, segundo o órgão, enfraquece a alegação de que a aquisição ocorreu de forma plenamente regular.

O órgão também defendeu a manutenção da indisponibilidade do Cadillac, sustentando que os documentos apresentados não seriam suficientes para afastar a possível vinculação do veículo aos fatos investigados.

Outras ligações e patrimônio

O Araguaia é um fundo administrado pela Planner e gerido pela Redwood, empresas do mesmo grupo B100.

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A Fictor ganhou as manchetes após tentar comprar o Banco Master, em novembro do ano passado. Já a Planner foi citada, em outra investigação da Polícia Federal, como uma das instituições que teriam atuado como ponte em um suposto esquema envolvendo o Banco Master e o Rioprevidência.

Dados da CVM mostram que o Araguaia FIDC possuía patrimônio líquido de aproximadamente R$ 780 milhões em junho deste ano, ante R$ 470,1 milhões no mesmo mês de 2025.

O fundo possui estrutura concentrada. Uma de suas subclasses tem apenas dois cotistas pessoas físicas, enquanto a cota subordinada pertence ao Araguaia Fundo de Investimento Multimercado Crédito Privado, também administrado pela Planner e gerido pela Redwood.

Esse multimercado também possui apenas dois cotistas pessoas físicas, responsáveis por 100% do patrimônio. Seu patrimônio saltou de R$ 38,3 milhões em junho do ano passado para R$ 233,1 milhões neste ano. Em junho de 2026, cerca de R$ 197 milhões — aproximadamente 84% do patrimônio do fundo — estavam aplicados no Araguaia FIDC.

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Os informes públicos da CVM, contudo, não permitem identificar se Rafael Paixão, pessoas ligadas à Fictor ou terceiros envolvidos na operação do Cadillac figuram entre os cotistas dos fundos.

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