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segunda-feira, julho 27, 2026

Tecnologia no apito – Broadcast

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A Lenovo colocou mais de 25 mil dispositivos eletrônicos nos campos da Copa do Mundo

Aramis Merki

A Copa do Mundo de 2026 quis provar que a tecnologia deixa a arbitragem mais confiável do que o julgamento humano sozinho. A Lenovo, parceira oficial de tecnologia da Fifa, bancou essa promessa com mais de 25 mil dispositivos eletrônicos e cerca de 350 engenheiros espalhados pelo torneio.

Entre os recursos utilizados estavam avatares 3D dos jogadores, empregados nas reprises da Tecnologia de Impedimento Semi-Automatizada para tornar as marcações de impedimento mais visíveis tanto para os árbitros quanto para o público. Os avatares foram criados para todos os 1.248 atletas que disputaram o torneio, a partir de escaneamentos individuais processados com apoio de inteligência artificial.

Outras frentes também tiveram apoio de tecnologia baseada em IA durante o torneio. É o caso do FIFA AI Pro, plataforma de análise de dados disponibilizada às 48 seleções participantes. Já a câmera que mostrava a visão dos árbitros de dentro do campo, a Referee View, usou processamento de IA para reduzir em 60% a trepidação das imagens.

Toda a tecnologia de ponta, no entanto, não deu conta de uma interferência humana que veio de fora das quatro linhas. Depois de o atacante Folarin Balogun, dos Estados Unidos, ser expulso contra a Bósnia-Herzegovina, o presidente Donald Trump ligou para o presidente da Fifa, Gianni Infantino, pedindo a revisão do cartão vermelho. Dias depois, o comitê disciplinar suspendeu a punição, e Balogun entrou em campo contra a Bélgica.

A decisão gerou repercussão imediata. A confederação europeia (Uefa) acusou a Fifa de ter ultrapassado limites, a federação belga também se posicionou contrária. Ex-jogador e atualmente comentarista esportivo, o inglês Wayne Rooney descreveu o episódio como um dos maiores escândalos da história das Copas.

Trump, por sua vez, assumiu publicamente ter feito a ligação, alegando apenas ter pedido uma revisão por considerar injusta a expulsão de “um dos melhores jogadores dos EUA”; Infantino confirmou o contato, mas negou que ele tivesse pesado na decisão. A seleção americana foi eliminada no jogo em que Balogun atuou.

A lição que ficou: nenhum avatar 3D, câmera estabilizada ou algoritmo substitui a garantia mais básica de qualquer competição, a de que a regra vale igual para todos.



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