Por Tiago Salazar e André Costa
O diretor de Negócios Jurídicos do Corinthians, Pedro Soares, negou à Gazeta Esportiva que o clube fornecerá ao perito Anísio Costa Castelo Branco documentos sigilosos relacionados ao financiamento da Neo Química Arena. O especialista levantou a possibilidade de uma cobrança indevida por parte da Caixa Econômica Federal.
Na última quarta-feira, após a repercussão do caso, Anísio foi ao Parque São Jorge e se reuniu com a diretoria do Corinthians.
Após o encontro, o perito afirmou que receberia documentos do clube para refazer os cálculos e verificar se os números confirmariam as divergências apontadas na perícia elaborada por ele. Anísio também disse que, dentro de “uma ou duas semanas”, entregaria ao Timão o cálculo atualizado.
“O presidente disse que vai pôr em funcionamento a partir de segunda-feira. Vou fazer um ofício para franquear todos os documentos de que eu preciso, extratos, comprovantes, tudo mais. Esses documentos estando comigo, creio que em mais uma ou duas semanas esse novo número vai estar pronto para que o Corinthians possa chamar a Caixa e negociar”, disse Anísio à imprensa que estava no local.
“Tudo o que eu tenho lá são os números que estão nos autos. E eu não tenho muita confiança de que os números que estão lá estão certos. Tem uns números lá que não batem com os próprios números da Caixa. Até os números que eu utilizei para fazer o cálculo, vou reauditar com os números que o Corinthians vai me dar”, acrescentou.
Veja também:
Todas as notícias da Gazeta Esportiva
Canal da Gazeta Esportiva no YouTube
Siga a Gazeta Esportiva no Instagram
Canal da Gazeta Esportiva no WhatsApp
No entanto, em contato com a Gazeta Esportiva, Pedro Soares desmentiu o perito. O dirigente afirmou que a diretoria alvinegra está aberta a ouvi-lo, mas não irá fornecer nenhum documento, neste momento. Além disso, informou que o clube já possui um grupo responsável pelo assunto e tem “negociações avançadas” com a Caixa para buscar uma solução. Veja abaixo:
“Gostaria de informar que não entregamos nenhum documento, a não ser a ata de comparecimento do perito ao Parque São Jorge, o qual disponibilizou cópia do seu requerimento ao Ministério Público de São Paulo (MP-SP), acompanhado do laudo pericial que possui cálculos até agosto de 2019.
Salientamos que todas as informações que possam agregar à discussão da questão são bem-vindas.
Outrossim, lembramos que já possuímos um grupo que cuida desse assunto e que estamos em negociações avançadas junto à Caixa Econômica Federal para o encaminhamento do tema.”
(Foto: Júlio César Costa/Ag.Paulistão)
Segundo informações obtidas pela reportagem, o Corinthians não pode fornecer documentos assinados com a Caixa referentes ao financiamento da Neo Química Arena por conta de cláusulas de confidencialidade.
O clube não seria obrigado a compartilhar os documentos nem mesmo caso o pedido fosse feito pelo Ministério Público. O Timão só teria de fornecê-los mediante determinação judicial.
Além disso, dirigentes do Corinthians têm desconfianças em relação aos cálculos de Anísio Castelo Branco por dois motivos. O primeiro é que o próprio perito admitiu não ter tido acesso a todos os extratos. O segundo é que as contas já foram analisadas por empresas especializadas em auditoria e consultoria, como Ernst & Young, Alvarez & Marsal e KPMG.
Equacionar a dívida referente à Neo Química Arena se tornou uma obsessão do presidente do Corinthians, Osmar Stabile. Conforme apurou a Gazeta Esportiva, a diretoria do clube está mobilizada para negociar um acordo com a Caixa e tentar reduzir o valor da dívida, atualmente avaliada em R$ 640 milhões.
Entenda a investigação
O Ministério Público de São Paulo instaurou um procedimento para apurar uma possível cobrança indevida da Caixa Econômica Federal ao Corinthians relacionada ao financiamento da Neo Química Arena. A investigação foi aberta após a representação produzida por Anísio Castelo Branco apontar divergências de aproximadamente R$ 255,75 milhões nos cálculos da dívida do estádio.
A apuração está sob responsabilidade do promotor Cássio Roberto Conserino, que determinou a realização de uma perícia técnica para verificar a consistência dos valores cobrados. Segundo o Ministério Público, o procedimento tem caráter administrativo e busca esclarecer possíveis inconsistências na evolução do saldo devedor e na aplicação de encargos contratuais.
Conserino afirmou ter identificado taxas de juros que variavam de 19% a quase 450% ao mês em parcelas atrasadas do financiamento. A perícia anexada ao procedimento sustenta que, em 2019, a Caixa cobrou judicialmente R$ 536,09 milhões, embora o saldo devedor à época fosse de cerca de R$ 280,3 milhões. Essa diferença fundamenta a investigação.
O promotor também levantou a hipótese de que a Arena possa até estar quitada, caso os cálculos apresentados sejam confirmados.
Em nota oficial, a Caixa negou irregularidades e afirmou que o contrato firmado com o Corinthians, assim como sua renegociação, seguiu a legislação vigente, as normas do Banco Central e rigorosos critérios de governança.




