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quarta-feira, julho 22, 2026

Por que Ibovespa sobe mais de 1% e dólar cai em dia em que tarifaço passou a valer?

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Esta quarta-feira (22) é marcada pela entrada em vigor da tarifa adicional de 25% dos EUA sobre produtos brasileiros, o que é visto como negativa para os ativos domésticos. Contudo, a sessão é de fortes ganhos para o principal índice da Bolsa brasileira, o Ibovespa, enquanto o dólar registrava leve queda, de R$ 5,05.

 O Ibovespa operava em forte alta durante a manhã desta quarta-feira, em meio aos ganhos dos papéis da WEG (WEGE3), que divulgou balanço mais cedo, e da Vale (VALE3), que publicou seu relatório de produção na noite de terça-feira. Às 11h31 (horário de Brasília), o índice subia 1,33%, a 175.630 pontos.

Os agentes seguem monitorando a tensão no Oriente Médio, que impulsiona os preços do petróleo no exterior, enquanto também acompanham a agenda de balanços.

Conforme destaca Elson Gusmão, diretor de câmbio da Ourominas, aponta que o comportamento do mercado nesta quarta-feira mostra bem por que não devemos interpretar Bolsa e câmbio apenas pela manchete do dia.

“A entrada em vigor da tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros é, sem dúvida, uma notícia negativa para setores diretamente expostos ao mercado americano. Mas isso não significa automaticamente queda do Ibovespa e alta do dólar”, avalia o especialista.

Gusmão ressalta que o mercado já conhecia boa parte desse risco. Quando uma medida é anunciada com antecedência, parte relevante do impacto costuma ser incorporada aos preços antes mesmo de sua entrada em vigor.

Além disso, ressalta, o Ibovespa tem uma composição muito concentrada em grandes empresas de commodities. Petrobras (PETR3;PETR4) e Vale (VALE3) possuem peso relevante no índice e, neste momento, estão sendo beneficiadas por fatores globais.

A Petrobras recebe suporte direto da forte valorização do petróleo, que voltou a negociar próximo de US$ 95 por barril diante das tensões no Oriente Médio e dos riscos sobre importantes rotas de navegação. Além disso, o BB Investimentos elevou a recomendação das ações para a compra. Gusmão ressalta que esse movimento pode ser muito mais importante no curto prazo do que o impacto direto das tarifas americanas.

A Vale também sobe forte, apoiada por números operacionais positivos e por uma dinâmica de negócios muito mais relacionada à China e ao mercado global de minério de ferro do que às exportações brasileiras para os Estados Unidos.

Isso ajuda a explicar por que o Ibovespa pode subir mesmo com uma notícia comercialmente negativa para o Brasil: o índice não representa perfeitamente toda a economia brasileira. Grandes empresas podem puxar o mercado para cima enquanto diversos setores menores sofrem.

No caso do câmbio, real continua contando com um diferencial de juros muito elevado em relação aos Estados Unidos. Enquanto o Brasil oferece taxas reais e nominais bastante superiores às americanas, existe incentivo para manutenção de posições em reais, principalmente por meio de estratégias de carry trade.

Além disso, a valorização do petróleo pode melhorar os termos de troca brasileiros e aumentar a geração de receitas externas do país, oferecendo suporte adicional ao real.

“Portanto, a leitura correta não é que o mercado esteja ignorando o tarifaço. O que acontece é que existem várias forças atuando simultaneamente. De um lado, tarifas comerciais, incerteza política e riscos para exportadores. Do outro, petróleo em forte alta, Petrobras valorizando, Vale sustentada por fundamentos operacionais, juros brasileiros elevados e fluxo de capital favorecendo o real. No curto prazo, essas forças positivas estão compensando o impacto negativo das tarifas”, avalia.

Porém, isso não elimina os riscos. Isso porque, caso as tarifas sejam ampliadas, tornem-se cumulativas ou desencadeiem uma retaliação comercial mais forte, o impacto sobre crescimento, investimentos e confiança pode aumentar rapidamente.

Investidor estrangeiro

“O investidor estrangeiro dá a tônica”, também destaca Pedro Moreira, sócio da One Investimentos, o movimento sugere entrada de capital externo.

De acordo com Moreira, da One, em divulgação de balanços de empresas americanas importantes, como hoje, que tem, por exemplo Alphabet, alguns investidores saem do mercado dos EUA para emergentes como o Brasil, em busca de oportunidades e como forma de se protegerem.

“É um movimento tático, na tentativa de reduzirem um pouco a volatilidade de momentos como os recentes, em meio a preocupações com o setor de tecnologia”, afirma o sócio da One.

(com Estadão Conteúdo)



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