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quarta-feira, agosto 19, 2026

Devedores diferentes, mesmos credores – Broadcast

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Talita Nascimento e Mariana Ribas

Os devedores são diferentes, mas os credores, nem sempre. Uma fonte próxima de detentores de dívida em dólar de algumas empresas brasileiras compartilhou, há algum tempo, uma imagem feita por inteligência artificial: um investidor estrangeiro correndo por um campo minado. As minas, por sua vez, eram empresas brasileiras cuja situação de crédito eram complexas.

Daquelas que apareciam na imagem profética, a Raízen teve o melhor desfecho até agora, com uma recuperação extrajudicial em curso que tem sido citada como exemplo por alguns credores sobre como os sócios de empresas em dificuldades financeiras deveriam agir: colocando a mão no bolso. A negociação citada não foi livre de polêmicas e terminou com um dos principais acionistas da companhia, a Cosan, diluído, justamente por não acompanhar o aporte da sócia, a Shell.

Outras das armadilhas da imagem eram a Braskem e a Ambipar. Estas, sem fim definido ainda. Na Braskem, nada de dinheiro novo até o momento — apenas uma sinalização de bastidores de que a Petrobras deve ajudar a investida com capital de giro — e a subsidiária da companhia no México pediu Recuperação Judicial, nesta semana. Já a Ambipar tenta finalizar um acordo com os credores externos dentro de uma recuperação judicial enroscada e polêmica. Os credores em comum entre todas as empresas da caricatura digital acumulam perdas.

Investir em uma empresa via dívida traz riscos mapeados e, portanto, possíveis ou até prováveis. No entanto, o fato do solo brasileiro poder estar mais recheado de armadilhas do que minas de ouro pode se traduzir em juros mais altos e/ou janelas menores de captação para as companhias daqui.



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